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ADEUS

Amigos de palco e da vida lamentam morte do cantor amazonense Amílcar Azevedo

A carreira de Amílcar Azevedo começou nos anos 80, em bares e restaurantes de Manaus. O artista se apresentou em várias capitais brasileiras como São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro. Reconhecido pelo público, ele ganhou os palcos nacionais e internacionais 05/04/2016 às 11:56
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A carreira de Amílcar Azevedo começou nos anos 80, em bares e restaurantes de Manaus (Foto: Evandro Seixas)
Lucas Jardim e Rosiel Mendonça Manaus (AM)

O cantor Amílcar Azevedo, consagrado na cena musical amazonense, faleceu na manhã de domingo (3), aos 57 anos, por conta de uma série de complicações médicas após uma cirurgia. A morte do cantor deixou a classe artística da cidade em luto. Emocionado, o cantor Zezinho Corrêa, que trabalhou várias vezes com Amílcar, destacou a dedicação do artista. “Ele sempre foi seguro e tem uma das mais belas vozes que eu ouvi. Uma voz muito bonita, um timbre muito bonito, e uma grande interpretação. Sempre o vi assim, como amigo e como artista”, disse Zezinho.

“A doença dele já foi um grande abalo. A todo momento, a gente esperava uma notícia boa, uma melhora, mas infelizmente, não deu. Os momentos em que nos encontrávamos nos camarins, e nos encontramos em muitos, foram muito bons. Sempre conversávamos e eu aprendi muito com ele, porque ele tinha essa segurança de entrar no palco e interpretar. Vamos lembrar sempre dele pelo artista e pelo amigo que foi”, declarou o artista.

A carreira

A carreira de Amílcar Azevedo começou nos anos 80, em bares e restaurantes de Manaus. O artista se apresentou em várias capitais brasileiras como São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro. Reconhecido pelo público, ele ganhou os palcos nacionais e internacionais. Em 2005, o artista representou o Amazonas em Paris, durante o Ano do Brasil na França, ao lado de Lucilene Castro e Zezinho Corrêa. A convite da Confederação Brasileira de Atletismo, ele também se apresentou na Itália, em 2007.

O primeiro CD do cantor foi gravado no projeto “Valores da Terra”, da Prefeitura de Manaus, interpretando composições de Nicolas Jr, Chico da Silva e Roberto Dibo. No seu segundo disco, lançado em julho de 2011, gravou composições autorais como “Amor próprio” e “Pérolas do coração”, título do CD. O trabalho conta, ainda, com a regravação de “Pra ser só minha mulher”, de Ronnie Von e Tony Osanah.

Generosidade

Um dos seus últimos projetos foi o show “Nervos de aço”, onde interpretava junto com Lucilene Castro canções de Lupicínio Rodrigues. O espetáculo cumpriu temporada no Teatro da Instalação em 2014 e, no ano seguinte, voltou a ser apresentado na programação no Tacacá na Bossa.

Lucilene lamentou a morte do amigo, com quem falava pelo menos três vezes por semana, nem que fosse por telefone. “Tínhamos uma relação além do palco, de cumplicidade musical. Conversávamos muito sobre isso e sobre viagens também, fazíamos planos de ir à Europa novamente”, conta ela, que trabalhou com Azevedo em outros musicais, como “Maria, Maria” e “Paixão, louca paixão”.

A cantora lembrará do parceiro de palco como alguém muito reservado na vida profissional e pessoal, mas extremamente responsável com seu ofício. “Ele era um artista maravilhoso e cuidava muito da voz, além de ser extremamente pontual, embora às vezes a gente não fosse tanto. No período em que ele ficou doente até brinquei perguntando se ele não estava com medo, mas ele sempre se mostrou muito tranquilo, como em tudo que fez”.

Para o cantor e compositor Cileno, Amílcar será lembrado principalmente pela generosidade com que ele tratava os colegas nos bastidores da música local. Os dois se conheceram nos anos 1990, quando ambos davam os primeiros passos na carreira. “A partir daí, nos tornamos amigos e ele chegou a regravar uma música minha, ‘Mimo de beija-flor’, no primeiro CD que lançou. A vida nos colocou para trabalhar juntos muitas vezes”, conta.

Uma delas foi no musical “Maria, Maria”, em que Cileno e Amílcar dividiam os vocais em “João e Maria”, de Chico Buarque. “Ele tinha um talento indiscutível e personalidade artística única, nunca imitou ninguém. Desde que o conheci ele era um cantor com personalidade própria, que vivia a música, era muito bonito vê-lo”.

Intérprete popular

Há seis anos, o cantor se apresentava no Clube Municipal. Logo que iniciou as apresentações na casa, Amílcar contou para A Crítica o desafio de se apresentar por conta do ecletismo do ambiente. “Vão jovens e um público de mais idade, mas todo mundo se respeita. Aprendi a adequar minhas canções aos estilos do Municipal, que é o bolero, o sambinha e o xote clássico”, revelou.

“Apesar disso, ainda tem quem me rotula como um cantor elitizado. Porém, o que faço é apresentar um repertório exigente e bem elaborado. Sou um cantor popular. Essa história de cantar para guetos e grupinhos, não é legal para o artista”, disse o cantor, na ocasião.

“Não tem idade, mas tem que ter qualidade. Por isso, prefiro composições de Noel Rosa, Cartola, Chiquinha Gonzaga, mas também aprecio um xote pé-de-serra, um forró bem elaborado e, claro, o romântico, que eu mais me identifico”, ressaltou Amílcar Azevedo. Além do Municipal, o cantor era figura presente nos festivais de canções no Estado e no Zero Grau.

Saúde delicada

Amílcar Azevedo havia se internado em março para se tratar de uma suspeita de pancreatite. Após uma cirurgia bem-sucedida, o cantor teve diversas complicações no período pós-operatório, chegando a passar por novos procedimentos cirúrgicos até vir a óbito.

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