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Animais que seriam sacrificados ganham nova chance com ajuda da acupuntura

Vítimas de acidentes ou doenças graves, cães voltam a levantar e andar após uso da medicina complementar 24/04/2016 às 05:08 - Atualizado em 24/04/2016 às 10:56
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Tratamento pode ser feito em domicílio ou clínica veterinária (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Natália Caplan Manaus (AM)

Branquinha, uma cadelinha sem raça definida (SRD), foi resgatada em uma feira há quatro meses e diagnosticada com cinomose. Ficou tetraplégica. Vítima da mesma virose, o poodle gigante Red perdeu a visão de um olho e também parou de andar. Há um ano, a também SRD Pandora estava prenha, quando foi atropelada e sofreu uma fratura na coluna, o que resultou em problemas crônicos nos ossos.

Essas três histórias poderiam ter um desfecho triste, com uma decisão unânime dos tutores e veterinários: a eutanásia. Porém, quem conhece o trio mal consegue acreditar que ele passou por tantas diversidades. Para a alegria das tutoras, as irmãs Janaína, 28, e Mariana Barbosa Bandeira de Melo, 29, são cheios de vida. Ambas já resgataram cerca de 200 animais do abandono e encontraram na acupuntura a solução para casos graves de saúde.

“Muitas pessoas, só de ouvir a palavra ‘cinomose’ já desistem de lutar e mandam sacrificar seu animal. Nós temos mais de 10 casos de sobreviventes semelhantes ao do Red e da Branquinha, que são sobreviventes da cinomose”, afirma a primeira, que é dentista e cursa medicina veterinária. “A acupuntura faz milagres nos nossos resgatados. É bom que as pessoas comecem a tentar salvar mais e sacrificar menos”, completa.

De acordo com ela, o macho começou a mexer as patas recentemente, enquanto as fêmeas já voltaram a caminhar. O caso de Branquinha é o mais impressionante. Após meses de internação na clínica Faro Fino, no estágio mais grave da doença, ela ficou completamente curada. Porém, não mexia sequer a cabeça e precisava ser alimentada e hidratada por meio de uma seringa. Hoje, segundo Janaína, parece estar ligada no 220wv.

 “Uma moça pediu ajuda para resgatá-la, achando que ela estava com pneumonia. Minha irmã resgatou. Ao saber da cinomose, a moça quis sacrificá-la. Mas sempre tentamos até o final. Começamos a acupuntura uma vez por semana. Em menos de um mês, ela conseguiu ficar em pé. Depois, começou a dar passos curtos. Após dois dias que saiu da clínica, estava andando de um lado para o outro. Hoje, corre e se joga na piscina”, afirma aos risos.

Acompanhamento

Segundo Mariana, todos os animais sob a tutela dela e da irmã caçula estão vacinados, castrados e aptos para adoção. Os especiais fazem sessões de acupuntura, fisioterapia e hidroginástica, mas também podem ser adotados se as famílias se comprometerem a continuar o tratamento até o fim. O veterinário acupunturista Lucas Magalhães Lara, 29, é o responsável por cuidar de cada um dos cachorros das moças.

“Não pode fazer acupuntura antes de vencer a doença. Esse tratamento é para lidar com as sequelas, uma alternativa para a reabilitação. Mas o veterinário quem dá alta”, explica, ao ressaltar outra história de superação. “A Mariazinha ficava com o quadril arriado, porque foi atropelada. Ela passou por uma cirurgia ortopédica e, graças à acupuntura, levantou e não arrasta mais o quadril no chão”, conta.

Medicina complementar sem efeito colateral

O veterinário e acupunturista Lucas Magalhães Lara oferece o serviço alternativo aos pacientes caninos e felinos desde que se formou, há seis anos. Em Manaus há três anos, o paulista é mestrando em alterações ósseas dos botos, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Na opinião dele, optar pelo tratamento natural é menos invasivo e apresenta ótimos resultados, sem o medo de sofrer com os efeitos colaterais de um remédio.

“Não gosto muito dos efeitos adversos dos medicamentos comuns, então, decidi me especializar. Sempre cuidei do pós-operatório com fisioterapia e acupuntura”, enfatiza, ao esclarecer o trabalho. “Fazemos pulsão para analgesia e, depois, entramos com fisioterapia para fortalecimento muscular. Às vezes, a patinha atrofia e trabalhamos na melhora da musculatura para tratar o nervo”, explica.

De acordo com ele, a prática já é comum em outros Estados do Brasil para complementar o acompanhamento clínico. Além de animais vítimas de doenças graves e atropelamentos, grande parte dos atendidos estão na terceira idade. “Acupuntura é ideal quando o paciente está muito velhinho e não aguenta mais tomar medicamentos para aliviar a dor. Acabamos nos tornando praticamente um geriatra de animais”, brinca.

BLOG Renata Leiko Ishida, 46, veterinária acupunturista

Eu estudava medicina chinesa desde sempre, englobando seres humanos e animais. Como já trabalhava com clínica veterinária desde 1991, achei que esse trabalho com acupuntura seria bem mais amplo, não apenas limitar ao tratamento com medicamentos. Geralmente, o pessoal conhece para tratar a dor, mas a acupuntura é feita para prevenir a doença. A ação principal que trabalhamos é antes de o animal desenvolver a doença. A maioria dos pacientes tem problema de coluna, mas também utilizamos para problemas dermatológicos.

SERVIÇO

Lucas Magalhães Lara - Atendimento em domicílio - Contato: 9-8215-0707

Renata Leiko Ishida - Atendimento em consultório

Local: Clínica Bom Pra Cachorro, avenida rio Mar, 650, conjunto Vieiralves

Contato: 3584-4288 e 9-8113-7125

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