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A melhor chef da América Latina é brasileira: Roberta Sudbrack

À frente do restaurante que leva seu nome no RJ, Sudbrack já cozinhou para presidentes, reis e príncipes. Em entrevista, ela fala da sua cozinha e da paixão pelos sabores brasileiros 30/08/2015 às 11:38
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A chef brinda ao prêmio concedido pela Veuve Clicquot
Loyana Camelo Manaus (AM)

A taça de champagne da foto principal da matéria sugere um brinde que Roberta Sudbrack hoje pode fazer com muito orgulho. Graças a sua cozinha carregada de emoção, arte, pesquisa, do clássico e o moderno, do popular e do erudito, ela conquistou o Prêmio de  Melhor Chef Mulher da América Latina na semana passada e deixou todo um continente também orgulhoso. 

Mas não pense que a magnitude do título a faz se sentir digna de um pedestal alto o suficiente para lhe afastar da humildade – pelo contrário. “É como uma parada para tomar um gole de água fresca, revigorante, mas que só mostra que ainda temos muito chão para lavar”, disse, em entrevista ao VIDA & ESTILO.

Desde 2008, Roberta comanda no Rio de Janeiro o restaurante que leva o seu nome e constantemente figura entre os primeiros da lista dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina. Sua gastronomia é considerada, por muitos, quase uma arte. E não é à toa: a própria chef a incorpora na sua forma de cozinhar quando se inspira não só em cozinhas de outros países, como também em mercados locais, feiras, supermercados, pessoas, balés, exposições, músicas e, acima de tudo,  livros – sejam de cozinha, arte ou poesia.

“Encaro assim a culinária: como parte das experiências humanas e, como tal, ela se aproxima das demais artes. Todas elas se voltam para instigar os sentidos e provocar sensações emocionais nas pessoas, então me utilizo das técnicas, da biblioteca de sabores que trago das minhas referências culinárias ou não e, da emoção, na mesma medida, para realizar a minha cozinha”, afirma a chef.

Ela classifica sua cozinha como de essência, artesanal do inicio ao fim. Para isso, a chef e sua equipe trabalham em um minucioso processo com olhos bem abertos a cada detalhe, dispensando máquinas ou equipamentos modernos. 

“Tudo o que é servido no restaurante é feito por nós, do pão à massa que servimos. Além disso, fogo tem uma importância imensa na minha cozinha. Cozinhamos muito com o fogo, tentando sempre manter a humildade para entendê-lo e domá-lo para alcançar nossos objetivos sem que ele deixe de expressar toda a sua força”, diz.

Sabor brasileiro

O título de Melhor Chef Mulher da América Latina (ainda que frise uma desnecessária separação de gêneros) é suntuoso. E Roberta Sudbrack consegue entender a conquista de um ponto de vista abrangente. Salienta enxergá-la  como um ganho também da equipe, dos seus clientes, da sua cidade e do seu País. Mas a chef lida bem com pressão: ela já comandou a cozinha do Palácio do Alvorada no mandato de Fernando Henrique Cardoso. Na época, cozinhou para o presidente e para visitantes estrangeiros, reis, rainhas, príncipes.

Em cada prato servido, ela não perdia a oportunidade de mostrar para eles a riqueza dos sabores brasileiros. Fã de maxixe, chuchu, banana, mandioca, cará, fruta pão, e principalmente de quiabo. “A minha grande fonte de inspiração são esses ingredientes do dia a dia do brasileiro, aqueles que estão ali nas casas mais simples cotidianamente, displicentemente sobre a mesa”, frisa a chef.  “Este ano, estou estudando o repolho, tema da minha coleção 2015”.

Sempre atual

De olho nas novas tendências do mercado de gastronomia, sem perder a essência da sua cozinha, Roberta Sudbrack aderiu no início deste ano ao foodtruck. No batizado como “Sudtruck”, a chef vende seu famoso cachorro-quente, comida que fez parte do começo da sua  carreira há 20 anos atrás. Sim, o começo não foi nada glamoroso. “Vendia cachorro-quente numa carrocinha em Brasília”, relembra. 

E a profissão de chef continua sendo encarada por ela sem deslumbramento. É assim que a melhor da América Latina recomenda para todos que desejam trilhar o mesmo caminho. “É um trabalho muito duro, muitas horas a fio em pé, sob altas temperaturas, é muito extenuante. Não é este conto de fadas que pintam hoje em dia. Só muito amor de dedicação”.

Sobre o prêmio

Na noite de 23 de setembro, Roberta Sudbrack será presenteada com o prêmio como parte da celebração que também revelará a lista dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina e, entre outros prêmios individuais. A Veuve Clicquot Champagne House é reconhecida por apoiar mulheres inovadoras que integram a linha de frente de suas profissões.

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