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“A mais pura verdade”: drama com ares de lição de vida

O livro de estreia do escritor norte-americano Dan Gemeinhart é sobre a fuga de Mark, um garoto que decide partir para a aventura de sua vida levando consigo apenas o seu cachorro, uma máquina fotográfica, seus remédios e um caderno em que ele anota detalhes de sua jornada em forma de haicai 25/06/2015 às 21:06
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“A mais pura verdade” é o livro de estreia do escritor norte-americano Dan Gemeinhart
Luiz Guilherme Melo Manaus (AM)

Não é segredo que os best-sellers vivem de ondas. Há algum tempo a onda do momento são os protagonistas com alguma doença grave que, só por esse detalhe, já são fortes candidatos a levarem os leitores às lágrimas. É nessa última que se encaixa “A mais pura verdade” (Novo Conceito, 224 páginas, R$ 29,90), livro de estreia do escritor norte-americano Dan Gemeinhart sobre a fuga de Mark, um garoto que decide partir para a aventura de sua vida levando consigo apenas o seu cachorro, uma máquina fotográfica, seus remédios e um caderno em que ele anota detalhes de sua jornada em forma de haicai.

A narrativa é dividida em dois pontos de vista. No primeiro, o próprio Mark narra o passo a passo da sua viagem, os obstáculos e as limitações impostas pela sua doença; o segundo, em terceira pessoa, nos informa o drama dos seus pais e da sua melhor amiga, Jessie, assim como os esforços policiais para encontrá-lo - sendo que os relatos intercalados estão mais para uma necessidade de informar o leitor do que para uma ousadia literária. Tudo desfiado numa linguagem apressada, sem rodeios nem sutilezas – bem mastigadinho, de modo que não dará dor de cabeça a roteiristas, caso haja uma adaptação para o cinema ou para a TV.

Na falta de um casal rumo a uma separação trágica, já que os personagens principais são apresentados como quase irmãos, o que move a história é a urgência do garoto em realizar o sonho antigo de escalar uma montanha. Sendo assim, se não temos nenhuma “tragédia shakespeariana”, temos a “fuga de casa”, fruto de um desejo infantil de independência precoce explorado em tantas outras tramas, que em “A mais pura verdade” ganha ares de lição de vida. Em parte reforçada pelos personagens unidimensionais que Mark vai encontrando pelo caminho que só estão ali para, no máximo, compartilhar um aprendizado.

O humor é praticamente inexistente; e os momentos dramáticos falham a partir do momento em que as agruras que Mark enfrenta pelo caminho são superadas com certa facilidade (de forma que podem até incomodar os leitores mais objetivos). Uma pena, pois mesmo tendo uma daquelas premissas capazes de fisgar a atenção em uma breve leitura (boa parcela deve ser creditada à diagramação caprichada), “A mais pura verdade” até teria todos os ingredientes para cativar o leitor, porém é uma história apressada permeada de diálogos expositivos, em que o autor, forçando a mão em algumas passagens, parece estar por trás das páginas nos encarando com grandes olhos lacrimejantes tentando nos comover.

No final das contas, nem “ninjas cortadores de cebola” conseguem nos convencer a abraçar essa narrativa.

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