Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
Vida

Amazonense se consagra como produtor cultural na Espanha

A trajetória do manauara Reginaldo Lima, que foi cantor de metrô em Madrid e se tornou um dos principais disseminadores da cultura brasileira em solo espanhol



1.jpg De volta à Manaus, Lima visitou rádios locais
28/07/2013 às 11:03

Pela primeira vez, Madrid pode ouvir o som de artistas brasileiros como Ana Carolina, Seu Jorge, Yamandu Costa e Ivete Sangalo graças aos shows promovidos por Reginaldo Lima, 39. O manauara que nasceu “pensando grande” e ignorando os insistentes “não vai dar certo” ditos pela vida, chegou naquela cidade, em 1999, para realizar o sonho de se tornar um cantor bastante conhecido.

Conseguiu e foi além: quatro anos depois, já era considerado um importante divulgador da cultura brasileira na Espanha pela embaixada brasileira e pelo então ministro Gilberto Gil. De volta a Manaus para rever a família 14 anos depois, ele concedeu entrevista exclusiva à reportagem de A CRÍTICA, contando um pouco da sua trajetória.

As origens

Desde criança, o mais velho de quatro irmãos, precisou ajudar em casa. Logo, Reginaldo se fez presente onde era possível conseguir algum dinheiro honesto. Vendeu dindin e broa no Centro de Manaus, limpou piscinas, entregou lanche e ainda que não existisse qualquer glamour europeu em seus afazeres, desde pequeno, afirmava que um dia moraria em Paris.

Ele cresceu profissionalmente, o nato talento para o marketing lhe garantiu o primeiro emprego nesse setor, que Reginaldo até hoje não abandonou. Com o avanço nos negócios, a lista de amigos de classe econômica superior a dele aumentou, levando-o a conhecer a bela menina com quem namorou. Ela engravidou e as diferenças financeiras pesaram. Reginaldo ouviu da moça de boa família que ele só teria o direito de assumir essa paternidade ou mesmo de conhecer a própria filha no dia que virasse “gente”.

Na Espanha

O início da carreira musical aconteceu no metrô de Madrid. “Mal tocava violão, conhecia apenas alguns acordes. Enquanto praticava ganhava minhas moedinhas”, diz Reginaldo. Era seu próprio chefe, fazia seu horário e conseguia ganhar mais dinheiro que qualquer garçom ou outra ocupação típica dos imigrantes.

Centrado no sonho que o levou a cruzar o Atlântico, ele colocou, com a ajuda do diretor da Casa do Brasil de Madrid, Cássio Romano, o  seu nome no “Guia del ócio” (revista cultural que informa sobre  shows dos músicos internacionais).

“Durante sete meses, meu nome saía logo abaixo do Bruce Springsteen. Óbvio que todo mundo pensaria ‘Mas você não é ninguém pra ter o nome lá’. É, mas a maioria dos espanhóis não sabia disso. Eu e Caetano Veloso na Madrid de 1999 éramos a mesma pessoa para a massa”, lembra Reginaldo. A partir daí, ele ficou famoso na mídia, no mundo musical e também para o público madrileno.

Somente no ano do nascimento da sua filha espanhola, 2003, que Reginaldo deixou de tocar no metrô e estreou o próprio programa de rádio no “Circulo de Bellas Artes de Madrid”, um dos centros culturais mais antigos do mundo, com 133 anos. O “Movida Brasileña” começou a ir ao ar e logo se transformou em um “point” de artistas brasileiros como Gal Costa, Djavan e Adriana Calcanhoto.

“Um programa de rádio que divulga a cultura brasileira em Madrid. Não é um programa voltado para a comunidade imigrante, o público é toda a Espanha”, afirma. “Movida Brasileña” se transformou em uma forte marca do Brasil na Espanha. Um dos ouvintes fiéis do programa é o cineasta Pedro Almodóvar, junto com outros 150 mil europeus.

Biografia a caminho

Reginaldo dominou o cenário musical e a próxima empreitada foi trabalhar com os jogadores de futebol. Segundo informou, estabeleceu uma forte amizade com Ronaldo fenômeno, em 2004, e iniciou seus trabalhos no marketing esportivo. Hoje cuida da carreira do atacante Léo Baptistão, recentemente contratado pelo Atlético de Madrid.

Atualmente, Reginaldo mora em Paris e trabalha em Madrid. Como foi possível perceber a história do Reginaldo Lima não cabe em apenas uma página e merece ser registrada. Por isso, o livro já está sendo providenciado.

“Aceitei a proposta do livro sobre o que eu já vivi por acreditar que pode ser uma inspiração para os outros. Se eu consegui qualquer pessoa consegue. Um dos meus amigos que é um dos escritores mais famosos do mundo fará o prólogo da biografia que será lançada dentro de um ano na França”, adianta.



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