Domingo, 16 de Maio de 2021
Audiovisual

Publicitária amazonense dirige episódio de série do Canal Futura

Dirce Quintino assina a direção do episódio “Meu primeiro arco e flecha”, que integra a coprodução internacional "O dia em que eu me tornei mais forte". Série conta histórias de superação e resiliência vivida por crianças



b0110-1f_B7E570F4-6349-4B6F-899A-E241F197BA3E.jpg Na trama, a pequena Tauana aprende a construir um arco e flecha sozinha (Foto: Thiago Looney/Divulgação)
12/04/2021 às 21:37

Quem assistiu ao Fantástico do dia 4 de abril pôde conhecer um pouco mais sobre a série “O dia em que eu me tornei mais forte”, que estreou na última semana no Canal Futura. A coprodução internacional aborda histórias de superação e resiliência vividas por crianças de 17 países do mundo – e dois dos seus episódios foram gravados no Brasil. Um deles retrata a história de Tauana, uma menina indígena do povo kambeba que resolve construir um arco sozinha na comunidade onde vive. Filmado no Amazonas, o episódio foi dirigido pela publicitária amazonense Dirce Quintino, 37. 

O convite para dirigir o episódio, chamado “Meu primeiro arco e flecha”, veio a partir de uma produtora de São Paulo, que estava em busca de alguém com experiência em produção audiovisual na região amazônica. “Um dos pontos que pesou para a minha escolha foi o fato de eu já conhecer bem a comunidade. E que também não pensasse em situações surreais para a realidade amazônica, o que poderia ser um risco se contratassem alguém de outra região ou até mesmo alguém local que não tivesse a vivência da realidade amazônica do interior”, destaca Dirce ao A CRÍTICA. 



De acordo com a publicitária, a série se enquadra na categoria documental híbrida, que mistura elementos documentais com ficção. O episódio se baseia numa história criada pelas crianças que protagonizam a série. “As crianças é que fazem o papel delas mesmas nas histórias e contam histórias de superação de desafios da sua realidade. No caso da Tauana, o desafio é a construção de um arco quebrado. Ela é uma menina que tem um arco que fora construído pelo pai e esse arco quebra depois de tanto uso. A partir daí, ela resolve construir o arco sozinha sem a ajuda do pai”, pondera Quintino.

Além da construção do arco em si, há a questão da força feminina abordada pelo episódio. “O arco e flecha é tradicionalmente dominado pelos homens desde a prática até a construção do objeto. Então foi um ponto que exploramos para que a história tivesse esse viés do empoderamento, de que as meninas são capazes de participar e executar tarefas tradicionalmente dominadas pelos meninos”, complementa a diretora. 

Locação e cuidados

“Meu primeiro arco e flecha” foi gravado em dois dias do mês de novembro de 2020, na comunidade indígena Três Unidos, na Área de Preservação Ambiental do Rio Negro, localizada a 70 km de Manaus. A equipe de gravações, composta por Dirce na direção, Thiago Looney na direção de fotografia e Messias Santos na captação de som seguiu todos os protocolos de segurança contra a Covid-19: fez testes para detecção do vírus antes de gravar e fez uso constante de máscaras e higienização com álcool durante o projeto.

A pandemia foi retratada de forma muito breve no episódio. A maneira em que a comunidade lidou com ela também foi destacada. “Meses antes, em conversa com o tuxaua da comunidade, ele chegou a me dizer que os moradores doentes não foram isolados e conseguiram se curar após o uso de muitos chás com ervas medicinais, então a gente fez questão de colocar isso no roteiro. Apesar de ter essa menção, não foi colocado como forma de limitação, e sim de superação, visto que o objetivo da série é falar de resiliência”, aponta a publicitária. 

 

Definição

A trama da série e do episódio se baseia na história que a própria Tauana criou quando fez parte de um projeto promovido pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a instituição alemã Prix Jeunesse. O objetivo era trazer para o audiovisual histórias reais narradas por crianças do mundo todo. O Futura é parceiro exclusivo do projeto no Brasil e produziu dois episódios com participantes selecionados a partir de fóruns e grupos de pesquisa, realizados de forma remota durante a pandemia. 

“A partir da história criada por ela, foi feito um roteiro para o episódio ‘Meu primeiro arco e flecha’. O que buscamos salientar na direção foi mostrar o ponto de vista da Tauana e sua conexão com a natureza, que é um elemento que traz todo um diferencial para o episódio, sem fazer parecer ao mesmo tempo algo distante de outras realidades de outras crianças, que são justamente o público-alvo da série”, coloca Quintino. 

Vivências

O contato da diretora com a realidade da comunidade se deu devido Dirce ter trabalhado em uma organização que tinha projetos no local. Ela conhecia os moradores -  até mesmo a irmã da protagonista Tauana. Segundo ela, isso foi um fator determinante para que os personagens se sentissem à vontade em serem eles mesmos e, assim, conseguirem captar o ambiente da história com a equipe.

“Conhecer a realidade amazônica do interior fez toda a diferença para pensar em planos e conduzir as filmagens de forma eficiente. Além disso, por tratar-se de uma série, há todo um referencial de produção e direção que precisamos também seguir para que o episódio siga o padrão da série”, comenta a publicitária. 

Quintino crê que a série possa assumir um papel motivador para quem assiste. “Imaginar que outra criança como você consegue superar um desafio pode ser capaz de fazer acreditar que, mesmo sendo uma criança, é uma porta que pode se abrir para que você acredite ser capaz de vencer as adversidades. Ainda que no início as pessoas não acreditem em você, você tem que fazer esse papel de acreditar em si para que as coisas se tornem reais”.

Saiba mais

A série “O dia em que eu me tornei mais forte” é exibida sempre às terças e quintas, às 6h25 (horário de Manaus), no Canal Futura. Os episódios da produção também podem ser assistidos pelas plataformas Canais Globo e Globoplay.

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