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Abertas inscrições para o Rumos Itaú Cultural 2015-2016

As novas diretrizes do programa de incentivo à produção artística foram divulgadas na última segunda-feira (31) em São Paulo 31/08/2015 às 17:40
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A coletiva de imprensa realizada na cidade de São Paulo, na última segunda-feira (31), para explicar as novas diretrizes do projeto
ROSIEL MENDONÇA* São Paulo

SÃO PAULO - Desta terça-feira (1°) até o dia 6 de novembro, artistas, pesquisadores e agentes culturais poderão inscrever suas ideias na 17ª edição do Rumos Itaú Cultural, programa criado para fomentar a produção artística brasileira.

O edital 2015-2016 foi apresentado à imprensa nesta segunda-feira (31), em São Paulo, e segue o formato introduzido em 2013, que aboliu a divisão dos projetos por categorias como teatro e dança e desburocratizou o processo de inscrição e desenvolvimento das propostas.

Sem impor restrições de tema, linguagem, estilo ou suporte, o edital apresenta algumas novidades. Uma delas é o fim do limite de orçamento, que antes não podia passar de R$ 400 mil por projeto. Outra novidade é a possibilidade de inscrição em um ou mais dos três grandes campos: documentação, pesquisa ou criação e desenvolvimento.

Os critérios de seleção continuam sendo a singularidade, relevância e consistência das propostas, que devem ser executadas em até 36 meses.

O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, acredita que o Rumos hoje é um contraponto entre as formas de apoio à cultura no País. “Os editais tomaram uma dimensão importante ao cumprir o papel republicano de fomento, mas construíram um diálogo viciado entre produtores e instituições na medida em que o artista tem que encaixar seu projeto em um formato”.

“Ficou claro para nós que um programa com a história do Rumos e seus 18 anos de atuação precisava efetivamente assumir riscos para se colocar em linha com a produção contemporânea, que não cabe nos editais estanques”, completou Saron.

Ele atribui o recorde no número de inscritos no último edital diretamente à transformação do programa em uma plataforma aberta. Nos anos anteriores, esse número não chegava a 3 mil, enquanto em 2013 o Rumos recebeu mais de 15 mil inscrições – 30% dos proponentes também declararam nunca ter participado de editais.

Regionalização

Na edição 2013-2014, o Rumos contemplou 100 projetos brasileiros, sendo 5 da região Norte e apenas um do Amazonas. O número é baixo frente às 589 propostas do Norte inscritas (115 só do Amazonas). Para efeito de comparação, três estados do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) foram responsáveis por mais da metade dos projetos aprovados.

Diante disso, Saron destacou como o Itaú Cultural vem trabalhando as disparidades regionais e a concentração dos fomentos no eixo Rio-São Paulo, temas que têm norteado as discussões em torno da reformulação de políticas públicas como a Lei Rouanet, por exemplo.

“Ano a ano a gente busca ter uma comissão de seleção nacional, com pessoas de todas as regiões. Essa talvez seja uma forma de colocar luz no aspecto geográfico e esperamos que cada curador também seja militante da sua região, olhando com mais cuidado e provocação os projetos. Mas posso afirmar que o percentual e o perfil dos selecionados tem acompanhado ou estado muito próximo do percentual de inscritos”. Este ano, o Norte estará representado na curadoria pela presidente da Fundação de Cultura do Acre, a atriz e produtora Karla Martins.

Para divulgar o Rumos 2015-2016 junto à classe artística e aos públicos de interesse do programa, uma equipe do Itaú Cultural também percorrerá todas as regiões do País na “Caminhada Rumos”, que passará pelas 27 capitais. Em Manaus, o encontro acontece no dia 16 de setembro, em horário e local ainda a ser definido.

Projetos contemplados

Na edição passada, o Rumos Itaú Cultural contemplou o projeto amazonense “Casarão de Ideias: um lugar para todas as artes”, realizado entre junho de 2014 e junho de 2015.

Do AMO “Casarão de Ideias: um lugar para todas as artes” já foi contemplado

A proposta teve o objetivo de dar suporte à manutenção das atividades artísticas realizadas ao longo dos últimos quatro anos pelo Casarão de Ideias, capitaneado por João Fernandes. Entre as atividades destacam-se: o Festival Mova-se, o projeto Cênicas Autorais, a intervenção “Lugares que o dia não me deixa ver” e a publicação da revista Idéias Editadas.

O edital também patrocinou o desenvolvimento do game “Huni Kuin: os caminhos da jiboia”, que participa da Mostra Rumos, em exibição na sede do Itaú Cultural. O projeto do paulista Guilherme Pinho Meneses aborda a cultura do povo indígena Kaxinawá, do Acre, que possibilita o intercâmbio de conhecimentos e memórias indígenas por meio de um jogo eletrônico. O mesmo povo foi protagonista do projeto “Uma Shubu Hiwea – Livro Escola Viva”, do Rio de Janeiro.

* O repórter viajou a convite do Itaú Cultural

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