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Amor e qualidade de vida: filhos atuam como verdadeiros pais para quem os trouxe ao mundo

Em comemoração ao Dia dos Pais, o VIDA&ESTILO conta as histórias de Ricardo Collyer, Jorge Vasques e Fábio Moura, filhos que assumiram a responsabilidade pelo bem-estar dos seus pais na terceira idade 07/08/2015 às 15:36
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Ricardo Collyer com o pai, o jornalista Fernando Collyer
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Eles passaram noites mal dormidas para garantir um sono tranquilo aos filhos, acompanharam os primeiros passos e se encheram de orgulho com as primeiras conquistas deles. Já de cabelos brancos e com um longo caminho trilhado, esses pais e mães agora têm a chance de serem assistidos com o mesmo amor que dedicaram aos seus rebentos. 

Essa é a história do empresário Ricardo Collyer (36), que há oito anos se tornou “pai” do próprio pai, o jornalista e escritor Fernando Collyer (82), com longo histórico de atuação no jornal e TV A CRÍTICA. “Ele teve alguns casamentos, mas o filho que ficou mais próximo dele fui eu. Sou o filho da velhice dele”, conta Ricardo. 

Fernando passou a morar com ele depois de sofrer um derrame que lhe deixou sequelas na fala e afetou a sua capacidade motora. Arredio a visitas e passeios desde então, o jornalista se sente mais à vontade quando vai ao Sul do País para fazer tratamentos em uma clínica de referência em Santa Catarina.

“Por ser um homem da Comunicação, ainda é uma dificuldade para ele aceitar as sequelas, então minha maior função hoje é cuidar do emocional do meu pai. Além disso, me tornei ‘especialista’ em geriatria. Converso com os médicos e eles até perguntam se sou médico também”, brinca o empresário.

ORAÇÃO

Para Ricardo, o fato de ter horário flexível, ser solteiro e não ter filhos foi importante para capacitá-lo a tomar conta do pai. “Quando ele veio morar comigo mudei toda a minha rotina. Foi montada uma equipe para acompanhá-lo, com fonoaudiólogo e fisioterapeuta, e se criou quase uma rotina de clínica aqui em casa. Ele está sempre com alguém e, enquanto estou trabalhando, monitoro tudo por câmeras de vídeo que acesso pelo celular”.

A experiência com o pai também despertou outro tipo de consciência em Ricardo: se a maioria das pessoas não está preparada para envelhecer, muitas famílias tampouco têm condições emocionais para proporcionar qualidade de vida aos entes queridos que entram na terceira idade.

“O que me capacitou foi sempre o grande amor que ele teve por mim e o fato de rezarmos juntos o ‘Pai Nosso’. Assim como ele me ensinou quando eu era criança, hoje eu rezo com ele todas as noites”.

ENTRE FILHOS, NETOS E LIGAÇÕES

Com três filhos adultos, Jorge Vasques hoje também é como um pai para Zaïra Vasques (93), que o trouxe ao mundo há 66 anos. A mãe do advogado mora com ele há mais de duas décadas e atualmente é assistida 24h por cuidadoras. “Éramos três irmãos, sou o do meio. O primeiro morreu num acidente há 30 anos e o segundo partiu em 2011. Ficou só uma irmã de criação que hoje também dá auxílio para minha mãe, bem como minha esposa”, explica ele.

Jorge Vasques e a mãe, Zaïra Vasques (Divulgação/Arte: Thiago Rocha)

“Ela é muito apegada a mim. Tenho que viajar constantemente a serviço e ela sofre com essas ausências. Tenho que ligar sempre só para ela ouvir minha voz. Então é uma aproximação forte, de forma que a gente se completa muito. Tenho um amor imenso por ela”.

Ele diz que também influenciou o fato de eles terem morado a maior parte da vida juntos. “Mesmo quando casei pela primeira vez, fiquei morando com ela durante um tempo e quando me mudei ela me visitava. Até que eu achei que ela deveria viver com um filho, e foi comigo. Minha segunda esposa também se apegou muito a ela”.

Jorge conta que Zaïra sempre foi um sustentáculo da família, que foi dona do Hotel Amazonas em seus anos áureos. Quando a crise começou a abalar os negócios, foi a matriarca quem deu apoio ao filho, que àquela altura já havia assumido o lugar do pai à frente do patrimônio. O advogado lembra que a mãe foi muito afetada pela perda do marido e dos filhos, encontrando conforto somente na fé – ela é devota de Nossa Senhora.

“Ela tem uma vida meio reclusa, no canto dela, prefere os filhos, netos e as amigas da igreja que de vez em quando vêm aqui dar a comunhão a ela”. O que dona Zaïra não aceita de jeito nenhum é ficar sem a Rede Vida no ar: segundo Jorge, são quase 12h por dia na frente da televisão acompanhando as programações e missas. 

INVERSÃO DE PAPÉIS

Fábio Moura* (40) é outro exemplo de filho que divide o teto com o pai, hoje septuagenário. Natural do Rio de Janeiro, a família se mudou para Manaus quando Alberto Moura* ganhou uma transferência no emprego. Nessa época, ele ainda era o esteio da casa, mas com a chegada da aposentadoria e da viuvez, quem foi assumindo as responsabilidades (e as contas) da família foi Fábio.

“Alguns pais não conseguem assimilar essa inversão nos papéis. Quando meu irmão saiu de casa para ter a família dele, a responsabilidade realmente ficou só para mim, que até então era solteiro. Hoje também estou casado, tenho dois filhos pequenos e virei uma espécie de conciliador dos interesses de todos em casa. Comigo é fácil porque sempre consigo ceder em função dele”, explica Fábio.

Ele diz que, apesar de tudo, nunca pensou em abandonar o pai à própria sorte. “O que pesa também é eu me imaginar precisando do meu filho no futuro e ele virando as costas para mim. Além disso, sinto que a convivência diária com a família é o que mantém a saúde física e emocional do meu pai. A relação dele com os netos é muito boa. Às vezes lembra um pouco Os Simpsons, aquela confusão, mas é muito bom”.

*Nomes fictícios a pedidos das fontes.

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