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Aos 14 anos, amazonense lança primeiro livro e surpreende pelo estilo clássico de escrever

Inspirada na França do século 19, a obra 'As veredas de Genevive' será lançada nesta sexta-feira, em Manaus 12/06/2016 às 19:48 - Atualizado em 13/06/2016 às 10:42
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Raísa usou o conhecimento em filosofia, história e psicanálise para escrever livro clássico
Natália Caplan Manaus (AM)

O sorriso tímido de Raísa Nogueira Medeiros, 14, guarda um tesouro que só os mais próximos conseguem contemplar. Apesar da pouca idade, ela surpreende pelo vocabulário amplo e a facilidade de expressar sentimentos por meio da arte da escrita. Apaixonada por filosofia, psicanálise e literatura clássica, a estudante se prepara para revelar este talento para o mundo, com o lançamento de seu primeiro livro: “As Veredas de Genevive”.

Antes de chegar às prateleiras, a obra demorou dois anos para ser finalizada. Ou seja, a amazonense começou a escrevê-la aos 12 anos de idade. E, diferentemente do que algumas pessoas possam imaginar, não se trata de uma história infantil ou simples. A adolescente enveredou por uma trama de época — entre o fim do século 18 e o começo do 19 —, marcada por drama, suspense, paixão e aventura. 

“Tenho muita influência dos autores franceses, principalmente, Victor Hugo, que escreveu ‘Os Miseráveis’ e o ‘Corcunda de Notre Dame’. Quando eu li ‘Os Miseráveis’ me apaixonei pela França revolucionária do século 19, pelo estilo romântico, a valorização das emoções. Esse estilo de escrever é o jeito que eu escrevo. É a principal fonte inspiração do meu trabalho”, declara, ao também citar Gaston Leroux, autor da obra icônica “O Fantasma da Ópera”.

Raísa perdeu as contas de quantos livros já leu. Antes mesmo de aprender o “ABC”, já tinha um gosto refinado. Enquanto a maioria das crianças se apega ao gênero infantil, ela queria ouvir as incríveis histórias de Júlio Verne, também autor de “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “A Volta ao Mundo em 80 Dias”. Além dele, outros escritores renomados fizeram parte das primeiras experiências literárias da estudante.

“O meu livro favorito na infância era ‘Viagem ao Centro da Terra’. Eu li entre os sete, oito anos. Me apaixonei pelo jeito que ele escrevia”, lembra. “Mais crescida, comecei a notar a diferença entre os estilos literários e gostei muito do clássico justamente por conta da complexidade das histórias. Comecei a ler Edgar Allan Poe (autor, poeta, editor e crítico literário americano) e William Shakespeare (inglês considerado o mais influente dramaturgo do mundo)”, completa.

Essência e humanidade

Além dos clássicos literários de ficção, Raísa Medeiros também tem interesse por assuntos ainda mais complexos. Na busca por conhecimento, ela pesquisa sobre filosofia, psiquiatria e até psicanálise. “É importante que os personagens tenham sentimentos e vivam relacionamentos complexos”, enfatiza. “No meu livro, a personagem principal, Genevive, usa a filosofia de Jean-Jacques Rousseau como um guia de vida. Gosto das ideias dele, da maneira como falada bondade do ser humano”, explica ao citar sua frase favorita do filósofo suíço: “Se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz”.

Mensagem de esperança

O livro “As Veredas de Genevive”, publicado pela editora Chiado, será distribuído em todo o Brasil — nas livrarias Cultura, Galileu, Janina, Cia dos Livros, Travessa, EasyBooks, Livrarias Curitiba, Blooks e Saraiva — e também estará disponível em Portugal, Cabo Verde e Moçambique. A jovem Raísa Nogueira Medeiros, que foi convidada para participar da Bienal do Livro de São Paulo deste ano, espera que o público entenda a mensagem apresentada na obra.

“Meu livro é para jovens e adultos. Quero passar a mensagem que, em pequenos atos, existem grandes feitos; Uma pequena coisa que você faz significa algo muito maior. No final, se você acreditar e tiver esperança, as coisas vão dar certo. Espero que as pessoas gostem. O mundo precisa de esperança”, afirma.

A escritora revelou, ainda, outras ferramentas de estudo essencial na criação da história em uma época que nem viveu. “Me interesso muito por psiquiatria e psicanálise; porque; se você entende como funciona a mente humana, tem maior capacidade de criar personagens mais humanos, com os quais o público possa se identificar”, finaliza.

Entrevista:

Quando surgiu esse amor pela leitura? Como incentivar jovens a ler?

Meu amor pelos livros veio de forma natural, quando a minha mãe lia histórias. Eu prestava atenção e gostava de imaginar os personagens. Desde que aprendi a ler, comecei a me encontrar nesse mundo. Nas escolas, a leitura é imposta como uma obrigação. Muitos dos meus colegas lêem só para tirar boas notas. Para os jovens se interessarem, eles precisam ser incentivados a ler como uma opção de prazer, não somente para ir bem nas provas.

Você quer continuar na profissão de escritora?

Eu pretendo continuar, mas conciliar com a carreira de diplomata. Pretendo fazer faculdade de Direito e me tornar diplomata, mas sem deixar a escrita. 

Então, o público pode esperar um novo livro em breve?

Já estou trabalhando no meu segundo livro, mas não é uma continuação do primeiro. É um romance, que acontecerá nos Estados Unidos, nos dias atuais. A previsão é de que esteja pronto em dois anos também. Pretendo, um dia, escrever peças de teatro e musicais.

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