Publicidade
Entretenimento
Diversão

Alegria que ecoa: conheça o trabalho dos animadores de consultório

Não se espante se, um dia, você chegar em um espaço para coleta de sangue – por exemplo – e, ao lado de médicos e enfermeiros, ver palhaços e princesas 26/09/2016 às 12:21
Show palha o2
Izaías Muniz dá vida ao palhaço Espaguete (Evandro Seixas)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

ASSISTA AO VÍDEO

Hospitais e consultórios passam longe dos lugares favoritos das crianças. Mas não se espante se, um dia, você chegar em um espaço para coleta de sangue – por exemplo – e, ao lado de médicos e enfermeiros, ver palhaços e princesas. E, no lugar dos choros, ouvir risos e gargalhadas. Isso é o impacto de alguns profissionais da saúde e do humor, que fazem a diferença na capital e lutam dia a dia para unir entretenimento a um bom atendimento. A soma disso tudo resulta em um tratamento humanizado – e sem traumas.

Desde a faculdade, a odontóloga Joseane Queiroz, 39, tenta desmistificar a figura “assustadora” do dentista para as crianças. Ela já chegou a atender crianças que não conseguiam nem entrar no consultório. Ao verem o ambiente, tudo mudou. “Elas relaxam e se sentem seguras. Antes do procedimento elas escolhem um ‘bichinho’ para acompanhá-las durante o atendimento e isso tira a ansiedade; a TV com filmes preferidos também ajuda muito no relaxamento”, opina.

No consultório de Joseane, além de jalecos coloridos e bichos de pelúcia, há gaveteiros com brindes para as crianças a serem dados pelo bom comportamento. São adesivos, anéis, réguas, tatuagens infantis, medalhas, balões e afins. “Lançamos mão de uma técnica chamada reforço positivo, que promove colaboração e redução de ansiedade por meio de uma recompensa. A criança é recompensada pelo bom comportamento ou ajuda durante o atendimento. Isso os faz sentir capazes e importantes, melhorando a autoestima e a cooperação, os deixando ansiosos para cooperar novamente na próxima consulta”, destaca ela.

A maior recompensa, segundo ela, é trazer saúde aos pequenos, sem causar transtornos. “Sempre ouço dos pais em meu consultório coisas como ‘se na minha época fosse assim como é hoje, eu não teria medo de dentista’. Muitos pais postergam o tratamento das crianças com medo de que elas venham passar por experiências desagradáveis e na boa intenção de mantê-las sem a experiência odontológica desde cedo, acabam contribuindo para uma evolução negativa de saúde bucal”, coloca Queiroz.

O mago do riso

O animador Izaías Muniz, 46, conversou com a reportagem após uma sessão de mágica para um garoto de 11 anos, durante a coleta de sangue no Laboratório Sabin. O menino sequer percebia a enfermeira o preparando para levar injeção. Mérito de Izaías, ou melhor, do Palhaço Espaguete, que ele dá vida há 10 anos. “Trabalho em lugares como escolas, lojas, festas infantis, abrigos e hospitais [o mais recente] duas vezes por semana”.

Nos consultórios do Sabin, ele faz mágica cômica e arte em balões para distrair a criançada que vai fazer exames. “Mas elas gostam mais das brincadeiras”, opina ele, que começou a animar hospitais por meio do convite de amigos que trabalham como palhaços há tempos. “No momento certo, em que as crianças estão precisando de distração, eu faço uma brincadeira ou mágica para que elas não se apeguem a dor”, diz.

Assim como o paciente de 11 anos, muitas vezes as crianças esquecem que estão coletando sangue e, quando veem, a coleta já acabou. E tudo isso sem chorar. Mas a ação do palhaço não é apenas preventiva, mas também paliativa. “Quando a criança chora, percebo que esse é o meu chamado. Eu vou lá, e ela vai se acalentando até terminar a coleta”, assegura, lembrando quais os ingredientes necessários para desempenhar a tarefa: “Alegria e amor”.

Missão

Certa vez, a enfermeira Arinete Esteves ouviu de um adolescente que “brincar é como sair dali (da enfermaria) nem que seja por um pequeno período de tempo e desestressar do ambiente da quimioterapia”. Ela é coordenadora do projeto O Brincar no Hospital, uma ação curricular de extensão da Universidade Federal do Amazonas, criada pela necessidade de querer ajudar o outro. Em especial, às crianças com doenças no sangue. Arinete é docente na mesma universidade.

O projeto reúne acadêmicos de enfermagem e engenharia civil, mas possui colaboradores de biomedicina, odontologia e medicina. “Ele acontece às sextas, entre 13h e 18h. Tem semana que comparecem até 20 voluntários. São pessoas que já atuaram no projeto e têm uma folga no trabalho e vêm ajudar ao próximo”, celebra Arinete. A Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) já acolhe o projeto há oito anos.

Durante as visitas, os voluntários se fantasiam de palhaços e princesas, brincam, dançam, contam histórias, tocam instrumentos musicais e conversam com os pacientes. “Vivem o momento procurando distrair as pessoas hospitalizadas”, declara Arinete, lembrando as crianças normalmente sorriem e brincam junto. “Temos a certeza do dever cumprido. Ver a criança sorrir nem que seja por um pequeno período de tempo já enriquece nossa vida”.

Publicidade
Publicidade