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Amazonenses falam sobre as experiências de dar a volta por cima

Vurar a própria mesa, mudar de vida e transforma situações ruins em boas é uma arte difícil, mas que pode ser conseguida 08/09/2013 às 16:04
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Prestes a concluir o curso, Kelly Santos conta como mudou de vida ao prestar um concurso para auxiliar de serviços gerais e decidir concluir os estudos
Steffanie Schmidt Manaus, AM

A volta que ela dá todos os dias da semana para chegar à sala de aula tem um motivo justo: ver o rosto da filha na placa de formatura, nos corredores do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Kelly Santos Libório, 43, é mãe de três meninas – uma  formada, outra que cursa a faculdade e a caçula, que ainda está no ensino médio - e mesmo tendo completado os estudos tardiamente, é o exemplo de vida para elas. É que, segundo Kelly, ela se recusou a desistir.

E foi assim que, mesmo concorrendo com 90 pessoas, ela decidiu se candidatar à vaga de auxiliar de serviços gerais da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), porque queria trabalhar de carteira assinada. Isso foi no final de 2008. De lá pra cá, ela contabilizou três promoções e uma vaga no curso de Administração. Concorreu com 1,8 mil pessoas para 80 vagas e, noinício do ano que vem, vai se formar. Hoje, ela é auxiliar administrativo na associação.

“Eu nunca desisti. Sempre pensei que uma hora iria chegar aminha vez. Ia acontecer, era só uma questão de tempo”, disse Kelly. Segundo ela, foi a filha mais velha, formada em Serviço Social, que a inscreveu eincentivou a prestar vestibular.  A escolha do curso, segundo ela, era, inicialmente, Letras, por que sempre gostou de ler e aprender, mas logo percebeu que não teria um campo vasto de atuação como a Administração. “Quero fazer especialização na área ambiental, que é nova e permite que mesmo pessoas com a minha idade, possam se inserir no mercado detrabalho”. Nos planos também está o curso de inglês. “É primordial pra minha área. Quando entrei, não sabia Informática; fui fazendo cursos, do meu próprio bolso”, completou.

Grávida e casada ainda na adolescência, aos 15 anos, ela não chegou a concluir o ensino médio. Depois disso, tentou várias vezes recomeçar ocurso, mas, somente em 2002, conseguiu terminar, por meio de um programa de aprendizado acelerado.

“Vi que tinha programas voltados para a terceira idade e pensei: eu posso fazer, nem que seja na terceira idade! Eu estudava à tarde, por que meu marido não queria que eu saísse à noite”. Depois disso, elatrabalhou de 2005 a 2008 como artesã, vendendo bolsas na feira que acontece aos domingos na avenida Eduardo Ribeiro, Centro.

Mesmo com a rotina cansativa – ela sai do trabalho às 18h e vai direto para o curso – Kelly acredita que a formatura será apenas uma etapa vencida. “Cada vez que a gente alcança uma coisa, vai ampliando mais os horizontes e quando eu fico cansada, olho pra foto da minha filha e vejo que seela foi capaz, eu também sou”.

Da batida de carro para uma nova amizade

Fazer sempre a coisa certa, custe o que custar, foi o que aexperiência de vida ensinou a Israel de Souza Ferreira, 32, mais conhecido como Israel Ferrari. E foi o que ele fez quando bateu o veículo que dirige pela primeira vez em 10 anos de profissão: parou o ônibus especial na chuva, desceu e disse que iria pagar. E assim o fez. A atitude de Israel comoveu a vítima, Lúcia Soares (nome fictício), 27. Tanto, que ela acabou considerando-o um amigo.

A força de vontade tem que prevalecer. Com esse pensamento, Israel tornou-se motorista e DJ, nunca se envolveu com drogas, nunca cometeu nenhum crime e conseguiu estabelecer-se financeiramente, mesmo saindo de casa aos 11 anos de idade. Trabalhou em garimpo, limpando quintal, como chapeiro, motoboy, entre outras coisas. “Sempre ganhei a vida trabalhando. Meu pai me ensinou que eu podia ser pobre, mas que fosse sempre honesto”, disse omotorista.

Por conta da experiência que acumulou, ele costuma brincar, dizendo que são 30 anos de vida que valem por 60. No próximo dia 31, ele completa 33. “Fica fácil ganhar credibilidade quando você diz a verdade, por exemplo, nunca precisei ‘matar minha mãe ou aleijar meu pai’ para conseguirsair mais cedo. Quando preciso, explico pro meu chefe que tem uma festa para tocar e vejo se ele pode me liberar”. O ensinamento foi aprimorado em cursos derelacionamento interpessoal que ele fez por conta própria.

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