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A arte e a sensualidade do grafite aplicado ao corpo humano

“O que fazemos nesse trabalho é unir arte e sensualidade. Trazer a arte de rua dos muros para o corpo humano”, explica o artista Jorge Liu 28/01/2016 às 15:11
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O casamento entre personagens criados nas paredes e a pintura no corpo funciona bem
Felipe Wanderley Manaus (AM)

A arte de pintar o corpo não é novidade. Nesta época do ano, a técnica do body painting invade as passarelas do samba e colore os corpos no Carnaval. Mas há quem faça desta técnica consagrada um campo vasto para a manifestação de outra arte, por vezes relegada à marginalização e ao preconceito: o grafite.

Levando as cores da arte urbana para o corpo humano, alguns artistas da cidade têm emprestado um pouco de sensualidade à arte de rua e ao mesmo tempo levado o grafite para uma tela bem mais intimista - o corpo humano.

“O que fazemos nesse trabalho é unir arte e sensualidade. Trazer a arte de rua dos muros para o corpo humano”, explica o artista Jorge Liu, que há cerca de um ano se iniciou na técnica da pintura corporal e trouxe de seu estilo de grafite um traço de formas arredondadas e elegantes.

O casamento funciona bem e o empréstimo de personagens criados nas paredes, como a índia que ele fez em homenagem à mãe, encontram uma tela mais delicada, mas não menos expressiva.

“As pessoas ficam muito satisfeitas”, diz ele, que costuma agregar o trabalho à produção de fotografias do corpo pintado, em geral de modelos mulheres, embora também já tenha pintado homens.

“Quando (as modelos) veem o resultado, se sentem até mais bonitas. Dá uma moral na autoestima”, diz Liu, que já chegou a expor seu trabalho em parceria com a fotografia do amigo e fotógrafo Homero Lacerda.

A exposição “Conteúdo Explícito: Jorge Liu nas Lentes de Homero Lacerda” chamou a atenção de quem passou por um evento cultural na loja de Síntese Skate Shop no final do ano passado. “Percebi que teve uma aceitação muito boa. Quem não gosta de sensualidade?”, diz ele.

A pauta

Largo São Sebastião, meio dia e trinta, sol tipicamente manauara. Deste que foi o ponto de encontro da equipe de reportagem com Liu, que trouxe o também grafiteiro Vanderlann Broly para trabalhar a arte da fotografia que abre esta reportagem, fomos para a locação das fotos: a casa do escritor Jeovane Pereira, no Bairro do Céu, região ribeirinha do centro antigo de Manaus.

Ali, numa vila de casas que dão para o rio e peças de navios abandonadas, a casa de dois andares onde funciona uma pequena biblioteca popular só não parecia melhor lugar para produzirmos as fotos por causa do imenso calor, que passava dos 40 graus.

A quentura era tanta que obrigou a namorada de Vanderlann, Vanessa, a segurar um ventilador para que a tinta não escorresse nas costas da modelo, a estudante de jornalismo Vanusa Almeida.

Esta, tão empolgada quanto nervosa com a novidade. Afinal, ela teria de tirar a parte de cima da roupa para que os artistas, munidos de tinta guache e caneta Posca, pudessem dar forma à sua criação.

“Isso vai me queimar?”, perguntou, antes de receber a explicação de que a tinta não faria mal e sairia com água. Ao fim, trabalho pronto, modelo e artistas satifeitos, e a sensação de que a arte de rua, sempre reinventada, nunca deixará de nos surpreender e instigar.

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