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A linguagem clownesca e simbolismo no espetáculo 'Se Essa Rua Fosse Minha'

O monólogo do Grupo Baião de Dois será reapresentado em Manaus neste domingo (16), às 11h, no Teatro Amazonas, localizado no Largo São Sebastião, bairro Centro. A entrada é franca 14/06/2013 às 20:36
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Apresentação marca o retorno do espetáculo à capital amazonense
Laynna Feitoza Manaus, AM

Bacias, canecas, sacos e a simplicidade mesclada às reflexões expressas pela linguagem de um nariz de palhaço e de um cotidiano real emolduram o espetáculo teatral ‘Se Essa Rua Fosse Minha’, do Grupo Baião de Dois, a ser reapresentado em Manaus neste domingo (16), às 11h, no Teatro Amazonas, localizado no Largo São Sebastião, bairro Centro. A entrada é franca.

O Grupo Baião de Dois – composto pela atriz e diretora teatral Selma Bustamante – possui 17 anos de estrada e já circulou com o solo pelas cidades de Recife (PE), Campinas (SP) e Curitiba (PR) – esta última por meio do 22º Festival de Teatro de Curitiba, um dos mais tradicionais eventos de difusão das artes cênicas no país, que aconteceu no período de 26 de março e 7 de abril – .

Circulação

Sobre a última circulação, Selma avaliou que a experiência de trabalhar mais uma vez ‘fora’ de casa é, como sempre, edificante. O espetáculo participou da mostra Fringe, um sub-módulo do FTC que visa apresentações teatrais em espaços públicos da capital paranaense.

“Eu tive três apresentações uma diferente da outra no festival. A primeira apresentação que fiz caiu numa sexta de manhã, e achávamos que não iríamos ter público. Levaram alunos do ensino médio de uma escola local para assistir, havia quase 200 pessoas, e foi muito gostosa a relação entre a peça e a plateia”, assegurou Selma.

Tal interação entre o espetáculo e o público se dá porque a montagem se utiliza de um ‘diálogo sem palavras’, segundo Bustamante. Tanto na mostra Fringe quanto nas praças manauaras, por exemplo, o próprio público é quem se encarrega de entoar verbo ao espetáculo. “Eu sou muda na peça. Isso propicia espaço às pessoas na rua. Elas têm uma liberdade maior para se colocar, pelo fato de eu não falar. Se deve porque não faço nada fechado, faço as coisas para o público”, justificou a atriz.

Modificações

Com a circulação, a produção teatral ganhou algumas modificações no fim do espetáculo. O ‘Se Essa Rua Fosse Minha’ é regido por simbolismo e pela linguagem clownesca: na história original, a personagem principal – e única – é a palhaça Kandura, que ganha vida por meio  da interpretação de Selma. Conforme a atriz, a história reproduz o cotidiano da mulher, com as suas respectivas mudanças e sensações sobre a vida com o passar do tempo. A produção não contém mímica e só possui uma música no final.

“No início ele é mais leve, até engraçado. Do meio para o fim, a personagem entra na própria história, e propõe reflexões sobre o passado, sobre a vida, o que depende muito de como a pessoa estiver olhando para a peça. Há um momento em que a Kandura se prepara para um casamento que não acontece porque não existe noivo”, explicou Selma.

Sobre as modificações realizadas, Selma afirma o retorno de uma cena que já fazia em versões anteriores da montagem. “No fim do espetáculo, a velha Kandura tinha uma cena em que tirava corações do peito e os dava ao público. Eu vou unir essa questão dos corações com a questão do sentido de ‘tecer’ algo. Como eu faço as reações de maneira aberta, ainda mais na rua, eu sinto que vou tecendo as minhas relações no meu contato com o público. O espetáculo tem um roteiro só dele, mas os seus tempos vão se criando no contato com o público”, ressaltou a artista.

Símbolos e simplicidade

O monólogo possui sua cenografia centrada em símbolos e simplicidade, de acordo com Selma. “O cenário trabalha com coisas do cotidiano. Quando eu o apresento em locais fechado, adiciono uma árvore além das bacias, canecas e sacos existentes no lugar da Kandura”, pontuou Bustamante.

A produção teatral possui dois prêmios em seu currículo: o primeiro, como um dos melhores espetáculos do 9º Festival de Teatro da Amazônia, e o segundo, como melhor atriz, na mesma edição do festival. Selma Bustamante possui mais de 30 anos de carreira artística e é atriz, produtora, diretora e professora de artes cênicas, formada em Teatro pela Universidade de São Paulo (USP).

O fim do ‘Se Essa Rua Fosse Minha’ oferece uma leitura aberta, fazendo com que as pessoas tenham interpretações diferentes. “É um espetáculo cíclico, onde termina e remete à sensação de que a vida dela continua”, concluiu Selma.

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