Terça-feira, 21 de Maio de 2019
PAIS & FILHOS

'Andador é perigoso, faz mal à saúde e é proibido em vários países', diz especialista

Item é reprovado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), pois prejudica desenvolvimento e causa acidentes



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Uso do andador interfere na ordem cronológica natural do bebê: rolar, sentar, engatinhar e caminhar
22/01/2017 às 05:00

A criança cair constantemente, tropeçar em si mesma, bater a cabeça e o rosto por não saber se segurar/apoiar em caso de queda. Essas são apenas algumas das consequências do uso do andador — chamado de “andajá” no Amazonas. Apesar de ser encontrado com facilidade em lojas infantis, ele é considerado perigoso, não tem selo de segurança do Inmetro e é vetado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“Desde janeiro de 2013, através de uma campanha permanente, defendemos o banimento dos andadores infantis e gostaríamos de reiterar a necessidade de unirmos esforços para redução de mortes evitáveis e de agravos incapacitantes que acometem nossas crianças e adolescentes”, declara o presidente da entidade em nota oficial ao Inmetro, Eduardo da Silva Vaz.

O item é proibido no Canadá há dez anos e também pela Academia Americana de Pediatria (AAP, sigla em inglês). No Brasil, apesar do alerta dos médicos, tanto pais quanto cuidadores insistem na utilização, como uma forma de facilitar a rotina em casa, ou com a ideia errônea de que o brinquedo ajuda no desenvolvimento do bebê. A fisioterapeuta Erika Moreira explica que é justamente o oposto.

“'Andador é perigoso, faz mal à saúde e é proibido em vários países. Os bebês nascem com as pernas arqueadas (curvadas) que, progressivamente, retificam durante o período em que a criança começa a andar, entre nove meses a 1 ano e meio de idade. Os membros inferiores (MMII), em geral, encontram-se mais retificados (neutros) somente partir dos seis anos. Ou seja, a estrutura física de um bebê ainda não consegue suportar o peso do próprio corpo”, afirma.

Ela explica que, a ordem cronológica psicomotora (física e mental) do bebê segue a seguinte ordem natural: primeiro o rolar; depois, sentar e engatinhar e, por fim, dar os primeiros passos. Os membros inferiores da criança, antes que de ela começar a andar sozinha, ainda não estão preparados fisicamente para a postura ortostática (ficar em pé). Isso leva para o risco de problemas no desenvolvimento em longo prazo.

“Os ossos e as demais estruturas ainda estão em fase de formação e, com uso do andador, ele estará sobrecarregando a coluna e as articulações”, ressalta. “Foi comprovado: bebê que utiliza andador leva mais tempo para ficar em pé e caminhar sem apoio, engatinha menos e têm pontuação inferior nos testes de desenvolvimento. Ele terá atraso no desenvolvimento psicomotor, além de problemas ortopédicos e de coluna”, completa.

Evite acidentes

Não bastasse os prejuízos à saúde, vale ressaltar os riscos de utilizar o brinquedo. No estudo “Lesões associadas aos andadores infantis”, realizado pelo “Comitê de Prevenção de Lesões e Envenenamento” do órgão norte-americano, estima-se que 8,8 mil crianças menores de 15 meses foram atendidas nos departamentos de emergência dos hospitais nos Estados Unidos, somente em um ano, por lesões associadas ao uso de andador.

“Há vários motivos já conhecidos para evitar o uso e a comercialização do andador, como quedas, lesões graves de crânio, acidentes como queimaduras e com objetos cortantes. O bebê chega a atingir uma velocidade muito maior do que pode administrar no andador, cerca de 1m/s. Isso equivale a dar a chave do carro a uma criança de 10 anos, que não tem noção do perigo e não consegue controlar velocidade, direção e parada”, declara Erika.

Os dez principais perigos do andador:

- Prejudica o desenvolvimento motor;
- Atrapalha o processo natural da marcha;
- Gera mais quedas do que o normal;
- Oferece maior risco de traumatismo craniano no bebê;
- Proporciona independência a uma criança que ainda não tem maturidade;
- Desequilibra, aumentando o risco de queimaduras e afogamentos;
- Prejudica a atividade física, pois o bebê gasta pouca energia;
- Ensina o bebê a caminhar na postura errada;
- Bebê não desenvolve sistemas de defesa (se apoiar ao cair);
- Aprende a correr fora da hora e de maneira errada;


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