Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
Vida

Adolescente de 15 anos faz sucesso com confeitaria artesanal no RJ

Bisneto do poeta Vinícius de Moraes, o jovem João Camargo divide a rotina entre escola e atividades culinárias. Ele leva em média quatro dias para fazer cada bolo



1.png O interesse pela confeitaria nasceu junto com o interesse pela cozinha em geral.
19/07/2015 às 20:26

Quando tinha apenas 7 anos, o pequeno João Camargo pôs em prática uma receita de biscoito amanteigado. A família provou e aprovou. “Aí eu comecei a me perguntar o que fazia aquilo ficar tão bom daquele jeito. Dei uma mudada na receita e apresentei de novo o biscoito à minha família, que gostou mais ainda”, relembra.

Hoje, aos 15 anos, o estudante do 9º ano fala – de forma limpa e quase poética – da confeitaria que o fez ficar conhecido em todo o Rio de Janeiro e em diversas partes do País, e não é por menos: João é bisneto do poeta Vinicius de Moraes. “A cozinha não me limita. Posso criar meus pratos como se fossem versos”, diz ele, reforçando o laço.



O interesse pela confeitaria nasceu junto com o interesse pela cozinha em geral. “Eu amo cozinhar, porque toda a minha felicidade se transforma com os pratos e nos pratos”, diz ele, que prepara artesanalmente bolos de encher os olhos do alto de sua casa, na Lagoa, bairro nobre da capital fluminense.

“Depois do biscoito, lembro que não parei mais. É muita prática e tempo dedicado”, afirma ele, lembrando que nunca fez um curso específico de gastronomia. “Fiz uma espécie de oficina com a Roberta Sudbrack, uma renomada chef carioca que era amiga da minha avó, Suzana de Moraes”, declara.

Ingresso

Para conseguir entrar na oficina, o pequeno João batalhou. “Minha avó me apresentou para ela e fiquei maravilhado com os pratos. Mas a Roberta disse para a minha avó que eu era muito pequeno, e que como havia facas e pontiagudos nas aulas, eu poderia me machucar. Eu não fiquei muito feliz com isso e fiz um bolo de banana para ela, comprei umas flores, e depois ela mandou uma carta dizendo que eu tinha todas as qualidades para ser cozinheiro. Eu tinha 8 ou 9 anos”, celebra ele, que foi a primeira e única criança do curso. “Ali eu conheci o que era uma cozinha de verdade”.

Camargo começou na cozinha pela confeitaria, e hoje se apoia em livros do ramo e pesquisas na Internet para desenvolver seu dom. Mas ele confirma que não quer ser um chefe de cozinha limitado e sabe bem o que procura em cada nicho.

“Eu faço muitos salgados também. Mas doce é uma coisa que todo mundo gosta. A confeitaria tem a tendência de ser mais voltada às áreas exatas, com muitas medidas e afins, e o salgado vai mais pela criatividade. Óbvio que há muita coisa exata na cozinha em si, mas com salgados não há uma regra: você pode criar sem se preocupar com o exato número de gramas”, coloca.

Aprendizado

Com o dinheiro que ganha com a venda dos bolos, João pretende fazer um curso de gastronomia na Europa. “No começo queria fazer no Le Cordon Bleu, depois recebi outras dicas. Queria fazer um curso profissionalizante e me aprofundar mais, mas queria ir para outro ramo sem ser confeitaria”.

Mão na massa

Os bolos que João faz para encomendar na confeitaria Do João são artesanais. Com a rotina dividida entre a escola e as atividades, ele leva em média quatro dias para fazer cada bolo. Os pedidos são variados: bolos de casamento e aniversário são os que mais saem.

“Eu sempre tento colocar no cardápio uns mais exóticos, mas sempre saem muito os sabores básicos, como chocolate e morango”, diz. O bolo que mais faz sucesso na sua confeitaria, segundo ele, é um de limão siciliano com creme de mascarpone e frutas vermelhas.

Laços com o Norte

A mãe de João, Maria Camargo, é roteirista da minissérie “Dois irmãos”, adaptada do livro do amazonense Milton Hatoum. João adianta que a forte ligação da mãe com o Norte chegou inclusive à sua cozinha: não é à toa que existe uma torta de cupuaçu com chocolate e castanha-do-pará no seu cardápio.

"Minha mãe é uma grande amiga do Milton e sempre teve contato com a região. Ao visitar o Norte, ela sempre trazia peixes maravilhosos e os doces. Ano passado ela nos levou para Manaus e Anavilhanas, e eu conheci muita coisa, mas quero conhecer muito mais", revela o garoto.

Raízes de família

João não conheceu o bisavô, mas sabe que ele gostava de cozinha. O livro “Pois sou um bom cozinheiro”, lançado em 2013, revela algumas das receitas prediletas do escritor. “Sempre que ligam meu nome ao dele fica parecendo que minha ligação com a cozinha é uma herança, mas a cozinha é algo que veio mais por minha parte”, diz o garoto, que sempre teve muito interesse em ler poesias e que consegue interligá-las à culinária, sempre que possível.

“Se vejo um poeta, por exemplo, fazer um verso bonito com uma fruta, eu tento fazer um bolo com aquela fruta. Os interesses se ligam. Mas nunca fiz nenhum bolo com base em alguma poesia do meu bisavô, uma vez ou outra faço com outros poetas”, garante. É notável também a influência das artes plásticas em seus bolos. “Meu avô, Sérgio Camargo, foi um grande escultor”, reforça.



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