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FESTIVAL LITERÁRIO

Poeta amazonense ganha homenagem e lança novo livro em Itacoatiara

Aldísio Filgueiras participa de festival literário que acontece a partir desta quarta (10) até domingo (14) na praça central do município 09/10/2018 às 20:07 - Atualizado em 10/10/2018 às 10:12
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Poeta, jornalista e escritor completa 50 anos da publicação de sua primeira obra, "Estado de sítio" (1968) (Foto: Divulgação)
Hanne Assimen Manaus (AM)

Ao completar 50 anos da publicação de sua primeira obra, “Estado de Sítio” (1968), o poeta amazonense Aldísio Filgueiras será o escritor homenageado do Festival Literário do Sesc, que acontece entre hoje e sábado (14) no município de Itacoatiara, com o tema “Cidade: espaço de vida, palavras e poesia”.

Como parte da programação, nesta quarta (às 20h) e quinta (às 19h25) o jornalista e poeta também participa  de sessão de autógrafos e bate-papo sobre seu mais novo livro, “Cidades de puro nada” (Valer), lançado recentemente em Manaus. “Nada melhor do que ser homenageado enquanto vivo. Eu  já tenho 71 anos, são tantas emoções! Agradeço muito ao Sesc por esse momento”, afirma o poeta.

Essa programação está inserida no “Café Literário” do evento, espaço que tem o objetivo de reunir escritores da literatura amazonense e nacional, promovendo debate da temática apresentada para interação entre escritor e público presente. “Nós discutiremos as implicações do poético e do estético. Estarei acompanhado de Márcio Souza, Óscar Ramos, Sérgio Cardoso, Paulo José Cunha, Dori Carvalho, Eliakim Rufino, Simão Pessoa”, explica o escritor.

A obra

O livro “Cidades de puro nada” traz uma reflexão crítica da sociedade atual e é um marco na  produção poética de Aldísio Filgueiras. O livro foi estruturado como um poema longo, com sequências e desdobramentos temáticos sobre a vida urbana na Amazônia e o seu significado social e histórico. O poeta reflete sobre o impacto das cidades de puro nada, as cidades amazônicas, na vida dos indivíduos.

“Posso dizer que ‘Cidades de puro nada’ começou há 50 anos. Sou um poeta nascido e criado em uma cidade cosmopolita chamada Manaus. Por isso, meu discurso é urbano e político, porque cidade e política são uma coisa só”, destaca o autor.

A narrativa, de cerca de 150 páginas, em verso, tem como cenário as palafitas, as favelas que sitiam a cidade, como no trecho: “Um telhado sob a nuvem suja, um soalho sobre o dente quebrado do rio, um agasalho de brisa úmida envolvem esse berço palafita de gente aflita”.

“Cidades de puro nada” é uma continuação de outro poema, “Novas subúrbios”, de 2006. Neste último, os animais humanos invadem a cidade em busca de cidadania; em “Cidades” eles são expulsos pela cidade, para lugar nenhum, pois ja não servem para nada, nem para ser explorados, são “resíduos sólidos”, como destaca o autor.
“O meu livro é uma denúncia sobre o rumo infeliz que o crescimento populacional em Manaus vem tomando. Nós infelizmente estamos acompanhando a descaracterização poética da cidade por não haver controle dos representantes públicos em relação à expansão territorial descontrolada da nossa região”, destaca Aldísio.

Vida e carreira

Aldísio Filgueiras é jornalista e nasceu em janeiro de 1947, em Manaus. Iniciou a faculdade de Direito na Ufam, mas preferiu seguir carreira de jornalista e escritor. Desde 2005 é membro da Academia Amazonense de Letras e ocupa a cadeira de número 7. Com 50 anos de carreira, é autor do conhecido poema “Porto de Lenha”. Antes, ainda em 1975, este texto apareceu em “Dessana, Dessana”, peça teatral feita em parceria com Márcio Souza.
O poeta produziu também outras obras, como Estado de Sítio (poemas, 1968); Malária e Outras Canções Malignas; Celebração do Verão (1998); A dança dos fantasmas (2001); Nova subúrbios (2008); Romanceiro de Parintins (poemas, 2013). Editou as obras A República Muda (1989); e Manaus – As muitas cidades (1994).
O interesse pelos escritos e poemas continuam. “Estou às voltas com a escritura de mais três poemas, um deles será ‘uma novela policial indígena’ e ao menos um romance. Iniciei com o Márcio Souza a composição de um texto sobre a Cabanagem, que deverá ser musicado pelo Adelson Santos em 2019”, adianta o autor.

Festival literário

Em sua 4ª edição, o Festival Literário do Sesc vai até o dia  14 de outubro. Com entrada gratuita, o evento acontece na praça central de Itacoatiara, das 8h às 21h.  A programação está recheada de oficinas literárias, dança, música, exposição e venda de livros, palestras, gincanas, contação de histórias, cinema e muito mais.

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