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Moda

A diversidade exaltada nas passarelas: conheça Fernando Cozendey

Nos seus desfiles vemos mulheres e homens de todas as cores, condições físicas e identidades de gênero 01/05/2016 às 07:15
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As peças do estilista são compostas somente com tecido lycra ou tecidos que esticam bastante (Foto: Marcelo Soubhia/Fotosite)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

São incontáveis as vezes em que a pluralidade passou distante no mundo da moda. Hoje, esse cenário ganha novas formas. Um exemplo é o da modelo transexual amazonense Camila Ribeiro, que agitou a São Paulo Fashion Week semana passada com sua beleza baré, passarela impecável e luta pela diversidade. E um dos estilistas que também têm levantado essa bandeira pelo Brasil é o carioca Fernando Cozendey, de apenas 26 anos e cinco de carreira. Nos seus desfiles vemos mulheres e homens de todas as cores, condições físicas e identidades de gênero.

Em entrevista ao VIDA & ESTILO, ele conta que todas as suas coleções vêm de suas ideias próprias, de seu universo criativo. Uma das coleções mais celebradas é a “Livre”, a décima de sua carreira. “Essa coleção é ‘livre’ por conta de diversos outros estilos que fiz. Tenho outra coleção chamada ‘Fênix’, que tratava da dor, das dificuldades, do preconceito, e de pessoas menos aceitas na sociedade, como os negros, mulheres e trans”, comenta ele, lembrando que no desfile da coleção, havia uma atleta paraolímpica no casting. “As modelos dessa coleção são essas pessoas”.

Outra coleção notável de Fernando é a “T”, que é voltada para as transformações do universo dos transexuais. “Retrato ali uma série de elementos relacionados, como anticoncepcionais, e a ideia do casulo e da borboleta como uma transformação. No casting, usei modelos trans, drag queens e travestis”, comenta. Sobre a sua última coleção, ele comenta que “Livre” abrange a libertação de tudo isso. “Nesse desfile tive modelos padrões, fora dos padrões, brancas, altas, magras, modelos negras, meninos gays, entre outros”.

O mais curioso é que “’Livre’ traz animais da nossa fauna nas peças. “Nada melhor do que os animais, que são certamente livres”, propõe. Quando Cozendey começou a retratar tais temas na moda, ele próprio confessa que ficou com medo. “Desde às peças, que são mais lúdicas, até a temática mesmo. Mas o mercado tem aceitado bem tanto as peças, quanto o visual e as temáticas. Cada desfile que eu faço, percebo que sou mais procurado, sai mais na mídia”, diz ele, afirmando que o convite se estende para que ele dê palestras sobre a diversidade na moda em outros estados.

Materiais

As peças do estilista são compostas somente com tecido lycra ou tecidos que esticam bastante. “Dentro disso crio vestidos, macacões, maiôs, tops... fugindo até ao estereótipo da lycra, mostrando ela como uma coisa mais urbana mesmo”, pontua. Além das cores fortes, todos os desenhos de animais e outros itens são feitos à mão. “São construídos a partir de recortes de tecido, contornados com viés preto. Os bichos todos são feitos de aplicações. Todos construídos por pedaços”, define.

Questionado sobre a peça que mais lhe representa, Fernando declara que é a arara vermelha. “O meu trabalho nasceu comigo fazendo aves. Essa foi a primeira peça que eu costurei sozinho. Em um desfile eu revisitei essa peça, transformei-a em macacão. Para mim, as aves simbolizam a liberdade. A beleza da asa, das penas que transformei em franjas significa a liberdade, o voo. O ir e vir”, coloca ele. As respostas ao seu trabalho são inúmeras e vem de várias tribos. “O que me deixa mais feliz é que as pessoas sempre me agradecem. Está valendo a pena por isso”.

Frase

“Acho que a minha beleza é das minorias. Esta-mos vivendo um momento de catarse e acho que a mudança vai vir depois. A mulher negra e a transexualidade ainda sofrem. São poucos trabalhos. Lá fora, somos mais aceitas, e o mercado é bem menos preconcei-tuoso” (Camila Ribeiro Modelo manauara, em entrevista ao site Ego)

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