Terça-feira, 23 de Julho de 2019
DESPEDIDA

‘Alma’ encerra o Festival Amazonas de Ópera homenageando Claudio Santoro

Última apresentação da ópera regida pelo maestro Marcelo de Jesus acontece nesta quinta-feira (30/05), às 20h, no Teatro Amazonas



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30/05/2019 às 12:22

A ópera “Alma”, do maestro e compositor amazonense Claudio Santoro, encerra com chave de ouro a programação do 22º Festival Amazonas de Ópera (FAO), com apresentação nesta quinta-feira (30/05), às 20h, no Teatro Amazonas.

“Alma” teve sua estreia no último domingo (26/05), abrindo as comemorações pelo centenário de Santoro, o grande homenageado desta edição, e foi reapresentada na noite da última terça-feira (28/05), emocionando o público mais uma vez.

O FAO é realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio master do Bradesco, via Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cidadania e Secretaria Especial de Cultura. A abertura do Festival foi no dia 26 de abril e, durante todo esse período, ofereceu uma vasta programação de óperas, recitais e concertos.

Regida pelo maestro Marcelo de Jesus, a versão de “Alma” apresentada durante o FAO deste ano foi revisada pelo próprio autor. O manuscrito foi encontrado pelo filho de Santoro, Alessandro, enquanto organizava o acervo do artista, entre 2002 e 2007. Em Manaus, o público pode assistir à ópera do jeito que Claudio Santoro a escreveu, com correções nas partituras e acréscimo de partes instrumentais para criar melhor conexão entre as cenas.

A história se passa em São Paulo, nos anos 1920. O escritor João do Carmo ama a jovem Alma, que não o corresponde. A moça de 20 anos se apaixona por Mauro, um cafetão que a agride, obrigando-a a se prostituir em cabarés. Essa conturbada relação permeia a ópera, composta (música e libreto) por Santoro, em 1985. A estreia no FAO contou com Corpo de Dança do Amazonas, Coral do Amazonas e Amazonas Filarmônica.

Além da apresentação da ópera, baseada na primeira parte da trilogia “Os condenados”, de Oswald de Andrade, as celebrações do centenário de Santoro no FAO incluem a exposição “A Alma de Claudio Santoro”, que pode ser visitada no segundo pavimento do Teatro Amazonas.

Público aplaude 

A auditora Marília Ferraro, 66, é frequentadora assídua do FAO. A amazonense elogiou a montagem de “Alma”, na apresentação da última terça-feira (28/05), e destacou a importância de homenagear um talento da terra.

“Uma montagem muito bela, com um elenco sensacional. Temos uma orquestra maravilhosa no estado, reunimos todas as condições para ter uma peça como essa. Acho merecida a homenagem ao Santoro, até para que a população amazonense o conheça. Ele é muito mais conhecido em Brasília e em São Paulo, até fora do Brasil, do que aqui no próprio Amazonas. OFAO é o espaço perfeito para isso”, disse.

A concierge paulista Rafaela Oliveira, 25, visitou Manaus e assistiu ao FAO pela primeira vez, na terça-feira (28/05). Além de ficar encantada com o Teatro Amazonas, ela também elogiou os Corpos Artísticos. “Fiquei encantada com a orquestra, até chorei”, contou. “Não conhecia a obra de Claudio Santoro e estou achando incrível, porque é a primeira vez que vejo a ópera de um brasileiro. Costumo ir a concertos e óperas e nunca vi isso em São Paulo”, comentou.

A baiana Camila Pereira, 25, foi outra turista presente na segunda apresentação de “Alma”. “Estou em Manaus há um dia, após passar em um concurso público para cá. Estou achando tudo incrível, a sonoridade do Teatro, a orquestra, absolutamente tudo. Acho muito válida a homenagem a um maestro brasileiro e ainda por cima amazonense, um estado que é tão rico culturalmente”, disse.

Também de passagem por Manaus, a paulista Hélida Portolane, 66, destacou o cenário de “Alma” e a inclusão da obra de um brasileiro. “Não é a primeira vez que eu venho ao Festival, e estou adorando a edição deste ano. Em primeiro lugar, ter uma ópera em português é maravilhoso, porque sempre são obras estrangeiras. Achei a história ótima e o que mais me impressionou foi também o cenário, está lindo e incrível”, ressaltou.

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