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Amor em três tempos: 'Antes da meia-noite' soa mais real

recedido por “Antes do pôr-do-sol” (2004) e “Antes do amanhecer” (1995), o novo longa supera o romance em tom adolescente dos filmes anteriores e mostra uma vida a dois cheia de dores e delícias, nuances que dão ao enredo uma verossimilhança ainda maior 22/07/2013 às 18:21
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Gravações foram feitas em sigilo e ao longo de apenas 18 dias, no sul da Grécia
Rosiel Mendonça Manaus, AM

Quase 20 anos separam o primeiro encontro entre Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), num trem rumo a Viena, das férias que os dois passaram com amigos e as filhas gêmeas, no sul da Grécia. A essa altura, os protagonistas da trilogia romântica do diretor Richard Linklater ainda são os mesmos, mas é o amadurecimento da relação do verborrágico casal que dá peso ao terceiro filme da série, “Antes da meia-noite”, em exibição no circuito manauara desde a última sexta-feira.

Precedido por “Antes do pôr-do-sol” (2004) e “Antes do amanhecer” (1995), o novo longa supera o romance em tom adolescente dos filmes anteriores e mostra uma vida a dois cheia de dores e delícias, nuances que dão ao enredo uma verossimilhança ainda maior. Se um aprofundamento emocional nos perfis de Jesse e Celine começou a aparecer já em “Antes do pôr-do-sol”, em “Antes do amanhecer” ele alcança o seu auge.

A estrutura narrativa que cativou um público fiel se mantém, com muito diálogo e longas sequências. O entrosamento e as atuações de Hawke e Julie, que colaboram com o diretor na construção do roteiro desde o segundo filme, também acompanharam o amadurecimento dos seus personagens. Boa parte do clima “tempestuoso” que domina as últimas cenas do longa, por exemplo, deve-se à insegurança e aos temores de Celine, papel que parece ter virado a especialidade da francesa Julie Delpy.

Evolução

Enquanto “Antes do amanhecer” é marcado pela passionalidade de Celine e Jesse, que topam a experiência de desbravar Viena (e a si próprios) em um punhado de horas, antes que cada um retome o seu caminho, “Antes do pôr-do-sol” mostra como está a vida de ambos nove anos após o encontro – Jesse está preso a um casamento infeliz e Celine se queixa dos relacionamentos “sem emoção” que teve desde então.

Se no primeiro filme os temas principais são as experiências, visões de mundo, ideias sobre o amor e lembranças de cada um, no filme seguinte, que se passa em Paris, as desilusões começam a aparecer nas conversas travadas pelos dois. É como se Linklater estivesse preparando o terreno para o que viria em 2013: na casa dos 40 anos, os personagens conversam sobre a morte, a educação das filhas e a possibilidade de estarem juntos daqui a 50 anos.

Com “Antes da meia-noite” também começam a surgir os primeiros sinais de desgaste de uma relação que já dura mais de uma década, ainda que o amor esteja sempre no ar. É quando aparecem as acusações, os sentimentos de culpa e arrependimentos, o que torna Jesse e Celine um casal tão possível quanto qualquer outro.


Blog

Dirce Quintino, publicitária

“Vi o filme duas vezes e sou até suspeita para falar, porque sou fã dos anteriores. Acredito que ‘Antes da meia-noite’ continua no mesmo nível dos anteriores: é uma história que vale a pena acompanhar, porque o amor é retratado de uma forma palpável, com todas as suas dúvidas e conflitos. O diretor explora isso de uma forma que não costumamos ver em outros filmes do gênero. Quase não tem beijo nos filmes, por isso acredito que eles não tratam apenas do romance em si, mas das relações humanas de uma forma geral”.

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Dayana Daide, universitária

“Com certeza, o roteiro é a fórmula do sucesso dessa trilogia. O que chama mais a minha atenção nesse trabalho, como um todo, é o modo como as cenas são conduzidas e centralizadas no diálogo, bem próximas à realidade. Você não percebe aquele estrelismo de outros filmes de romance hollywoodianos. Fiquei satisfeita com esse suposto encerramento da trilogia, apesar de achar que o final deixou as coisas muito em aberto. Não ficaria surpresa se, daqui a um tempo, o diretor aparecesse com mais uma continuação”.

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