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DE VOLTA AS PRATELEIRAS

A volta do vinil: Discos retornam e se consolidam no mercado entre colecionadores

Criados na década de 1940, os famosos "bolachões" eram principal forma de artistas comercializarem música. Após quase trinta anos, vendas aumentam significativamente no mundo todo 23/07/2017 às 06:38
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Sebo 'O Alienígena' é um dos principais pontos de encontro entre os aficionados pelos discos. Local possui acervo com 25 mil unidades (Divulgação)
Juan Gabriel Manaus (AM)

Se você nasceu entre as décadas de 1940 e 1980 deve se lembrar de como eram comercializadas as músicas de artistas na época. Os discos de vinil, originalmente chamados LP (abreviação de  long playing record), fizeram parte da história da indústria fonográfica e de gerações ao redor do mundo. Ou melhor, ainda fazem. Após perder espaço nas prateleiras do consumidor para os CDs, no início dos anos 1990, a peça volta com força total nos últimos anos, acumulando entusiastas e colecionadores que não abrem mão de ouvir suas canções favoritas no bom e velho “bolachão”, como também são conhecidos.

A demanda pelo formato aumentou expressivamente em escala global nos últimos sete anos. Para se ter uma ideia, as vendas de vinil no Japão em 2016 chegaram ao número de 800 mil unidades, oito vezes mais que o registrado em 2010. Nos Estados Unidos, o número atingiu a casa dos 17,2 milhões de discos vendidos e no Reino Unido o entusiasmo fez com que as vendas de vinil ultrapassassem as de músicas em formatos digitais. O número fez com que a gigante Sony retomasse a fabricação dos discos após quase 30 anos.

Em Manaus, há quem diga que o vinil nunca saiu de moda. O DJ Marcos Tubarão é um dos aficionados pela peça, que utiliza para discotecar desde o início da carreira, no final dos anos 1980. “Comecei a utilizar o vinil porque era a plataforma que tinha no início dos anos 90. Eu acredito que ele nunca saiu de cena. Agora tem uma projeção maior com o final do CD, fez com que ele tenha aparecido mais, as fábricas estão voltando”, conta o DJ.

Em sua coleção pessoal, mais de 30 mil exemplares dos mais variados gêneros. Ainda assim, a lista tende a aumentar. “Na minha lista dos que estão prestes a chegar tem o ‘Espiral de Ilusão’, novo do Criolo, e ‘A Mulher do Fim do Mundo’, da Elza Soares. Ambos são discos atuais” revela Tubarão.

Mas em uma geração criada em meio a serviços musicais de streamings e MP4, o que justifica tamanha popularidade de um item tido como ultrapassado? “No meu caso é por que eu trabalho com ele. O vinil tem mais qualidade. Uma coisa é você ouvir um som no carro, com os amigos, outra é você oferecer um som para o público. É preciso qualidade. Tem a questão também de ter um disco físico, ter aquele contato diferente do que aquilo de se ter só na Internet. A qualidade, ficha técnica, tudo isso vem presente”, justifica o DJ.

DJ Marcos Tubarão segue utilizando discos de vinil para discotecar em festas (Divulgação)

Onde encontrar

Ponto de encontro entre os amantes de vinil na capital amazonense, O Alienígena é um sebo localizado na Rua Lima Bacuri, Centro. O local, que funciona de segunda a sexta das 12h às 18h30, abriga cerca de 25 mil discos e é responsável por movimentar parte da cena colecionadora na cidade. Jorge Bandeira, um dos proprietários da loja, conta que a procura pelo vinil aumentou entre pessoas de todas as cidades. “(A procura) tem sido muito boa, muitos colecionadores, jovens, é algo que tem crescido em Manaus e também conta com muita gente de fora que procura os discos”, explica Jorge.

Para ele, esse aumento no fluxo de clientes da loja em busca de raridades é reflexo não só da qualidade sonora peculiar do vinil, mas também do conteúdo musical atualmente no País. “Significa que as pessoas estão buscando músicas de qualidade, a música tá caindo. As pessoas buscam, além da qualidade do sistema analógico, artistas que possuam um conteúdo melhor e mais relevante do que o que se tem no mercado hoje em dia”, finaliza o proprietário.

Feira

No próximo domingo,30, acontece no Ao Mirante Music Bar (Av. Pe Agostinho C. Martins, São Raimundo) a primeira Feira de Vinil organizada pelo grupo Clube do Vinil Manaus. O evento tem entrada franca e acontece das 16h às 22h com trocas de discos, livros e música.

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