Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Cultura Negra influencia músicos

A influência da cultura negra na produção musical manauara

Músicos destacam as influências da cultura negra em seus trabalhos



1.png Fela Kuti é um músico nigeriano, pioneiro no afrobeat e ativista político
07/05/2013 às 09:53

Assim como boa parte do Brasil, Manaus também possui uma forte ligação com a cultura negra, especialmente na seara musical. Neste sábado, um pouco dessa influência poderá ser conferida na Assinpa, que vai receber a quarta edição da festa “Batuque Mental”, uma iniciativa do Centro de Artes Livres Fela Kuti Espaço Sideral. O evento vai celebrar os 125 anos da Abolição da Escravatura, comemorada no dia 13 de maio, e um ano de atuação do projeto na cidade.

Segundo o produtor e administrador do Fela Kuti, Daniel Fredson, o centro de artes “itinerante” nasceu com a proposta de fomentar a cultura alternativa em Manaus, integrando os diferentes segmentos artísticos. “Inevitavelmente, demos visibilidade à cultura negra e à black music, sempre pautados pelo ativismo sociopolítico, afinal, é preciso pensar de forma crítica a nossa realidade”, explicou.

Desta vez, o “Batuque Mental” fará um tributo à banda Nação Zumbi, fundada por Chico Science e um dos expoentes do movimento manguebeat. Quem comanda o especial é a banda Cabocrioulo, que vai receber no palco os cantores Cileno, Clóvis Rodrigues (Os Tucumanus), Davi Escobar (Alaídenegão) e Tiago Pascarelli (João Pestana).

Além do DJ Alan do Gueto, a banda de reggae roots Linha Rasta também vai agitar a festa, que acontece no mesmo dia do aniversário de morte de Bob Marley. Outra atração será o grupo de cultura popular Tambor de Crioula, liderado pelo Mestre Castro, que mostrará todo o vigor da dança de origem africana, herança dos escravos maranhenses.

Quem faz

Nação Zumbi é, inclusive, uma das influências da cantora Elisa Maia, ex-vocalista da Johnny Jack Mesclado que está seguindo carreira solo há cinco anos. Uma demo do trabalho dela pode ser ouvida no site www.elisamaia.tnb.art.br.

“Hoje, meu som é muito particular. Apesar de eu achar que não faço black music, a música negra nacional e internacional tem muita influência no meu trabalho. Mas, se fosse para achar rótulos fáceis que identificassem meu trabalho, black music seria um deles”, declarou a amazonense, que bebe na fonte da música jamaicana, do soul americano e do samba rock de Jorge Ben Jor.

Para um dos integrantes do trio Ritmo e Poesia, Pedro do Vale, a cena do rap e do hip hop, duas fortes vertentes da black music contemporânea, também começam a ganhar cada vez mais adeptos.

“Com o rap aparecendo na MTV, a molecada nova está começando a se identificar com o estilo. Mas é preciso articulação, porque fazer esse som na nossa região ainda é difícil, não sabemos de onde tirar incentivo”, declarou. Não foi à toa que o grupo investiu na criação da Produtora Alternativa, uma das principais vitrines para os rappers da cidade.

Também formada por D Régis e Caio Angra, a Ritmo e Poesia aposta em uma mistura musical de rap e reggae, o ragga, com pitadas de regionalidade. Dentre as principais influências do grupo estão grandes poetas amazonenses e nomes nacionais como Rael da Rima, Criolo e Racionais MC’s.

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