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LITERATURA

Após 40 anos, escritor lança livro de poesia

Jorge da Cunha Lima fala sobre nova obra, que levou dez anos para ser finalizada e chega às lojas em agosto 26/07/2017 às 11:39
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Poetas renomados são referências para a nova obra de Jorge da Cunha Lima, a trilogia 'Troia/Canudos'
Natália Caplan Manaus

“De onde vem a poesia?”, pergunta um anjo. A poesia responde: “Vem dos sentimentos. Essas pedras de carne e osso, que se encontram no caminho: do amor, da amizade e da solidão”. Esse é um dos trechos do livro “Troia/Canudos”, que marca a volta de Jorge da Cunha Lima, 85, ao gênero. Foram 40 anos dedicando-se a outras atividades, como presidir emissoras de televisão e escrever outros tipos de literatura, como romances e ensaios.

“As oportunidades políticas ocuparam o espaço: campanha do André Franco Montoro para governador, que eu coordenei. Campanha das Diretas [Já], da qual também fui coordenador. Presidência da TV Gazeta e presidência da TV Cultura...”, lembra o escritor, ao fazer uma ênfase no relacionamento com o estilo. “Não abandonei a poesia. Ela que me abandonou pela ingratidão”, completa.

Hoje, quatro décadas após a última obra inédita, essa carrega a contribuição de autores que foram referências de uma vida para o escritor paulistano: James Joyce, Homero, Franz Kafka, Virgílio, Dante Alighieri, William Shakespeare, Luís de Camões, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. De acordo com Lima, todos surgem de alguma forma neste novo trabalho. Porém, afirma não ter uma “inspiração”.

“A poesia não vem da inspiração, mas de uma percepção, única, dos fenômenos humanos”, declara, ao ressaltar que também não existe uma mensagem específica para quem prestigiar o livro que  será lançado no dia 15 de agosto. “Tudo é mensagem e metáfora na poesia. Espero que o leitor as desdobre com a sua própria percepção. Poesia é o que transita a partir do leitor”, completa.

Recomeço

“Troia Canudos” é uma trilogia. Além do conjunto de poemas que dá título ao livro, há mais duas partes distintas, “Tahina Khan” – uma sucessão de viagens poéticas, que fala do mundo e usa, para isso, quatro idiomas diferentes – e “Lições”, reflexões poéticas sobre o tempo, os afetos, o correr da vida. No total, o poeta levou dez anos para finalizar a nova obra. Um imprevisto deu uma guinada nos planos de Lima, que precisou recomeçar o trabalho do zero.

“Eu tinha, apesar da política, muitas poesias escritas no período. Selecionei, com ajuda do Regis Bonvicino [poeta, tradutor, crítico literário e editor brasileiro], as melhores poesias. Coloquei tudo no meu laptop. Joguei fora os originais”, lembra. “Um ladrão roubou o laptop e eu fiquei sem poesia. Então, resolvi dedicar todas as manhãs à poesia, aos ensaios e à literatura em geral. Daí, saiu o ‘Troia/Canudos’”, revela.

TRÊS PERGUNTAS para Jorge da Cunha Lima, escritor

O trabalho é uma trilogia. Sobre o que são as poesias de cada parte?

Primeira, os poemas extraídos do universo de Homero e das tragédias gregas. Em contraponto, Antonio Conselheiro, de ‘Os Sertões’. De ‘Troia’ até a ‘Troia de Taipas’. Segundo, o universo de minhas viagens, sobretudo as Américas e a Europa. Por fim, as Lições, da vida e da poesia.

Quais os próximos projetos em produção?

Um livro que se denomina ‘Porta Retratos’, em andamento. Retrato, como um pintor, mas em poesia, artistas, amigos e familiares. Nunca vi a poesia fazer isso, a não ser em casos particulares.

Qual é a diferença de suas primeiras poesias em relação às escritas nos últimos anos?

Há uma diferença entre a poesia da juventude e da maturidade. Na primeira, as descobertas e na segunda, as perdas. Mas perdas que se renovam em descobertas.

PERFIL

Jorge da Cunha Lima formou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Como poeta, publicou “Ensaio Geral”, “Mão de Obra” e “Véspera de Aquarius”. Romancista, assina “O Jovem K”. Jornalista e ensaísta, escreveu “Cultura Pública”; foi editor e redator; secretário de Cultura do Estado de São Paulo, presidente da TV Gazeta e presidente da TV Cultura.

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