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A caminho da fama

Bandas vão na contramão do cover e encaram o desafio de fazer música autoral  01/06/2013 às 20:36
Show 1
Sombra no Jardim batalha para ir além dos limites do seu bairro
Felipe de Paula Manaus (AM)

Produzir música autoral não é fácil. Além do óbvio esforço criativo, quem decide apostar nas músicas próprias pode encontrar muitas portas fechadas pelo caminho: a maioria das casas de show prefere bandas que tocam cover, com mais apelo comercial. Mas eles não desanimam e mostram o que a música local ainda tem para oferecer. Nem que para isso precisem ser produtores, empresários e divulgadores das próprias bandas.

Sombra no Jardim: Da escola para o mundo

Eles começaram a tocar com instrumentos emprestados da Escola Estadual Maria Rodrigues Tapajós, onde formaram a banda. Como os ensaios são abertos aos alunos, aos poucos a turma do colégio já sabia de cor as letras que falam de amor, política e sobre a própria “vontade de cantar” dos garotos, que tem entre 13 e 17 anos. O desafio agora é ampliar o número de ouvintes além dos muros da escola e dos limites do bairro. E também pagar a bateria recém-comprada numa cotinha entre os músicos. Para isso, eles estão promovendo o show de lançamento do repertório da Sombra, que tem 12 músicas e sonha em gravar um disco. A apresentação será no dia 15 de junho, às 19h30, na Escola Maria Tapajós.

Livre prisioneiro: Libertação cultural


Formada há apenas cinco meses, a banda Livres Prisioneiros já está em plena atividade produtiva. Como um som que mistura elementos do rock a uma pegada mais regional, eles sabem que nem sempre o cenário é favorável à música autoral, porém encaram com positividade o desafio. “Acima de tudo é um grande prazer apresentar nosso trabalho, que é feito com suor e inspiração”, diz Vicente Stallone, vocalista. Porém, ele afirma também haver um aspecto um tanto quanto “aflitivo” no processo. “Pela falta de apoio de alguns setores e públicos, existe uma forte resistência cultural contra o regional, o que remete à realidade do nosso povo”, diz ele, atribuindo a isso uma dose de “provincianismo cultural e político”. “Um povo que se descobre culturalmente dá trabalho a seus governantes e a música é apenas a ponta do iceberg”, acrescenta.

Roletta Rock: Do acaso ao compromisso


Fortemente influenciada pelo rock e blues clássico, como Led Zeppelin e Jimmy Hendrix, a Roletta Rock não tinha grande pretensões quando se juntou pela primeira vez em novembro de 2011. No entanto, a resposta do público para suas músicas foi tão positiva que a turma resolveu alçar voos maiores. “Eu sinto que o pessoal hoje está mais a fim de ouvir coisas novas”, afirma Rudson Sena, guitarra e vocais da banda, que observa o cenário cultural se abrindo mais para a produção de músicas autorais, mas vê o caminho a ser trilhado como um grande desafio. “Esse desafio é mostrar que as bandas autorais não estão mortas, mesmo que ainda falte incentivo, e mostrar que a cena local pode voltar a ter a força que já teve”, diz Rudson, adiantando que a primeira demo da Roleta Rock, que foi gravada em Manaus, será masterizada em Curitiba e terá divulgação nas duas cidades, o que representa o primeiro grande passo para a banda.

Pacato Plutão: Talento não tem preço


Com um rock clássico e ao mesmo tempo sofisticado, a Pacato Plutão, não está, apesar do nome, nada distante da realidade das bandas que apostam na produção de música autoral na cidade. Para o guitarrista Leonardo Lima, o artista tem que fazer muito mais do que boas músicas para sair do ostracismo. “Os eventos são por conta da banda, tem que arrumar o som, patrocínio... e quando não tem, paga do próprio bolso”, diz ele. “A gente tem que ser músico, empresário, produtor, serviços gerais...”, comenta Leonardo, que, no entanto, nem pensa em desistir. “Por outro lado, é uma satisfação tocar um trabalho próprio, não tem preço”, comenta. A Pacato Plutão está em gravação de seu primeiro álbum, que terá 15 músicas e deve ficar pronto até setembro.

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