Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ARTE

Sérgio Cardoso apresenta exposição solo inspirada em obras de Edgar Allan Poe

O multiartista Sérgio Cardoso inaugura a mostra intitulada “POE.MAO.CITY”, nesta quinta-feira (12), no Museu Amazônico, Centro de Manaus



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Exposição é gratuita e conta com exibição de filmes do Cineclub também. /Foto: Evandro Seixas
12/04/2018 às 15:01

Mostrando sua visão acerca  da cidade de Manaus  e inspirado pela obra do escritor americano Edgar Allan Poe,  o artista plástico, fotógrafo, dramaturgo, escritor e diretor artístico Sérgio Cardoso inaugura, nesta quinta-feira (12), no Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sua mais nova exposição intitulada “POE.MAO.CITY”. A mostra ficará disponível para visitação até 25 de maio, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30.

Dividida em dois blocos, passando do abstracionismo à fotografia com intervenção digital, a exposição permite uma viagem por diversas técnicas do artista. “A inspiração em Poe veio em seu lado figurativo, através das colagens e etc. Mas minha preocupação é a cidade aérea,  por isso a primeira série, chamada de 'Amarelo Árido', veio da acidez que aparece em alguns lugares da capital. É um olhar sobre a cidade e a floresta”, 
comentou. 

Outra série que faz parte da mostra também trata-se da “Garota de Costas no Computador”, como assim chamou as pinturas. “Como segmentação de quem faz cinema, gosto de trabalhar observando a pintura e o movimento”, disse Sérgio. “Essa montagem faz parte da inspiração nas pensadoras que já foram datilografistas e copistas, e nela homenageio uma grande amiga”.

Fotografia

Nas séries fotográficas, o artista retrata vários lugares e situações do cotidiano de Manaus e, com a técnica da pintura digital, destaca  aquilo que normalmente não foi  percebido pelos olhos. “Manaus é uma cidade de ruínas onde a beleza histórica funciona como interferência”. Há também uma série dedicada às comida de rua, chamada “Alimentação de beira de calçada” e registros da zona portuária. “Considero na nossa antropologia social que os grandes restaurantes estão no meio das ruas”.

A fotografia de objetos que o artista considera estranhos e perigosos para a cidade convivem ao lado de uma floresta praticamente intocável. Não obstante a tudo isso, ele ressalta o seu lado pintor quando fala da série a qual apresenta um grande carinho. “Sou artista conteporâneo e faço mapas abstratos de Manaus, são todos traçados de casas e ruas como numa visão aérea da cidade”, diz.

"A cidade de Manaus é uma grande instalação da cidade contemporânea, com interferência dos cidadãos mesmo fora da sua intenção, na tentativa de autocomunicação e expressão é um transe total onde segue mudando sem que seus moradores realizem construções dessas memórias contemporâneas", comenta Sérgio.

O espaço 

O antigo palacete da família Coelho, agora conhecido como Museu Amazônico, é mais que um simples lugar para Cardoso. “Há uma casa de minha mãe aqui por perto, possui minha infância inteira nessa rua e me sinto muito aconchegado pondendo expor aqui”, relata. 

O Museu desenvolve interessantes atividades, no andar superior é possível conferir a coleção de cerâmica indígena e arqueológica. No prédio em anexo, funcionam a biblioteca Sentorial e a Divisão de Pesquisa em História, possuindo então uma coleção de material indígena e de escritores como do Márcio Sousa e Thiago de Mello com fotos, cartas, manuscritos etc.

Nele temos, como descrito por Sérgio, o maior acervo organizado da história da amazônia além de ser um grande centro de estudo de arqueologia, história e antropologia amazônica. Dotado de instrumentos científicos e obras de artes doadas, é um espaço aberto cultural para a UFAM e toda a comunidade.

Múltiplas Facetas

Completando 44 anos de carreira artística em diversas áreas, sendo também imortal da Academia Amazonense de Letras, Sérgio Cardoso diz que a exposição é um momento de autoexpressão onde conjuntos especiais coexistentes visuais o tornam um artista contemporâneo. “Essa herança de poéticas digitais, a partir do cinema, em que enxergo a vida como um grande segmento de imagens, faz parte do meu eu”. Assim ele coloca  a narrativa cinematográfica em todas as suas obras,  por isso sua preocupação com as imagens, como um sistema de edição objetivando a leitura. “Falar poeticamente é a minha função”, afirma ele que já prepara uma nova exposição em breve.  Como diretor artístico e curador, ele tem a oportunidade de trabalhar expondo com a base humana e acredita  também no respeito ao artista como homem e obra.

Serviço

O quê:  Exposição POE.MAO.CITY 

Quando:  Abertura nesta quinta-feira, dia 12 de abril até 25 de maio, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30.

Onde:  Museu Amazônico rua Ramos Ferreira, Centro

Quanto:  Gratuito


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