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A nostalgia do CD: um candidato a status de relíquia

Hoje, com os CD’s, a história se repete: a produção arrefeceu, mas não os ânimos de uma geração que aprendeu a amar os compactos espelhados. E que não pretende se desfazer deles tão cedo 15/07/2013 às 16:24
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O empresário Álvaro José exibe orgulhoso coleção de mais de mil discos e diz não acreditar no fim da era do CD
Felipe de Paula Manaus, AM

No princípio era o vinil. À medida em que eles foram deixando de ser produzidos, o sentimento de nostalgia e veneração aos “bolachões” já se instalava no coração dos amantes da música. Hoje, com os CD’s, a história se repete: a produção arrefeceu, mas não os ânimos de uma geração que aprendeu a amar os compactos espelhados. E que não pretende se desfazer deles tão cedo. Afinal, o que hoje é um formato quase obsoleto, mais do que isso, é um candidato em potencial ao status de relíquia.

E é com esse sentimento de preservação do passado que o professor universitário Jorge Bandeira cultiva com carinho uma coleção de cerca de 1,5 mil álbuns originais em formato de CD. Desde o ano passado, ele decidiu comercializar parte dessa coleção em sua loja, o sebo “O Alienígena” (Rua Lima Bacuri, 64, Centro). Entre os gêneros, muito jazz, blues, indie, rock - música alternativa, erudita e tradicional.

Os preços variam entre R$ 10 e R$ 60 reais. Mas os valores estão diretamente relacionados com a dificuldade de encontrar o álbum. “Temos a edição especial do álbum ‘Volta’, da Björk, uma coleção completa de “The Smiths” e um clássico álbum de Lou Reed ao vivo na Itália”, destaca Jorge, que vê na materialidade do disco mais um movito para a apreciação. “O CD é uma coisa mais sensorial, mais palpável. Os sentidos se aguçam mais com a coisa física”, destaca.



Já o jornalista Mário Freire conta que demorou a se acostumar com os CD’s. Mas com o fim da produção de LP’s, ele acabou se rendendo ao formato de mídia e hoje tem pelo menos 500 discos em seu acervo pessoal, que humildemente evita chamar de coleção. “Fui comprando até chegar nesse ponto, não chega a ser uma coleção”, diz ele, para quem o CD “está ficando nostálgico”. “Eu mesmo passei grande parte das músicas para o iPod”, confessa.

Qualidade do som

Questionado sobre qual seria os méritos da era pós-vinil, Mario diz, a princípio, que não vê muita vantagem, já que, para ele, o formato é obsoleto. Contudo, ele admite que o tamanho compacto facilita o armazenamento dos discos e ainda lança luz sobre uma questão que divide opiniões: a qualidade do som no CD e no vinil.

“Não sou dos nostálgicos que acham o chiado do vinil legal. O CD possibilitou isso, uma limpeza maior no áudio. Discos que foram lançados em vinil, depois remasterizados e lançados em CD – como os do Milton Nascimento – tiveram qualidade de som bem superior”, avalia.

Quem também defende a qualidade dos compactos é o empresário Álvaro José, proprietário do bar Galvez. Ele conta que nunca teve resistência ao formato reduzido, tanto que chegou a comprar alguns CD’s mesmo antes de adquirir o aparelho para reproduzi-los. “Vi um promoção de discos de música clássica”, justifica, revelando ímpeto consumista quando assusto é música.

Com um acervo pessoal de mais de mil discos, Álvaro acredita que não deve acabar tão cedo. “O CD veio pra ficar”, diz ele, ressaltando os aspectos que justificariam sua tese da perenidade do CD.

“Você pode levar pra qualquer lugar sem dificuldade, pode ouvir no carro... E essa coisa de dizer que o som do CD não é bom, pra mim não te nada a ver”, afirma ele, ressaltando ainda um último aspecto - a materialidade dos discos, muito para além da arte de capa, traz a ficha técnica dos álbuns, valorizando o trabalho dos artistas.

Frágil

A palavra cuidado deveria vir junto ao encarte dos discos. A fragilidade talvez seja o ponto baixo deste formato de mídia. Além da óbvia atenção no manuseio, uma dica se faz importante: quem possui muitos discos deve ter cuidado de não empilhá-los sem um suporte adequado. Caso contrário, os últimos discos da pilha, devido ao peso, tendem a arranhar.

Pontos

1 - Como vantagens dos CD’s, os entrevistados pela reportagem listaram uma série de aspectos: a materialidade dos discos por si só, com encartes artísticos, letra da músicas e ficha técnica da produção.

2 - O colecionador Jorge Bandeira acredita que o vinil e CD são mídias “quentes”, que propiciam uma interação entre os ou vintes, ao contrário das “mídias frias”, que em geral se limitam à audição solitária.

3 - Embora alguns adorem o chiado do vinil, a qualidade do som evoluiu com o advento do CD, assim como a facilidade de reprodução.

4 - O tamanho reduzido é mais fácil de transportar, guardar e permite a audição dentro do carro

Serviço

onde: CD’s originais antigos em bom estado
onde: “O Alienígena”. Lima Bacuri, 64, Centro
onde: Lançamentos de CD’sonde Disco Laseronde Av. Sete de Setembro, 855, Centro

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