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Arte no Quadrado na era do Instagram

Profissionais de Manaus falam sobre o aplicativo e seus impactos 18/08/2013 às 17:43
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Raphael Alves, Marcela Pinheiro e Michael Dantas usam o Instagram
Jony Clay Borges ---

Não faz nem três anos que o Instagram surgiu nas telinhas dos smartphones, mas o aplicativo tem causado impacto na fotografia. Cada vez mais, as imagens de corte quadrado típicas da app vêm se tornando comuns nos celulares, timelines e páginas da Internet. Na véspera do Dia Mundial da Fotografia, A CRÍTICA conversou com profissionais e diletantes sobre essa pequena revolução no campo da arte feita de luz.

Mas será que se pode falar do Instagram como “revolução”? Para Marcela Pinheiro, autora do blog TchelaVih, sim. “Ele é o meio com que as pessoas compartilham foto agora”, ela destaca, no que aponta como decorrência da evolução tecnológica das câmeras de celular.

Na visão do fotógrafo Michael Dantas, essa evolução por si só foi uma revolução. “Nem sempre você anda com uma câmera, mas um celular você sempre tem à mão. Em alguns lugares, nem com uma câmera se pode entrar. E mesmo quem não tem grana para comprar uma câmera boa, consegue comprar um celular – e eles trazem câmeras cada vez melhores”, afirma ele.

Por outro lado, a essência da fotografia – enquadrar e clicar – permanece praticamente a mesma, como lembra o fotógrafo Raphael Alves. “As novas tecnologias não substituem a capacidade que um bom fotógrafo tem de ir além do que se vê, de gerar sentido e significado”, afirma ele.

Tornando popular

Revolução ou não, é inegável que o Instagram e os smartphones ajudaram a popularizar a fotografia. Para Marcela, as pessoas estão aprendendo a fotografar até “sem querer”. “Tem gente se preocupando com a luz, entendendo porque fica escuro se ficar contra a luz e tal. Pessoas que nunca se interessaram por fotografia, nunca tiveram câmera profissional, agora têm nas mãos uma ótima lente para produzir fotos”, avalia.

Jimmy Christian, fotógrafo e artista visual (@jimmychristians), é da mesma opinião. Com o Instagram, ele diz, “todos podem registrar seus momentos, com a vantagem de trabalhar as imagens como se fosse profissional. Todos têm acesso de fazer uma boa foto”.

Christian acrescenta que essa popularização produziu um “inevitável bombardeio de imagens” – o que se vê com mais evidência nas redes sociais. No entanto, ele e os demais concordam que nem tudo que reluz no Instagram é ouro, por assim dizer. “Não é qualquer fotografia que se pode considerar uma obra de arte. Tem de haver sensibilidade por trás dos aplicativos”, opina Christian.

“Quantidade de megapixels, tamanho da objetiva, filtros e aplicativos não substituem o olhar”, sentencia Alves. Mesmo em tempos de Instagram, portanto, segue valendo a máxima do mestre Henri Cartier-Bresson: “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”.

Bem na foto do celular

Com milhares de perfis e fotos no Instagram, como fazer bonito e se destacar na rede? Marcela Pinheiro aposta numa combinação de inspiração, noções de luz e composição e conhecimento dos recursos do aplicativo. “Tem que estar ligado nas tendências também, saber usar as hashtags a seu favor, escolher o melhor efeito pra cada foto e explorar o máximo do app”, opina.

Michael Dantas fotografar o que se gosta, e de tudo: “Não fazer só fotos de comida, nem só retratos”. E invista nos efeitos: “Eu me amarro nos filtros do Instagram, até porque não sou expert do Photoshop”, confessa.

Para Christian, uma forma de buscar a originalidade é fazer o olhar viajar, por assim dizer: “Ser original é você estar ligado ao seu tempo. Ler é uma dica muito importante, conhecer outras culturas e viajar é outra”.

Para adicionar

O fotógrafo Raphael Alvez está na rede social com o nick @photo-raphaelalves, enquanto o fotógrafo Michael Dantas está como @fotomichaeldantas. Já a blogueira Marcela Pinheiro está no Instagram com o nome @tchelavih.

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