Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Vida

Arte da mágica se diversifica na era da tecnologia

Atividade artística centenária sobrevive à modernidade e se expande para outros públicos e palcos no início do século 21



1.jpg Cristina Sbano apresenta performances de mágica no Mirage Circus
21/09/2013 às 16:29

Há uma expressão que diz que toda mágica é feita com “fumaça e espelhos”. Apesar da aparente simplicidade, no entanto, a arte da ilusão se mantém viva e bem em plena era da tecnologia. Nas últimas décadas, mágicos e ilusionistas ampliaram seu leque de números, diversificaram sua atuação e conquistaram novos palcos e públicos nos shoppings, nos teatros, na televisão e até mesmo na Internet.

Naturalmente, as performances de mágica mudaram de feição ao longo do tempo: o mágico tradicional, aquele com o coelho na cartola, deu lugar a artistas mais versáteis, que atraem o público com espetáculos mais e mais inovadores e dinâmicos. Para William Reiss, mágico e pequeno empresário, a personalidade é uma das qualidades fundamentais para os profissionais da magia de hoje.

“Hoje o mágico tem de ser não só mágico, mas também único. A personalidade é que mantém a influência da arte mágica até hoje”, afirma o profissional. “É o mesmo caso de uma piada: qualquer um pode contar uma, mas sempre haverá um que conta melhor que os outros”, completa.

Segredos revelados

Mais recentemente, a televisão e a Internet de certa forma obrigaram os mágicos a buscar caminhos diferentes para suas performances. Isso por conta de figuras como o malfadado Mister M, na tevê, e de certos usuários do site de compartilhamento de vídeos Youtube, que expuseram o segredo da realização de alguns dos truques mais comuns dos espetáculos de magia.

“De certa forma, isso deu uma sacudida, levando os mágicos a se renovarem e fazerem coisas diferentes. Não sei se foi bom ou ruim, mas foi uma virada para quem trabalha nessa área”, afirma Cristina Sbano, mágica paulista do Mirage Circus, hoje em Manaus. “Hoje todo profissional precisa estar se renovando. ‘Ah, descobriram esse truque? Que pena! Vamos fazer outro’”, diz.

Novidade

Além de inovar nos números, cada vez mais espetaculares – e fascinantes –, os mágicos adotaram linguagens de outros segmentos da arte como forma de atrair e manter a atenção dos espectadores. Reiss é um exemplo: em seus shows, ele incrementa os truques com humor. “Faço o que chamo de stand-up magic: misturo um pouco da comédia com a mágica. Disso saiu algo que as pessoas gostam e indicam para as outras”, comenta.

Reiss também viu na mágica uma oportunidade de negócio: há um ano ele abriu o Quiosque do Mágico (www.quiosquedomagico.com.br), que vende DVDs e kits de mágica, desafios e itens divertidos. “A ideia é que as pessoas se interessem pela mágica”, assinala ele, que faz truques nas lojas no Millennium Mall e no Uai Shopping. “Elas adoram, pois podem ver shows de mágica e, se quiserem, podem comprar kits para fazer em casa”.

Tradição

Segundo Reiss, truques com cartas são os mais populares entre o público do Quiosque – que ainda pode comprar lá baralhos Svengali, para iniciantes. Já no picadeiro, segundo Cristina, as performances de levitação estão entre os mais ovacionados. “É um truque que sempre vai e volta”, diz.

O interesse das pessoas, num shopping ou no circo, comprova que a mágica ainda exerce grande fascínio sobre as pessoas. Mas de onde vem esse poder? Para Cristina, a resposta é: a própria magia.

“O mágico será sempre aquele que faz aparecer, desaparecer e encantar, e que hoje você encontra num circo tradicional ou num grande teatro em Las Vegas”, declara. “A mágica, por assim dizer, nunca vai perder a magia”.

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