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Acervo amazônico ganha exposição batizada de ‘Pororoca’ no Rio de Janeiro

Quatro artistas amazonenses foram selecionados para levar seu talento para a mostra que abre nesta terça-feira (9) no Museu de Arte da cidade maravilhosa 09/09/2014 às 10:28
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“Branca”, da série Nazaré do Mocajuba, do artista Alexandre Serqueira, estará exposta
Loyana Camelo ---

Fenômeno natural da Amazônia, a pororoca é a onda formada pelo encontro das águas do mar com as do rio. Um movimento um tanto parecido é provocado quando artistas amazônidas levam o seu talento para terras litorâneas no intuito de mostrar como enxergam sua região. Este é o intuito da exposição batizada de “Pororoca - A Amazônia no MAR”, que abre hoje no Museu de Arte do Rio de Janeiro, onde o público carioca poderá conferir, até o dia 23 de novembro, o extenso acervo de arte amazônida ali agregado.

Por volta de uma centena de artistas estão representados em “Pororoca”, a maioria conterrâneos da região amazônica. Estarão presentes nomes como Ismael Nery, Quirino Campofiorito, Osmar Dillon, Aluisio Carvão, Bené Fonteles, e também de viajantes entusiastas de nossa terra, como Wiegandt, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Cildo Meireles, Milton Gurán, Valdir Cruz, Adriana Varejão, Arthur Omar, Oriana Duarte e outros. Representando especificamente o Amazonas, estarão Sérgio Cardoso, Otoni Mesquita, Roberto Evangelista e Rodrigo Braga. A curadoria ficou a cargo de Paulo Herkenhoff, que há mais de 30 anos realiza um trabalho contínuo ligado à Amazônia.

Intervencionista


“Pororoca” não segue uma ordem cronológica, mas preocupa-se em abordar as mais variadas perspectivas criativas acerca da região. Uma destas é a de Rodrigo Braga, nascido no Amazonas, mas com formação artística em Pernambuco. O artista recentemente expôs “Agricultura da imagem” no Sesc Belenzinho (SP), e duas das obras ali inclusas foram selecionadas para a expo carioca - a fotografia “Campo de Espera” e o vídeo “Mentira Repetida” . Ambas trazem consigo a postura pouco tradicional de Braga.

“Minhas imagens são todas construídas, eu não vou a campo e registro o que estou vendo. Geralmente faço alguma intervenção - vou lá e defino algo”, afirma. Em “Campo de Espera”, ele amarrou nove tucunarés a uma árvore e deixou-os lá para apodrecer. “Quando eles apodrecem, chamam os urubus que estão próximas à região de Novo Airão. Os urubus vêm e ficam sobrevoando, tentando alcançar os peixes. Dá um resultado bem surrealista”, disse Braga, expicando também o título da fotografia.

Já o vídeo “Mentira Repetida”, de cinco minutos de duração, mostra o artista gritando, sozinho, nas Ilhas Anavilhanas. O ambiente florestal serve de pano de fundo para a ideia de Braga de retratar o grito como uma mentira dita várias vezes, que como diria o ditado, se torna verdade.

Mandalas amazônicas

Otoni Mesquita leva para “Pororoca” a obra “Oferenda da Floresta”, que há pouco o público amazonense pôde prestigiar na mostra “Amazônia, Ciclos de Modernidade”, no Palácio da Justiça. Composta por sementes de seringueiras e inajás, a ideia é resgatar a importância do ciclo da borracha para a Amazônia.

“É uma exposição bem grande e interessante. Dialoga muito com a questão da ‘Pororoca’, mas também retrata a Amazônia vista por diferentes perspectivas”, diz o artista.

Denúncia social

Já Sérgio Cardoso preparou exclusivamente para a exposição carioca a sequência fotográfica “Black River Fast Food”, um instigante registro de quatro movimentos de trabalhadores comendo à beira do rio. Segundo o autor, trata-se de uma denúncia social que ele, na condição de artista, sente-se na obrigação de fazer.

“Minha arte tem compromisso social. Através desse registro documental, quero fazer uma denúncia de uma situação de abandono, de alijamento”, contou ele. As fotografias sobre papel, de tamanho 44x33, foram feitas com máquina analógica e com filme vencido - propositalmente.

Roberto Evangelista completa o time de amazonenses convidados para a “Pororoca”, levando sua famosa instalação flutuante “Mater Dolorosa in Memoriam II”. Em breve, o acervo amazônida do Museu de Arte do Rio de Janeiro deve se expandir para contemplar a arte de todos os países amazônicos.

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