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VINHOS

A história do vinho francês considerado extinto por mais de um século e que reapareceu no Chile

Uva carménère, destruída por uma praga em Bordeaux, na França, no século XIX, fez o mercado chileno estourar 30/05/2017 às 15:33
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acritica.com

Exatos 128 anos depois que a casta de uva francesa carménère foi declarada extinta de sua região de origem, Bordeaux, no sudoeste do país europeu, o ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot a encontrou sendo catalogada por engano em uma vinícola em Valparaíso, no litoral do Chile. O vinho era vendido como se fosse produzido a partir da espécie "Merlot" de uva.

A descoberta de Boursiquot mudou o mercado mundial de vinhos, beneficiando diretamente a produção chilena. Como não havia mais registros de cultivo de carménère em nenhum outro lugar do mundo, a casta de uva se tornou um produto exclusivo do país sul-americano. “Foi um presente de Bordeaux para o Chile”, diz um artigo da Revista Vinitude, uma das mais importantes do ramo.

Anos depois, Boursiquot contaria como redescobriu a uva no litoral chileno. "Fui convidado para um simpósio no Chile e, durante uma das palestras, uma aluna minha questionou se eu queria visitar uma vinícola que ela costumava trabalhar. Ela tinha dito que eles produziam vinhos chardonnay, cabernet etc. Quando nós paramos nossos carros no local e ela me disse que aquela era a uva merlot, eu fiquei confuso", diz.

"Quando eu observei os estames e vi que eram um pouco torcidos, enquanto as outras variedades são mais retas, eu gritei: 'Isso é carménère!'. Foi a primeira vez que eu vi uma carménère numa vinha", completa.

Após estudos mais detalhados, a conclusão dos ampelógrafos é que, levada de alguma forma para o Chile, a uva carménère se adaptou bem ao clima frio e aos solos férteis aos pés da cordilheira dos Andes, principalmente no Vale do Colchagua.

Segundo revistas especializadas, ela só conseguiu ser cultivada na região porque manteve-se protegida por barreiras naturais – o Oceano Pacífico, o deserto do Atacama e as montanhas geladas.

“A carménère precisa de condições climáticas e geológicas específicas, um bom equilíbrio entre os dias de sol e chuva, solos profundos, dias quentes e noites frias. O Chile proporcionou isso”, completa o jornalista chileno especializado em vinhos, Ania Smolec.

O vinho carménère tem uma característica mais intensa: é concentrado, possui notas frutais e é mais estruturado do que o merlot, a casta com a qual havia sido confundida pelos cultivadores chilenos. A gastronomia o indica para acompanhar carnes vermelhas ou pratos que sejam feitos com molho de tomate.

O mercado brasileiro é um dos principais clientes da produção das vinícolas chilenas. Segundo o Wine Institute, responsável pela expansão da produção do país sul-americano para o mundo, 53% das garrafas importadas consumidas em solo tupiniquim são originárias das vinícolas do vizinho.

O Brasil é, ao lado dos Estados Unidos e da China, o maior importador de vinho chileno, mesmo consumindo uma quantidade inferior em relação ao feito na região Sul. “Nós queremos acostumar o paladar do brasileiro com os nossos vinhos, ao mesmo tempo em que mostramos como o consumo da bebida faz bem para a saúde”, afirmou Mario Pablo Silva, presidente do instituto, ao site do programa Globo Rural, da TV Globo.

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