Domingo, 21 de Julho de 2019
Vida

'A maldade faz parte do ser humano e nada tem a ver com distúrbio mental', diz psicóloga

Beatriz Breves lança o livro 'Maldade Humana: Como detonar uma pessoa no Facebook', um relato sobre o cyberbullying sofrido pela própria autora



1.jpg A prática de violência nas redes sociais vem seguida, na maioria dos casos, por um jogo de manipulação cujas peças são pessoas, diz psicóloga
08/05/2015 às 20:57

Com o aumento da exposição provocada pelas redes sociais, como o Facebook, por exemplo, é notável o aparecimento de haters (aborrecedores, em tradução livre), que são indivíduos movidos pela prática da violência nas redes sociais, tornando a internet um território propício à pratica do cyberbullying.

Recentemente, três mulheres amazonenses foram condenadas pela Justiça Federal depois de denúncia do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM). Ambas foram denunciadas após uma série de comentários racistas contra o Estado da Bahia, os baianos, a música regional do Estado e a cantora baiana Ivete Sangalo. Uma delas era, inclusive, psicóloga.

Pensando na atuação destas pessoas, a psicanalista, fundadora e presidente da Sociedade da Ciência do Sentir, Beatriz Breves, em parceria da também psicanalista Virgínia Sampaio resolveram criar o livro “A Maldade Humana – Como detonar uma pessoa no Facebook”. No livro, Beatriz Breves relata em detalhes a agressão virtual que sofreu por uma série de pessoas após a divulgação de uma falsa notícia a seu respeito.

No entanto, o enfoque do livro não trata apenas sobre a questão jurídica e sim, sobre a dignidade humana. Até onde a maldade de um ser humano pode acabar com a reputação de outro? Até onde a maldade de alguém pode, através de postagens nas redes sociais, levar o outro à morte?

O livro e história

Uma pessoa postou em sua página no Facebook que, Beatriz Breves, uma das autoras, que possui 16 gatos e 1 cachorro, teria pisoteado uma gata cega e idosa, enquanto era aninhada por uma senhora no play do condomínio onde reside. Postagem mentirosa, o caso foi parar no JECRIM, que propôs transação penal – o pagamento de R$ 1.000,00 para uma instituição animal, o que foi aceito pela pessoa.

Diante do acontecido, Beatriz Breves e Virginia Sampaio, ambas psicólogas, verificaram em jornais, e na própria internet, diversos casos semelhantes com adolescentes, artistas, políticos, etc. vítimas de trolls, haters e cyberbulying. Esta constatação levou as duas a narrar e a analisar o acontecido, a título de contribuição para alertar as pessoas sobre o que vem ocorrendo nas redes sociais.

O livro narra toda a história ocorrida, apresentando desde a perplexidade da notícia, a sensação de se sentir em meio a uma arena sendo devorada pelos leões, o sofrimento pela angústia, o queimar pela raiva, a dor pelo medo, etc. Discute a maldade humana e suas possibilidades. E, por fim, apresenta, baseado na experiência de Beatriz, como se dever reagir diante de trolls, haters e cyberbullying. O livro está em fase de lançamento nacional e pode ser adquirido em versão física e digital.

Duas perguntas para Beatriz Breves:

1 - Quais os riscos que o cyberbullying pode ocasionar quando praticado?

A prática de violência nas redes sociais vem seguida, na maioria dos casos, pela prática de haters - pessoas que vão para a internet só para odiar - e pela regra do jogo da trollagem, um jogo de manipulação cujas peças são pessoas.

O cyberbullying torna-se uma experiência mais cruel do que o bullying porque os ataques vão além da escola, deixando o adolescente muito mais vulnerável e impotente diante dos ataques e, na maioria das vezes, do anonimato de seu agressor.

2 - O sujeito que pratica, geralmente pode ser caracterizado com algum distúrbio mental ?

A maldade faz parte do ser humano e nada tem a ver com distúrbio mental. As pessoas que postaram denegrindo, desejando o linchamento e a morte minha, eram pessoas produtivas, trabalhadores, estudantes, enfim, pessoas lúcidas e capazes.

Não há duvidas de que eram pessoas que possuíam o livre arbítrio para investirem ou não naquela maldade. Mesmo a pessoa que postou a história mentirosa é uma pessoa lúcida, capaz, que tem um trabalho promissor de classe média e tem uma família. Ele o fez por razões pessoais, por não gostar de mim enquanto havia sido síndica do Condomínio.

Serviço:



“A Maldade Humana – como detonar alguém no Facebook” (Editora Mauad X)

Formato: 14 x 21

Páginas: 104

Preço: R$ 24,90

Preço do e-book (versão digital em português e inglês) -  R$ 17,90, no site da Livraria Saraiva

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