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Entretenimento
Psicologia canina

Ajuda psicológica para cães

Da mesma forma que as pessoas, os cachorros também podem sofrer de problemas psicológicos, inclusive,  transtornos de ansiedade 04/02/2013 às 11:59
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Psicologia canina: o que seria isso?
Felipe de Paula ---

Parece até loucura, mas não é. A psicologia canina é uma realidade e vem crescendo muito no Brasil. É que os cães, assim como os seres humanos, podem sofrer transtornos de ansiedade que resultam em fobias, hiperatividade, agressividade e até depressão, dificultando seu convívio com outras pessoas e animais.

É aí que entram em cena os terapeutas de cães. O termo ainda é um pouco polêmico, pois não há regulamentação da profissão no Brasil. Na prática, profissionais veterinários, adestradores experientes e especialistas em comportamento animal podem investigar as causas desse tipo de transtorno.

No entanto, o médico veterinário Emmanuel Pires alerta que o primeiro profissional a ser procurado deve ser o veterinário. “Pode ser que o cão tenha uma patologia (doença) física e isso esteja gerando mal estar emocional”, diz o profissional.

Ele afirma, contudo, que na maioria dos casos de transtorno de ansiedade os problemas estão associados ao ambiente em que vive o animal. Por isso, muitas vezes o ideal é uma abordagem multiprofissional, onde o adestrador aparece na figura de um educador, corrigindo maus hábitos e ajudando o cão a se sentir mais seguro.

O veterinário explica ainda a relação estreita que a psicologia canina tem com a psicologia humana. O experimento de Pavlov, que deu as bases para o conceito de condicionamento, até hoje é muito significativo para a psicologia. Ele consistia na observação de um cão cuja alimentação diária era precedida pelo toque de um sino. Ao longo de um período, ao tocar o sino, o cão saliva mesmo sem ver o alimento, provando a famosa teoria do condicionamento.

Tratamento

O tratamento para o transtorno de ansiedade consiste, em muitos casos, na prescrição de drogas ansiolíticas e, a partir da observação do animal, a indicação de atividades de relacionamento entre o cão e criador para que haja sintonia entre os dois e para que o animal entenda quem é o líder da “matilha”. É pertinente observar que, quando o animal não encontra um líder, sente-se no direito de exercer essa liderança.

Pontos

-  Se seu cão apresentar sintomas de ansiedade, leve-o ao veterinário, pois o sintoma pode ter uma origem patológica.

- Procure conhecer as características genéticas (raça e família) de um cão antes de adquiri-lo: assim você sabe se ele precisará de mais ou menos espaço para habitar.

- A socialização é muito importante para o animal. Outros cães e pessoas ajudam a ter uma convivência social mais natural e tranquila. Passear com o cão regularmente é uma boa dica.

- Deixar uma camisa com seu cheiro quando sai de casa ou alguns petiscos espalhados pela casa podem ajudar seu cão a se entreter até você voltar.

- Eduque seu “filho”: não premie seu medo ou ansiedade. Se ao voltar para casa, ele estiver muito excitado, pode até ser duro, mas você deve ignorá-lo, até que ele fique mais calmo e você possa agradá-lo.

- Quando estiver com medo, não faça carinho, mas o encoraje e mostre que você está ali para ajudá-lo e não para ter pena.

Ansiedade de separação


O pequeno Otto, da raça Schnauzer, costuma passar o dia sozinho no apartamento de seus criadores, o casal de dentistas Luciano e Ana Cristina Avelar. Depois de indicação do veterinário, os dois decidiram contratar um adestrador para passar algum tempo com o cão e modificar alguns “defeitos” de comportamento do animal. “Ele tinha a chamada Síndrome de Ansiedade de Separação, comum em cães que ficam sozinhos em casa”, explicou o adestrador Pedro Fonseca, o “terapeuta” de Otto. Ele afirma que, além da atividade de que todo cão precisa para liberar energia e se  precaver ante o estresse e ansiedade, é necessário ter uma postura de “líder da matilha” e passar uma boa energia para o cão. “Se você for um dono ansioso, o se cão provavelmente também vai ser”, diz ele, que tem onze anos de experiência. “O comportamento do animal tem relação direta o tratamento recebido em casa”, enfatiza.

Mas, além de Otto, quem ficou bem mais tranquilo depois das “conversas” com o terapeuta - apesar de que ele não gosta muito do termo - foram os seus criadores. “Ela latia muito quando as pessoas se aproximavam. Hoje ele é bem mais sociável, está muito menos estressado, come melhor e até dorme melhor também”, conta Luciano, orgulhoso.

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