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Amazonense expõe pinturas no RJ sobre nuances da natureza

Exposição de Alberto Saraiva inicia a partir do dia 4, na Galeria do Lago, localizada no Museu da Repúlica, no RJ 28/09/2014 às 17:29
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Próximo projeto de Alberto Saraiva é "Vazio de ar - Cheios de Luz", um livro de poesia visual
JONY CLAY BORGES MANAUS (AM)

A Galeria do Lago do Museu da República, no Rio de Janeiro, é conhecida por convidar artistas a destacar uma peça do acervo do local e desenvolver exposições ou obras de arte em diálogo com ela. O mais recente convidado da instituição, o amazonense Alberto Saraiva escolheu a “Índia segurando aljava”, bronze do século 19, como base para explorar, em pinturas, “uma certa ideia  de natureza, que demonstrasse um estado de suspensão, de realidade universal”.

“E tentei aproximar-me ao máximo do Amazonas em seus aspectos psicológicos e espirituais. Neste sentido, as imagens são pontos de uma abstração. Não são plantas em si, são um certo em si das coisas”, define o artista.

O resultado disso é “In Natura”, exposição que inaugura no dia 4 de outubro no Museu da República, onde fica em cartaz até 7 de dezembro. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a série é composta de 30 pinturas a óleo sobre tela, em formato 50x50. No conjunto, exibem variados recortes de paisagens naturais, em parte oriundas da vivência de Saraiva no Amazonas, onde viveu na juventude, emulsificada pela memória.


“Quase todas as pinturas são de memória”, explica o artista, cujo sentido visual tem primazia em sua percepção. “Desenhei muito desde cedo, aprendi a desenhar antes de aprender a escrever. Quando aprendi a escrever, pensei, ‘Mas isso é desenhar’. E por nunca ter parado, criei um acervo sólido de imagens que me vem da memória”.

Paisagem e vivência

Tema de “In Natura”, a natureza é, segundo Saraiva, uma noção que perpassa sua identidade. “A ideia de natureza me atravessa, por minha experiência com a Floresta Amazônica. Cedo aprendi a amá-la, a respeitá-la, mas sempre vi na floresta uma fonte inesgotável de vida”, declara o artista, que destaca o potencial científico da Amazônia, mas também os “aspectos espirituais” da floresta.

“Sem montanhas ou grandes elevações no entorno de Manaus, a gente tem opções de olhar para o céu exuberante ou sentir-se imerso na densidade verde”, afirma. “Nem a cidade consegue suprimir essa experiência, já que mesmo ela, a cidade, está imersa nesse espaço grandioso”.

Para Saraiva, disso resulta que o espírito do homem amazônico é “algo único no Brasil”. “Temos em nós silêncios e pausas, no falar e no ser”, exemplifica. “Particularmente me sinto muito mais um homem da floresta e penso cada vez mais nas etnias indígenas, em seu saber sem precedentes”.

Passado e futuro

Radicado no Rio há quase três décadas, Saraiva é também poeta visual e curador do Oi Futuro, centro que investe no diálogo entre as artes visuais e a tecnologia. Essa atuação, evidentemente, não o afastou da pintura, um dos segmentos mais tradicionais da arte.

“Sou especialista em segmentos da arte e tecnologia e da poesia visual. E acho que isso me faz melhor pintor, porque a pintura é uma mídia muito antiga e complexa, e a videoarte, por exemplo, nasceu nos anos 1970”, avalia ele, que se encaixa no modelo de artista-curador. “(Ele) é parte de um dos aspectos mais importantes da arte de hoje. Todo artista deveria fazer pelo menos uma curadoria na vida”, defende.

Como influências em sua pintura, Saraiva cita artistas modernos e contemporâneos, entre eles os norte-americanos Richard Diebenkorn e Cy Twombly, os alemães Georg Baselitz e Joseph Beuys ou o italiano Alighiero e Boetti. “E os poetas santos de Shiva”, complementa.

Por hora, Saraiva não tem perspectivas de expor em Manaus. “Adoraria estar mais na cidade. Mas para mim, hoje, é mais fácil exibi-la naquilo que faço”, declara ele, expressando seu apreço e sua ligação profunda com a terra natal: “Essa é a verdadeira jóia rara: a noção de pertencimento que me faz querer o melhor para a minha cidade e a minha gente”.

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