Publicidade
Entretenimento
Vida

Aprenda como lidar com a puberdade precoce sem trazer riscos para a criança

Não há uma causa definitiva para o distúrbio, pode ser genética, idiopática ou orgânica. Segundo especialista, incidência é maior entre meninas com sobrepeso 03/10/2015 às 11:12
Show 1
Fatores Psicossociais podem acelerar a puberdade
HELLEN MIRANDA Manaus (AM)

A puberdade é a fase em que o relógio biológico dos meninos e meninas apita indicando a passagem da infância para a adolescência. Nos meninos os sinais de transformação física devem aparecer em torno de 9 a 14 anos, e nas meninas de 8 aos 13. Porém, algumas crianças podem passar por essas mudanças no corpo mais cedo, antes mesmo de largarem seus brinquedos, como explica o endocrinologista Mário Quadros.

“O aparecimento dos primeiros sinais puberais (surgimento do broto mamário) nas meninas antes dos 8 anos e o nos meninos (aumento do volume testicular) antes dos 9 anos, são considerados precocidade sexual. Ainda nota-se, em ambos sexos, o aumento  da velocidade de crescimento, o chamado estirão puberal”.

Não há uma causa definitiva conhecida para a puberdade precoce, ela pode ser genética, idiopática ou orgânica. Desconfiava-se que a alimentação inadequada para a idade tinha um papel no surgimento do distúrbio, principalmente alimentos de origem animal como aves e gado, que recebem suplementos artificiais na sua criação, mas isso não foi comprovado.

Fatores como obesidade infantil e sedentarismo também podem levar à puberdade precoce. Quadros recomenda atenção para outras causas como meningites, trauma craniano, radioterapia do cérebro, hipotiroidismo, tumores intracranianos, gonadais e abdominais e uso de medicamentos a base de hormônios.  

De acordo com o especialista, a incidência é maior entre as meninas com sobrepeso. “A obesidade infantil acelera a puberdade em meninas, pela formação de estrógenos em altas doses pelo tecido adiposo, o que explica o porquê é três vezes mais frequente a precocidade sexual nas meninas do que em meninos”, explica. Também alterações nos ovários e nas glândulas suprarrenais podem ser causa do distúrbio em meninas.

Para a psicóloga Pollyana Mamede, os fatores psicossociais aos quais as crianças são expostas hoje em dia podem ter um papel importante para o crescimento da ocorrência. “As crianças possuem comportamentos sexualidades,   condizentes com o de um adulto, e isso faz com que o seu processo psicológico seja acelerado, fazendo o cérebro entender que a criança está preparada para mudanças que na verdade não está; nesse sentido há a possibilidade de fatores sócioculturais tenham um papel junto aos fatores biológicos na puberdade precoce”, afirma. 

Diagnóstico 

É realizado por um conjunto de informações, a partir do histórico clínico da criança, exame físico e testes complementares, como o RX das mãos para avaliar a idade óssea, sendo fundamental para diagnóstico e acompanhamento dos casos.

“Se a idade óssea estiver 2 anos adiantada, já caracteriza precocidade sexual e indica o tratamento imediato. Além do RX, pedimos dosagens hormonais e ultrassom pélvico e abdominal, para classificação do tipo de puberdade”, orienta Mário Quadros. Geralmente o pediatra é o primeiro a receber a criança, e esta pode ser encaminhada ao especialista, o endocrinologista  pediátrico, para uma avaliação mais direcionada.

Tratamento

O objetivo do tratamento é conter a evolução das características físicas e minimizar as sua implicações psicossociais, além de conter o crescimento rápido antecipado que pode afetar a altura. Sabe-se que ao menstruar a menina já atingiu 87% da sua altura final e, se isso ocorrer muito cedo, ela terá um prejuízo no crescimento, que em alguns casos chegar a perda de 5 a 7 cm na altura final.

Segundo Quadros, dependendo do caso deve-se bloquear o avanço da puberdade usando medicamentos que diminuem a produção hormonal sem nenhum dano à saúde do paciente; o acompanhamento é trimestral e alguns casos usam-se drogas combinadas.

De acordo com Pollyana, o desenvolvimento precoce pode acarretar diversos problemas físicos e/ou psicológicos. Tais como: mudanças corporais, transtornos alimentares, ansiedade, comportamento agressivo, problemas em relação à autoimagem e até mesmo bullying. “É importante não olhar apenas para os sinais físicos, mas também para os sinais psicológicos que estarão presentes nesta fase”, enfatiza.

Apoio familiar

A família está no centro do desenvolvimento pessoal e social nessa fase. Neste sentido, convém sublinhar que os comportamentos demasiadamente opressores, a falta de comunicação, a indiferença ou problemas de desorganização familiar podem ter repercussões negativas na maturação psicológica. “A orientação psicológica é ser necessária para apoiar o filho de forma correta”, finaliza a psicóloga.

Publicidade
Publicidade