Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
SEM IDADE

Adultos ignoram indicação etária e se interessam por livros infantis em Manaus

O livro infantil "A parte que falta" ganhou destaque na internet nas últimas semanas entre os adultos, comprovando a existência da literatura sem idade



livros.JPG Adultos mostram admiração por livros da literatura infantil (Foto: Evandro Seixas)
04/03/2018 às 15:20

Nas últimas semanas, um livro ganhou destaque na internet. A obra “A parte que falta”, lançada pelo escritor norte-americano Shel Silverstein em 1976, despontou na lista dos mais vendidos graças a um vídeo (que até o fechamento desta edição conta com mais de 3 milhões de visualizações) em que a youtuber Jout Jout lê a obra do início ao fim, dialogando com os espectadores sobre a mensagem por trás da história infantil.

No alto de seus 26 anos, Jout Jout arrebata nada menos do que 1 milhão e meio de inscritos em seu canal. Boa parte desse público é composto por pessoas na faixa etária dos 20 aos 30 anos. A youtuber se emocionou com a história e, entre lágrimas, viu essa multidão de internautas seguir o mesmo caminho. Não por acaso, cerca de 1,4 mil unidades da obra foram vendidas em menos de 72 horas desde a divulgação do vídeo. A Companhia das Letrinhas, editora responsável pela publicação no Brasil, reconhece a influência de Jout Jout e seus seguidores nesse impulsionamento.



O fato chama atenção para algo curioso. Adultos ainda gostam de ler e fazem questão de ignorar completamente qualquer indicação etária. O rótulo de infantojuvenil nunca foi problema na hora do estudante de direito Cauê Porto, de 22 anos, escolher algo para ler nas horas vagas. Amante de ficções, ele revela que nos últimos meses se dedicou a ler os livros de “Os Karas”, saga do autor brasileiro Pedro Bandeira, e agora se aventura pela saga “Percy Jackson”, do autor Rick Riordan, sucesso entre os adolescentes dos anos 2000.

Os títulos não são nenhuma novidade para Cauê. Todos fizeram parte da vida do estudante em algum momento, mas para ele, fazer esse resgate de livros de sua infância/adolescência, agora anos mais velho, o fez aumentar a percepção em relação ao enredo e referências que passaram despercebidas, mas principalmente em relação a valores.

“As histórias são muito boas, e da primeira vez que eu li eu era menor, daí resolvi reler porque tem partes importantes que você esquece ou até que você não entendeu ou passou em branco antes pela pouca idade. Apesar dos livros serem infantis, eles carregam uma moral muito boa e que a gente esquece de vez em quando, como a valorização das coisas mais simples, tipo a família ou amigos. Tem valores que a gente nunca esquece, mas que de vez em quando a gente deixa de lado porque tem que ‘agir como adulto’”, conta o estudante.

Linguagem

A linguagem de simples assimilação dos livros infantis pode ser apontada como uma das causas para a popularidade das obras entre o público adulto. É o que afirma a licenciada em Letras, Literatura e Língua Inglesa, Adriana Amadio, de 22 anos. “É uma leitura mais leve e dinâmica, por isso não precisa de tanto ‘esforço’ e é muito mais acessível e simples”, pontua a jovem.

Ela não esconde a admiração por livros infantis e se declara uma leitora assídua de obras que fizeram parte de sua infância. A última delas foi “Anne de Green Gables”, da escritora canadense Lucy Montgomery. Livros como as sagas Harry Potter e As Crônicas de Nárnia também, vez ou outra, voltam a ser leitura da jovem.

“Na dedicatória de As Crônicas de Nárnia o C.S Lewis dedica a uma sobrinha dele e diz que ‘algum dia ela vai ser adulta o suficiente pra ler contos de fada novamente’. Eu acredito que esses livros têm muito a oferecer pra gente. Toda vez que eu releio esses livros eu tenho mais certeza de que eles não são feitos só pra crianças”, diz ela.

Destaque

Graças ao sucesso do livro “A parte que falta”, a editora Companhia das Letrinhas divulgou que, em breve, outras duas obras de Shel Silverstein chegarão às livrarias de todo o País. Os livros serão “A parte que falta encontra o Grande O” e “Leocadio - O leão que mandava bala.


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