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André Gonçalves assume papel feminino em comédia que será apresentada em Manaus em julho

Peça "Amigas, pero no mucho" fica em cartaz no Teatro Manauara, nos dias 18 e 19 de julho. Nessa entrevista ao BEM VIVER TV, André Gonçalves fala do novo trabalho e dos 40 anos que completa em novembro. 19/06/2015 às 16:47
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André Gonçalves divide a cena com os atores baianos Agnaldo Lopes, Lucio Tranchesi e Widoto Aquila
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

Aos 40 anos, Débora está divorciada e sem filhos. Irônica e perspicaz, ela é do tipo “dona da verdade” e tenta sempre fazer a sua opinião prevalecer. A personagem, criada por Célia Regina Forte, é uma das quatro mulheres que se reúnem para uma típica lavagem de roupa suja na peça “Amigas, pero no mucho”, que chega a Manaus para duas apresentações no Teatro Manauara, nos dias 18 e 19 de julho.

Na nova montagem dirigida por José Possi Neto, Débora é interpretada pelo ator André Gonçalves, estreante em um papel feminino. Ele divide a cena com os baianos Agnaldo Lopes, Lúcio Tranchesi e Widoto Áquila, que dão vida a Olívia, Fram e Sara, respectivamente.

Em entrevista à reportagem, Gonçalves destacou a universalidade do texto de Célia Forte: “Parece festa de Natal em família, sabe?”. O convite para aderir ao novo elenco da comédia de costumes partiu do próprio José Possi. “Acabamos de fazer uma temporada muito feliz em Salvador e próximo mês iniciamos a turnê, que deve durar até setembro”, disse o ator.

Sobre a sua primeira vez como mulher no palco, ele comentou que o processo foi tranquilo. “Não tive problema nenhum, a gente se diverte, as pessoas passam mal de rir, e isso é muito bom para o ator. Nós quatro temos um jogo excelente em cena”. Gonçalves disse que a “construção” de Débora (trejeitos e tudo o mais) nasceu unicamente nos ensaios e não é inspirada em qualquer outra mulher, da realidade ou da ficção. 

“Não mudei nenhum hábito no dia a dia. Nessa época eu estava de férias da televisão e puder ficar focado. Fomos descobrindo juntos os tempos das piadas”, contou. O ator precisou apenas se mudar para Salvador, onde participou de uma preparação com a bailarina Rita Brandi, coreógrafa do Teatro Castro Alves. “Os atores não se obrigam nem a fazer voz de mulher, a não ser quando a própria situação pede um falsete. O mais importante é o universo feminino”, reitera o diretor.

ENREDO

Quando se juntam, as mulheres de “Amigas, pero no mucho” destilam veneno, revelam delicadezas e expõem fragilidades – nada muito diferente de quando amigos homens se reúnem. “Acho que é igual no universo masculino, independente da idade, inclusive. Isso eu consegui assimilar bem durante a peça”, opina André.

Enquanto Fram (Lúcio Tranchesi) é a ninfomaníaca que gosta de meditação e tem uns tiques nervosos, Sara (Widoto Áquila) é a executiva reservada e bem-sucedida que fuma em demasia e não tem papas na língua. Olívia (Agnaldo Lopes) é a ex-rica que hoje dirige uma van escolar para sustentar a família e Débora é a que ainda sonha com o príncipe encantado.

Em antigas declarações à imprensa, André Gonçalves chegou a dizer que teve dúvidas sobre sua sexualidade durante a adolescência, mesma época em que interpretou o homossexual Sandrinho, na novela “A Próxima Vítima”. Para ele, tornou-se evidente que “todo mundo tem um momento mais feminino, mais masculino”. E assim ele pensa até hoje. “É uma metáfora para dizer que todo mundo tem sensibilidade e ela pode aflorar ou não. Na minha casa, com meus filhos, isso é tratado de forma aberta”.

'HAMLET' É UM SONHO

Além de viajar com “Amigas, pero no mucho” pelo Brasil, o ator já conta com um próximo trabalho na Globo. Ele estará no elenco da nova temporada de “Malhação”, que estreia em julho e completa 20 anos no ar. “Eu nem devia ter falado isso, dei bobeira”, ele se arrepende, após deixar a informação escapar.

Mas quando o assunto é um papel que ele gostaria de fazer, André não titubeia: Hamlet, o protagonista da tragédia de Shakespeare. O desejo de interpretar o personagem “incrível e complexo” não é de hoje, mas a oportunidade veio em boa hora. Em novembro, quando pretende encenar a peça com tradução de Altair Lima, André também comemora 40 anos de idade.

“Já perdi as contas dos anos de carreira, mas cheguei até aqui com menos expectativas, é claro, porém confortável e desconfortável ao mesmo tempo, como se estivesse descendo o Rio Nilo. Mas acredito que é isso mesmo. Tanta gente viveu muito mais do que eu e fez tanta coisa, então dá tempo de eu fazer muito mais”.

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