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Sustentabilidade

Amazonense cria joias sustentáveis usadas por celebridades brasileiras

Maria Oiticica tornou-se referência nacional quando o assunto é biojoias – as famosas peças sustentáveis com acabamento refinado 27/11/2016 às 05:00
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Maria mora hoje no Rio de Janeiro (Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Maria Oiticica esteve em Manaus este mês para conversar com os chamados“empreendedores da floresta”, os artesãos da Amazônia, em evento de sustentabilidade. Para eles, a amazonense resgatou parte de sua história. Contou que o pai era do interior e que, na sua infância, ela mesma construía seus brinquedos. Com os conterrâneos dividiu os caminhos galgados rumo à trajetória de sucesso: radicada hoje no Rio de Janeiro, tornou-se referência nacional quando o assunto é biojoias – as famosas peças sustentáveis com acabamento refinado.

O presente dado aos artesãos da floresta foi quase o mesmo dado para ela em 2002, quando o design começou em sua vida, aqui em Manaus. O marido de Maria ia viajar para o exterior e precisava presentear a curadora de um museu com algo. Pressionada pelo tempo curto entre compras e viagem, ela foi à beira do mercado e comprou uns colares.

“Fui naquela casa da Funai e comprei uns chocalhos de penas. Fui para a Rua dos Andradas e comprei alicates, arames... não sabia o que ia fazer, mas eu queria um colar”, coloca ela, que desmontou o que havia comprado, para então dar vida às biojoias.

Em uma viagem ao Rio no mesmo ano, ela expôs seus produtos em um bazar no famoso Iate Clube do Rio de Janeiro. “Arrumei minha mesa, que ficou tão linda que pediram pra colocar na entrada do local”, relembra ela. A mesinha atraiu os olhares da classe alta carioca e de movimentos sustentáveis, que se deslumbraram com as biojoias da Amazônia. Em 2003, ela se mudou para a capital fluminense – mudança motivada inicialmente pelos negócios do marido – e lá fixou o seu projeto.

Elementos

(A apresentadora Bela Gil é uma das famosas que usam as biojoias de Oiticica)

A matéria-prima de seus brincos, colares e pulseiras vem, em sua maioria, da Amazônia. “Utilizo sementes, penas e escamas que vêm do Mamirauá, da época permitida”, diz ela. As regras de sustentabilidade são rigorosamente cumpridas pelo Maria Oiticica Atelier. “Cumprimos os padrões de exigência internacional para poder exportar”, diz ela.

Os itens utilizados são cipós, sementes, folhas e flores secas, madeiras certificadas, bambu, frutos de jacarandá, fibras e fios naturais e alguns itens de machetaria. Inclusive Maria se orgulha de uma coleção de biojoias toda feita de cogumelos “que você não acredita”, segundo ela. “São cogumelos enormes. São duros feito madeira, eles dão um fungo na madeira que fica no chão apodrecida, e dela eles nascem”, conta ela, didaticamente.

Renome

Hoje, Maria Oiticica dá o seu próprio nome à sua marca e tem três lojas físicas no Rio de Janeiro, além de pontos de vendas em áreas nobres como o Pão de Açúcar, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e no Leblon. Famosas como a apresentadora Bela Gil, a atriz Carol Castro, a cantora Soraya Ravenle e a atriz Sônia Braga já usaram as biojoias de Oiticica – esta última, no filme “Aquarius”.

Atualmente, Maria está correndo atrás de escrever um livro sobre sua história e as biojoias, ainda sem muitos detalhes. Ela também pretende realizar um projeto no Amazonas voltados para as mulheres - nessa última visita ao Estado, ela visitou as comunidades Sacará, Tumbira e Ingleses. Ao todo, são dois projetos em que Oiticica dará apoio às artesãs da terra e compartilhará seus conhecimentos sobre a produção de biojoias. Mas ela diz que ainda não pode dar mais informações, já que os projetos ainda estão sob análise.

Independente disso, Oticica foi bem acolhida pelos “irmãos de terra” desta última vez. Não é à toa que, em seu retorno para o Rio de Janeiro, os artesãos da floresta fizeram um círculo ao seu redor, e cantaram “De volta para o aconchego”, de Dominguinhos. “Chorei feito um bebê”.

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