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PAIS & FILHOS

Adolescência: como lidar com transformação

Em novo livro,“Da metamorfose aos sonhos”, escritora Anna Claudia Ramos aborda desafios e questionamentos 03/07/2017 às 11:00
Show elias  anna e layla
Escritora Anna Claudia Ramos, ao lado dos filhos Elias, 28, — que inspirou o livro — e Layla, 22
Natália Caplan São Paulo

Interrogações sobre a vida, em meio às reflexões, desafios e peculiaridades da existência. Tudo para descobrir seu lugar no mundo, em busca de autoaceitação em meio à transformação da adolescência. Parece até complexo, mas é justamente para simplificar esse mar de questionamentos típicos desta época que Anna Claudia Ramos se inspirou no filho Elias, 28, para escrever “De metamorfoses e de sonhos”.

“O texto faz uma intertextualidade com outros livros e filmes, trazendo reflexões sobre o que ganhamos e perdemos na vida em todos os momentos”, ao revelar o drama do protagonista. “Igor queria emagrecer, achando que tudo se resolveria, mas aos poucos ele vai descobrir que não é bem assim a história. A vida é cheia de surpresas. Creio que as surpresas que o texto apresenta vão impactar os leitores”, diz a escritora.

Para a especialista em literatura infantil e juvenil, também mãe de Layla, 22, extremismos podem prejudicar essa transição da infância à idade adulta. E não basta dizer “sim” ou “não” para lidar com adolescentes, afirma. É necessário conversar, entender e conhecer cada um deles, de maneira individual; e educá-los na busca pelo autoconhecimento, “dentro de suas potencialidades e limitações”.

“Pais severos demais correm o risco de criar filhos mentirosos. Pais permissivos demais podem criar filhos sem limites. Virei mãe, mas nunca esqueci de que um dia fui filha e jovem. Se os filhos não acham espaço em casa para conversar e ser aceitos, vão buscar isso na rua”, enfatiza. “Fui muito criticada, porque sempre conversei muito com meus filhos, sem restrição de temas. Hoje, vejo que valeu à pena. Cresceram sabendo buscar seus caminhos”, completa.

Sonhos

Ainda de acordo com Claudia, mestre em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as famílias precisam aprender que os filhos não podem ser moldados, mas têm sonhos particulares. Por isso, “De metamorfoses e de sonhos” também foi escrito para pais e educadores receberem uma nova perspectiva, relembrando que também foram jovens sonhadores.

“Filhos precisam de asas e raízes para ser felizes. Mas meus filhos não são meus projetos de vida. Eles têm vida própria, sonhos que são só deles, que precisam ser vividos. Quero que meus filhos sejam pessoas de bem e tenham coragem para realizar seus sonhos”, declara a autora. “Outro ponto importante na relação com meus filhos foi o fato de eu ser verdadeira com eles. Afinal, que mãe seria eu se desistisse dos meus sonhos?”, finaliza.

Descobertas em ‘jogo’

Em “De metamorfoses e de sonhos”, Igor pinta um tabuleiro de xadrez e cria um jogo chamado “eu e eu mesmo”, no qual mata simbolicamente o Igor gordinho para que um Igor magrinho possa nascer totalmente renovado. Ele dialoga em pensamento com o protagonista do filme “O Sétimo Selo”. É preciso ler o livro para descobrir todos os pormenores sobre vida e morte, sobretudo, as mortes simbólicas que Igor irá vivenciar.

Currículo: Anna Claudia Ramos é escritora, professora de oficinas literárias, graduada em Letras, pela PUC-Rio, e mestre em Ciência da Literatura pela UFRJ. Viaja pelo mundo apresentando palestras e oficinas sobre sua experiência com leitura, bibliotecas comunitárias e escolares e como escritora e especialista em literatura infantil e juvenil. Participa de projetos literários e de incentivo à leitura e das mais importantes feiras de livro do Brasil e do Exterior.

BLOG Ilza Barroncas, 60, psicóloga

“Os pais não devem invadir o espaço dos filhos adolescentes, mas criar uma convivência harmoniosa, na qual haja cooperação, instrução e educação. Fortalecer os laços familiares e criar uma atmosfera de confiança e convivência saudável entre eles. Sem autoritarismo e, sim, amor. É importante os pais não tentarem impor os próprios sonhos sobre os filhos, assim, a probabilidade desses filhos se tornarem cidadãos capazes de escolher os próprios caminhos (com erros e acertos) é maior. Claro que, neste contexto, os pais vão apoiá-los e orientá-los nas escolhas que fizerem, incentivando-os e caminhando junto com eles. Mas sempre lembrando: os sonhos são dos filhos, não deles.”

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