Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Vida

Agir para prevenir: testes feitos por Angelina Jolie estão em Manaus

Realizados pela oncologista Sônia Tereza dos Santos Nogueira, exames indicam as chances do paciente de desenvolver um câncer



1.jpg O mestrado de Sônia, baseado na prevenção da síndrome de Li-Fraumeni, foi premiado como o melhor da América Latina
28/06/2013 às 08:54

Em meados do mês de maio, a atriz norte-americana Angelina Jolie chocou o mundo ao anunciar ter se submetido a uma dupla mastectomia preventiva - cirurgia em que se removem as duas mamas. A decisão da estrela de passar pelo procedimento se deu à descoberta, por meio de uma série de exames médicos, de que seria portadora de um gene “defeituoso” e que, por causa dele, a probabilidade de desenvolver um câncer de mama era de 87%. O que poucos sabem, no entanto, é que os mesmos testes que indicaram essa porcentagem à Jolie já são feitos no Brasil, e melhor: em Manaus.

Responsável pelo estudo da hereditariedade do câncer na capital amazonense, a oncologista Sônia Tereza dos Santos Nogueira recomenda uma avaliação de risco, com indicação de exames de prevenção, a pacientes que possuam um histórico de incidência da doença na família. “Baseado nesses casos, a gente pode fazer um diagnóstico clínico se aquele paciente tem ou não uma predisposição hereditária a desenvolver o câncer”, completou a médica, especializada em oncogenética pelo Hospital A.C. Camargo, em São Paulo.

De acordo com Sônia, na consulta, é construído um heredograma (árvore genealógica) do paciente, onde ele relata todos os casos de câncer que aconteceram na sua família. Através desse gráfico, é feito um primeiro diagnóstico.

“Hoje em dia é muito forte aquilo que chamamos de ‘prevenção personalizada’. É possível realizar medidas preventivas para alguns tipos de câncer baseadas no histórico familiar do paciente. Por exemplo, se tenho um paciente que teve um parente de primeiro grau com câncer de intestino entre 50 a 60 anos, ele não vai iniciar a investigação no órgão aos 50 anos, como a maioria da população, e sim aos 40”, explicou.

Particular

Atualmente, no País, o teste genético ainda é de alto custo, sendo realizado em laboratórios de biologia molecular de grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. “A média de preço do teste da Angelina Jolie, para síndrome de pré-disposição hereditária ao câncer de mama e ovário, é de R$ 6 a 8 mil”, revelou a oncologista. Esse valor, porém, varia de acordo com o gene que o paciente necessita investigar.
 
“Infelizmente, estamos somente na iniciativa privada ainda. Mas já estamos escrevendo um projeto de pesquisa para tentar iniciar essas atividades na Fundação CECON”, frisou Sônia, que atende na Oncoclin de Manaus – Avenida Castelo Branco, nº 1.779, Cachoeirinha, telefone 3303-3500.

"Fazemos a prevenção da doença baseada no histórico familiar do paciente. Por exemplo, se tenho um paciente que teve um parente com câncer de intestino, ele não vai iniciar a investigação no órgão aos 50 anos, como a maioria da população, e sim aos 40”, acrescenta Sônia Tereza dos Santos Nogueira, oncologista.

Segundo Sônia, nem todo caso requer que a paciente retire as mamas. Caso a alteração genética seja detectada, outros fatores também devem ser levados em consideração. “A mulher tem que ser muito bem avaliada. Temos que sentir a vontade dela, se ela quer ou não realizar a cirurgia, e dar, também, outras opções. Existe um tratamento com medicamento que reduz em torno de 50% a chance dela ter um câncer de mama”, lembrou.

Lição de otimismo na luta contra o câncer

“Depois de quase dez anos em tratamento e controle da doença, tudo o que eles querem é retomar as suas vidas”, afirmou Joyce Loureiro, diretora assistencial do Grupo de Apoio à Criança com Câncer do Amazonas (GACC-AM), sobre as crianças e adolescentes que passaram pela entidade durante o tratamento da doença.

Segundo ela, uma média de 70% dos pacientes que recebem assistência do GACC-AM ficam totalmente curados e, mesmo fazendo o acompanhamento anual que dura até uma década, conseguem retomar a rotina e colocar em prática tudo o que precisou ser adiado por conta do câncer.

Joyce explicou ainda que a cura completa da doença só pode ser afirmada depois que o paciente passou pela fase de “controle” do câncer, que dura até dez anos. Segundo ela, o alto índice na cura das crianças e adolescentes assistidos pelo GACC-AM está diretamente ligado à assistência profissional que eles recebem na instituição.

“Na casa de apoio, eles contam com o atendimento de nutricionistas, psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que contribuem para o sucesso e velocidade na reabilitação. Aliado a isso, está o diagnóstico precoce, que aumenta ainda mais as chances de cura”, acrescentou.

Superação

Hoje com 21, o estudante William Carlos Gomes foi diagnosticado com câncer aos 10 anos de idade. “Foram muitos anos em tratamento e um período de muito sacrifício para a minha família inteira. Depois de tudo que passamos, sei que não preciso abrir mão dos meus sonhos e posso levar meus planos adiante. Às vezes, as crianças e adolescentes em tratamento ficam desanimados, mas queria que eles focassem sempre em seu futuro e tivessem confiança na ajuda que estão recebendo”, comentou William, que atualmente faz faculdade de ciência da computação em Manaus e, quando se formar, pretende montar uma empresa de desenvolvimento de software em Santarém (PA).

A jovem Rayssa Romão, 15, também passou parte da sua vida em tratamento da doença. Natural de Itacoatiara (distante 177 quilômetros da capital), a menina veio para Manaus com apenas quatro anos e desde o ano passado está na fase de controle da doença.

“A primeira coisa que eu fiz quando soube que estava curada foi ver minha família. Voltei logo para a escola e passei muito tempo colada nas minhas amigas. Eu era muito criança quando fiquei doente, mas sei que a minha mãe sofreu muito. Com isso aprendi que devemos valorizar cada amanhecer que Deus nos dá como oportunidade para viver”, disse a jovem.

Oito anos de luta

Com apenas 12 anos de idade, o pequeno Dário Smiler Moçambite Mafra também já tem uma história de superação que serve como estímulo para qualquer pessoa. Sua luta contra o câncer começou quando ele tinha apenas três anos e durou até meados do ano passado, quando a médica afirmou que estava realmente curado.

Atualmente, o menino vive em Tabatinga (distante 1.105 quilômetros de Manaus), retomou os estudos e tem uma vida igual a de todos os meninos de sua idade. A casa de apoio do GACC-AM fica localizada na Rua Rita Gama, nº 3, Conjunto Kíssia, Dom Pedro. Para mais informações: 3239-0397.

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