Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Vida

Arraiais ‘prolongam’ a tradição das festas juninas em Manaus

Cada vez mais, os festejos em homenagem a São Pedro, Santo Antônio e São João estendem costumes, que no passado



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Há mais de 15 anos a paróquia São Pedro Apóstolo, no bairro Petrópolis, organiza o arraial tão esperado pela comunidade, com direito a quadrilha, comidas típicas, brincadeiras e outras tradições ‘juninas’
11/07/2015 às 11:35

Pular fogueira, comer canjica e dançar quadrilha faz parte da tradição das festas juninas. Mas muitas dessas “tradições” estão se perdendo em um universo que vive em constante mudança, inclusive, no mês em que essas festas costumam ser comemoradas. Por outro lado, muitos acreditam que é possível manter a “raiz”, o aspecto popular e religioso da brincadeira sem perder a essência, mesmo quando a “festança junina” invade os meses de julho e até agosto. Pelo menos é o que pensa o padre Hudson Ribeiro, responsável pelo Arraial de São Pedro, no bairro Petrópolis, na Zona Centro-Sul.

Há 15 anos à frente da paróquia São Pedro Apóstolo, todos os anos padre Hudson organiza o tão esperado arraial, que está previsto no calendário da comunidade. “Nada melhor que ter São Pedro como padroeiro do bairro. Aqui nós procuramos manter viva a tradição, tanto no aspecto folclórico, com as danças que são produzidas no bairro, quanto na religiosidade popular, celebrando São Pedro, sem inovar muito, mesmo com tantas transformações nos últimos anos”, afirmou o religioso, ao lembrar que as festas juninas surgiram para celebrar Santo Antônio, São João e São Pedro.

Segundo o padre, várias características da brincadeira são mantidas vivas até hoje para não perder o sentido da festa. As músicas, as comidas, as brincadeiras, tudo segue o “padrão caipira”, típico de quem veio do interior. A ideia, conforme o padre, é promover a socialização entre as pessoas, em uma época em que as relacionais interpessoais parecem estar comprometidas. “Oferecemos um espaço para as famílias interagirem porque percebemos que as pessoas estão tendendo ao isolamento das redes sociais, da internet. Quem vem para cá, vai ouvir música junina, xote, baião, ou seja, os ritmos que são da época, vão comer as comidas do período, feitas à base do milho e da mandioca, e vão dançar quadrilhas, coisa que, hoje em dia, é difícil encontrar por aí”, comenta.

Lazer em família

Para o técnico de segurança Robson Maciel, 26, congregar a família no mesmo espaço é uma das principais satisfações que os arraiais proporcionam. E, para ele, ir para o arraial e não brincar no bingo não tem graça. “Todos os anos minha família se reúne aqui para brincar e sempre levamos algo para casa. Virou tradição: fazemos questão de participar da brincadeira”, disse ele, sentado em uma mesa com uma cartela na mão, esperando a próxima pedra para marcar.

Já para a dona de casa Sivalda Silva de Almeida, 42, as quadrilhas e danças típicas a fazem lembrar da época de criança, quando ela também dançava no bairro onde morava. Mas, agora, a diversão dela é outra: ver os sobrinhos de 4 e 6 anos se divertirem na barraquinha da pescaria. “Junho e julho são meses muito festivos pra gente. Adoro festa junina porque lembro de quando era criança e, agora, gosto de trazer os meus sobrinhos para brincarem. Eles também adoram ‘pescar’ os brindes”, conta.

Tradição ‘julina’ há 19 anos

 Na Compensa, na Zona Oeste, um dos principais arraiais é o Festival Folclórico do Ipase. Em sua 19º edição, o festival acontece durante quatro finais de semana do mês de julho e chega a reunir até 1.500 pessoas a cada noite.

Para a organizadora do evento, Ana Cristina Souza, 47, trata-se não só de uma opção de lazer, mas também uma oportunidade de negócio para os moradores da comunidade. “Temos sete barracas e os responsáveis por cada uma delas têm a chance de ampliar seus negócios nesse período. É uma forma de ajudar e de reunir público”, explica a organizadora.

Segundo ela, além dos grupos de danças folclóricas que atuam no bairro, outros também são convidados para se apresentar, desde as crianças aos mais velhos, com direito até a casamento caipira. “A gente tem de tudo um pouco aqui, comidas típicas, parque de diversão para as crianças, danças e quadrilhas. Só não temos fogueira porque é perigoso devido às crianças”, explicou ela.

Festejos vão bem além do mês de junho

As festas juninas são tão esperadas que acabam “entrando” pelos meses de julho e agosto. Um exemplo disso é o próprio Festival Folclórico do Amazonas, o mais tradicional do Estado.

Em sua 59ª edição, o festival iniciou no último dia 3 e segue até o dia 14 de julho. O “atraso” se deve, muitas vezes, à falta de entendimento entre os envolvidos para definir a data ou falta de recursos para as agremiações de danças tradicionais, quadrilhas e os boi-bumbás da capital.

Para o padre Hudson, isso acontece porque até o poder público deixou de dar valor à produção popular. “Existe uma atenção demasiada ao Festival de Ópera,por exemplo, e se deixou de dar atenção para o que nasce do povo, como a quadrilha de rua”, criticou. 



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