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Amazonense idealiza evento literário que reúne novos escritores na Internet

Diego Moraes inovou e idealizou a Flipobre, primeiro festival literário realizado unicamente na Internet e com transmissão ao vivo pelo Youtube 02/12/2014 às 10:42
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Diego Moraes escreve contos e poesia
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

O Brasil tem muito escritor para pouco leitor? Autor de “A solidão é um deus bêbado dando ré num trator” (Ed. Bartlebee, 2013), o amazonense Diego Moraes acredita que vivemos num País em que o escritor luta para “inventar” leitores. Movido por questões como essa, ele idealizou a Flipobre, primeiro festival literário realizado exclusivamente na Internet e com transmissão ao vivo pelo Youtube. A edição inaugural acontece neste domingo, dia 7, e vai contar com a participação de mais de 40 escritores de todo o Brasil em seis debates temáticos. O evento pode ser acompanhado em http://bit.ly/1FHT2lp.

“A Flipobre é a feira dos escritores que moram longe”, explica Moraes, em conversa com a reportagem pelo chat do Facebook. De cara, o evento é uma provocação aos grandes eventos literários brasileiros que “repetem autores e discursos”. O homenageado da primeira edição do festival, por exemplo, é um autor rejeitado pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano – o carioca Lima Barreto (1881-1922).

“Criou-se a cultura do escritor premiado e modelo de feiras literárias. Parece que o escritor só presta se for de uma grande editora, se ganhar prêmios e desfilar nesses eventos”, critica o amazonense, que já participou e aprovou a experiência com hangouts, conversas coletivas na Internet que usam recursos de texto, áudio e vídeo.

Os temas da primeira Flipobre (machismo na literatura, formação de leitores, entre outros) também foram definidos coletivamente. Segundo Moraes, a proposta é que o evento seja democrático, com espaço para escritores de pequenas e grandes editoras, e até mesmo para os que escolheram o caminho da autopublicação.

Dentre os que já confirmaram participação nos debates da feira virtual estão Carlos Henrique Schroeder (Ed. Record), Luciana Hidalgo (Ed. Rocco), Lucas Barroso (Ed. Bartlebee), Daniela Lima (Ed. Multifoco) e o argentino Jorge Churio (Ediciones Outsider).

CANAL ABERTO

Para a realização da primeira Flipobre, Diego conta com a ajuda do escritor paraibano Roberto Menezes, autor de “Palavras que devoram lágrimas”, vencedor do Prêmio José Lins do Rego. É ele quem justifica a escolha de Lima Barreto como homenageado do encontro virtual: “É um escritor muito considerado pelos novos escritores e anda meio esquecido nas rodas de literatura das feiras do Brasil”.

Quando o assunto é o uso que os novos autores fazem de outros canais de publicação, como a Internet, Menezes aponta que ainda falta organização por parte deles na hora de divulgar suas obras no ambiente virtual.

“A maneira como a literatura é divulgada de uns dez anos para cá se tornou bem mais democrática do que antes. O importante é o acesso à leitura, não importa o meio que seja. Apesar disso, muita gente acha que o que qualifica um escritor é a publicação em grandes editoras. As grandes editoras ainda cumprem o seu papel, mas não estão mais sós”.

“Muita gente publica livros, mas poucos vendem e alcançam o reconhecimento. Ainda mais poesia, que muitos consideram arte minoritária, como dizia Roberto Piva”, complementou Moraes, antes de dizer que o escritor brasileiro luta para inventar leitores.

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