Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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Vida

Amazonenses contam como superaram dificuldades e deram a volta por cima

Pessoas comuns que conseguiram vencer a pobreza, o vício e o preconceito e vivem uma vida renovada. Se não fosse o apoio da família, eles poderiam ter outra realidade


04/04/2015 às 13:41

A principal celebração do ano litúrgico para os cristãos é comemorada neste domingo. E para celebrar a Páscoa, A CRÍTICA traz três histórias dignas da palavra que traduz esse período: renascimento. Pessoas comuns que conseguiram vencer a pobreza, o vício e o preconceito e vivem uma vida renovada. Se não fosse o apoio da família, eles poderiam ter outra realidade.

A persistência e a vontade ser vencer motivaram o amazonense Jonas Gomes da Silva, 43, a superar a pobreza e as dificuldades. Ainda adolescente, ele deixou de ser um picolezeiro quando, com muito esforço, conquistou uma bolsa de estudos de mestrado e doutorado em Engenharia de Produção, no Japão.

Após o feito, abandonou a oportunidade de trabalhar em grandes indústrias, quando retornou ao Brasil, para se dedicar à docência. “Eu não poderia guardar só para mim todos aqueles conhecimentos adquiridos. Eu tinha que repassá-los”, disse.

Atualmente, ele é professor concursado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordena projetos sociais no bairro de Petrópolis, Zona Sul, todos voltados para educação e empreendedorismo. “As dificuldades que enfrentei e as promessas feitas após cada meta alcançada, me fizeram tomar essa decisão. Confesso que não foi fácil chegar aqui, mas posso afirmar que qualquer pessoa poderá chegar onde quiser, basta ter força de vontade”, aconselhou.

Assim como muitos amazonenses, Gomes é filho de pais pobres. O pai era ex-seringueiro e saiu do Ceará em busca de novas oportunidades na Amazônia. A mãe, costureira e semianalfabeta, tinha a persistência de incentivar o filho, afirmando que “um dia ele iria viajar de avião”. O pouco dinheiro que ganhava com as costuras bancava alguns cursos de aperfeiçoamento de Jonas.

“Devo o que sou à dona Luiza, minha mãe. Ela, sim, foi minha grande inspiração. E a cada fracasso ou passo mal sucedido, ela sempre me dizia: Não desista, meu filho, hoje está difícil, mas amanhã será um dia melhor”, relembrou.

Picolezeiro

Aos 12 anos, o professor começou a vender picolé na periferia para ajudar nas despesas de casa. “Naquela época, o dinheiro era pouco. Três anos depois, montamos uma taberna pequena e começamos a vender picolé, o dindin e outros produtos ”, contou.

Aos 16 anos, ele participou de um projeto do Governo do Estado, onde concluiu o ensino médio em dois anos. E para encarar a maratona de provas e trabalhos, montou grupo de estudos com alguns amigos, que passavam horas estudando, muitas vezes com fome.

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“ Fui aprovado, na repescagem, no curso Tecnólogo em Manutenção Mecânica, da antiga Utam. Com muito sacrifício, consegui concluir. Muitas vezes ia a pé da faculdade até o bairro de Petrópolis, já que não sobrava dinheiro da passagem”, contou ele, destacando que, em 1996, conquistou a bolsa de estudos, após cinco anos estudando no Japão.

Ex-usuário vence o vício

Quem vê o bem sucedido microempresário e assessor jurídico não imagina o que Marcelo Augusto Jansen Sodré, 34, sofreu para superar a dependência química. Ele não tem vergonha em assumir que é um ex-dependente químico. Pelo contrário, ele faz questão de contar que já foi usuário, mas conseguiu superar o vício após chegar ao fundo do poço e contar com o apoio incondicional da família.

“Limpo” há nove anos, o jovem chegou a ser preso, cometer pequenos delitos e, ainda, morar nas ruas. Até que decidiu abandar a vida antiga e se internar na Fazenda da Esperança. Sodré conseguiu retomar os estudos, formou-se em Direito, casou, montou um pequeno negócio, assessora um parlamentar e ainda dispõe de tempo para ajudar jovens que passam pelo mesmo problema, por meio do grupo Esperança Viva do bairro Glória, Zona Oeste de Manaus. “Agradeço muito aos meus pais Augostinho e Gercilene Sodré, minha esposa Janaína. Eles nunca me abandonaram e foram fundamentais para a minha recuperação”.

De pedinte a vereadora

A vereadora do Partido Progressista (PP), Luciana da Silva Monteiro, 32, conhecida como Pastora Luciana, sabe muito bem o que é passar fome, viver nas ruas e ser vítima da violência doméstica. Quem a vê muito bem casada com o também pastor João Walter Andrade Monteiro, não imagina as dificuldades que enfrentou no passado.

A parlamentar conseguiu apoio na Organização Não Governamental (ONG) Maria Bonita, coordenada pela ex-deputado federal Rebecca Garcia, que apoia mulheres vítimas da violência, e conseguiu superar as dificuldades. Atualmente, ela é uma das poucas mulheres que assumiu uma das concorridas vagas na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e é pastora do Ministério Apostólico Sol Brilhante, do bairro Nova Cidade, Zona Norte.

“Aprendi a ser resiliente na vida. Observei que não adianta abaixar a cabeça e aceitar as mazelas e as injustiças que a vida nos apresenta. Temos que nos revestir de Deus e ir à luta. Nesta jornada, aprendi que o ser humano é único. Temos que ser fortes e vencer as tentações”.


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