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Alimentos artesanais ou em conserva são ambientes para bactéria que provoca Botulismo

Intoxicação alimentar grave pode levar o paciente a paralisia muscular, comprometimento da fala e, sem cuidados, até à morte 26/11/2014 às 16:39
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A doença pode ser causada de diferentes formas, podendo ser produzida através de machucados ou pela ingestão de alimentos contaminados
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Doença rara, não contagiosa e potencialmente fatal, o Botulismo é causado pela bactéria Clostridium botulinum, presente no solo e em alimentos contaminados e mal conservados que produz uma das mais potentes toxinas encontradas até hoje. Se ingerida, pode ocasionar intoxicação alimentar grave caracterizada pela paralisia muscular e insuficiência respiratória.

A doença pode ser causada de diferentes formas, podendo ser produzida através de machucados ou pela ingestão de alimentos contaminados: na maioria dos casos, alimentos em conserva ou feitos em casa, como os vegetais, especialmente o palmito, os embutidos, os peixes e os frutos do mar preparados sem respeitar as regras básicas de esterilização. Quando as toxinas da bactéria são absorvidas pelo aparelho digestivo, entram na corrente sanguínea, atingem o sistema nervoso e interferem na comunicação entre as células nervosas, resultando em enfraquecimento das funções vitais e paralisia muscular.

O botulismo por feridas tem como causa lesões traumáticas ou cirúrgicas infectadas pela bactéria, ou ainda uso de drogas injetáveis, e devido às lesões necróticas assume o estado vegetativo. Por isso, deve-se sempre fazer a limpeza de lesões, a esterilização material, curativos e tomar cuidados recomendados no pós-operatório. Entre os sintomas estão náuseas, vômito, paralisia flácida, dores abdominais, visão dupla e embaçada, aversão à luz, pálpebras caídas, tonturas, boca seca, intestino preso, dificuldade para urinar e até o comprometimento da fala. Em crianças, a doença pode se manifestar através de fraqueza, constipação, alimentação deficiente, angústia respiratória, choro fraco e baba em excesso.

Segundo a infectologista do Hapvida Saúde, Normangela Barreto, “o diagnóstico clínico e laboratorial de detecção do botulismo é feito por meio de bioensaio em camundongos e amostras bromatologicas”. O que se leva em conta incialmente são os sinais e sintomas, a resposta ao exame neurológico, o resultado da pesquisa sobre os alimentos ingeridos e a ocorrência de casos de intoxicação em pessoas próximas, que possam ter consumido os mesmos alimentos contaminados.

No processo do bioensaio, os camundongos inoculados são observados por até 72 horas, para verificar possíveis alterações em seu comportamento e estado físico. Os inoculados com a porção da amostra não tratada podem ou não morrer. Caso morram, significa que a toxina ativa estava presente. Caso ocorram mortes nos animais que só receberam a porção tripsinizada (re-hidratada), significa que a pré-toxina estava presente na amostra e que, para tipificação da toxina é necessário tripsinizar o restante do material extraído.

A sobrevivência dos camundongos que receberam a porção fervida confirma a termolabilidade da toxina. Os animais não devem apresentar nenhum sinal da doença e nem ir a óbito. A toxina, se presente, já foi tripsinizada pelo metabolismo do paciente.

“A doença tem cura se detectada precocemente. Paciente com botulismo exige tratamento rápido e imediato, internação hospitalar com suporte de UTI para terapia de suporte e controle das complicações, devido aos quadros respiratórios, que podem ser letais.”, diz a médica. O processo de recuperação é lento e depende de como o sistema imunológico reage para eliminar a toxina. Quanto ao uso de medicamentos, antibióticos não são eficazes para reverter o quadro, mas a aplicação de soro antibotulínico pode evitar que a toxina circulante no sangue alcance o sistema nervoso.

Para evitar a doença, é preciso tomar alguns cuidados. Deve-se prestar atenção às feridas abertas (principalmente os dietéticos), e obedecer medidas de higiene rigorosas. Toda atenção é pouca quando se trata de alimentos artesanais e enlatados, em vidros ou embalados a vácuo, porque a bactéria tem predileção por ambientes sem oxigênio. Não se deve consumir se notado qualquer irregularidade na embalagem, como lata enferrujada ou estufada ou água turva dentro dos vidros. Ferver esses alimentos, especialmente palmito, ou as conservas antes do consumo, é uma boa dica para destruir toxinas liberadas pela bactéria, que pode ser encontrada também em conservas vegetais artesanais, produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal, queijos e pastas de queijos. O mel sem procedência também pode se tornar reservatório para os agentes da doença.

O botulismo pode-se manifestar nos primeiros meses de vida em lactantes, em decorrência do consumo de estruturas resistentes da bactéria, denominadas esporos, que proliferam no solo ou nos alimentos e liberam toxinas no intestino da criança devido à baixa na autoproteção do organismo. Nesse caso, a gravidade vai desde problemas gastrintestinais contornáveis até episódios de síndrome da morte súbita.

Por ser uma doença de alta morbidade e letal, caso a contaminação ocorra por conta da ingestão de alimento em conserva, além de uma notificação compulsória, recomenda-se ser realizada uma investigação obrigatória. “É uma emergência de saúde pública”, alerta Normangela.

  *Com informações da assessoria de comunicação.

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