Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ARTE E PASSARELA

Aos 70 anos, artista plástico negocia parceria de suas obras com grifes

Segundo Antonio Peticov, planos para inserção no mercado de grifes incluem aproximação com o público jovem. Artista plástico já fez exposições em algumas das melhores galerias de arte do mundo



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Artista retornou há 18 anos para São Paulo, onde montou seu ateliê (Foto: Divulgação)
24/01/2017 às 10:45

Aos 70 anos, Antonio Peticov nem pensa em dar uma pausa na arte. Pintor, escultor, desenhista, gravurista, hológrafo e programador visual, o paulistano se prepara para estrear em uma nova vertente: assinar coleções temáticas de moda e acessórios. Em entrevista ao BEM VIVER, ele não pode revelar com quais grifes trabalhará, mas falou sobre carreira, inspiração e suas expectativas para 2017.

“Há planos de parceria, ainda para este ano. Não podemos divulgar as marcas, mas o objetivo é me aproximar dos jovens, pois muitos conhecem a minha obra, mas não sabem quem eu sou”, afirmou o artista plástico, que já fez exposições em algumas das melhores galerias de arte da Itália, Holanda, Japão, Estados Unidos, Chile, França, Suíça, Alemanha, México, Bulgária, Inglaterra, Bélgica, Uruguai, Coreia e Brasil.

Depois de viver quase três décadas entre Londres, Milão e Nova Iorque, Peticov retornou há 18 anos para São Paulo, cidade que abriga diversas obras públicas dele. Autor de três documentários em curta metragem sobre o próprio trabalho, ele tem oito livros publicados. Especialista em Geometria Sagrada e na Seção Áurea, com um forte caráter matemático na arte, o artista prefere não se limitar.

“Eu não tenho ‘estilo’. Em outras palavras, não faço ‘produtos’, pois defendo a total liberdade de criação do artista que, por definição, deveria ser o mais livre dos profissionais. Em meu trabalho tenho procurado indagar um pouco sobre tudo o que tenho apreendido, com uma particular atenção à harmonia da natureza, transcendência e o processo criativo, tudo construído e estruturado segundo proporções matemáticas”, explicou.

Inspiração

Membro da “North American Lewis Carroll Society” e um dos “Friends of Martin Gardner”, Antonio Peticov teve o trabalho difundido mundialmente por meios de capas de discos e de livros, assim como calendários, cartões postais e pôsteres, geralmente associado às mostras. A inspiração para se tornar um artista plástico foi Mario Sales Junior — praticamente desconhecido, entretanto, de grande talento.

“Aos 13 anos de idade, conheci o diretor de Arte da Casa Publicadora Brasileira, no Rio de Janeiro, aonde meu pai foi trabalhar. Mario Sales Junior, o Marsal, era um artista completo e, ao conhecê-lo, reconheci nele a minha vocação. Daí para frente, não parei mais”, lembrou o paulistano. “O Marsal era desconhecido e já na minha adolescência não se ouvia mais falar dele”, completou.

Obras sem ‘balização’

Questionado sobre o que espera da nova geração de artistas plásticos brasileiros, Antonio Peticov apenas espera que eles “estudem com afinco e trabalhem muito para criar um sólido catálogo pessoal de possibilidades”. Ele, inclusive, defende que todos tenham o direito de licenciar os direitos autorais de seus trabalhos, como uma forma de ter retorno financeiro. Porém, sem exagerar ou banalizar as obras.

“O artista tem que sobreviver e o licenciamento de imagens pode garantir independência financeira, fundamental para o exercício da liberdade de criação. Sem exagerar, porém, mantendo o bom gosto e a discrição sem inundar o mundo com a ‘sua cara’”, declarou, ao citar que o Brasil não tem tantos apreciadores de arte. “As estatísticas dizem que menos de 6% da população do Brasil já entrou em um Museu”, lamentou o artista.


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