Domingo, 21 de Abril de 2019
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Conhecimento

Arte para não-artistas: quando o quadro que você pinta é o autorretrato de si mesmo

O artista plástico Nelson Falcão diz que a arte deve ser vista como uma ferramenta que permita as pessoas a olharem um pouco para elas mesmas. “Não é como uma arte-terapia, um curso de auto-ajuda, ou esotérico. A ideia é usar a arte como elemento de auto-percepção porque de fato esse é o papel da arte”, pontua ele


09/04/2017 às 05:00

A advogada Claudia Bernardino, 52, costuma dizer que tem muitos “pratos a equilibrar” no dia a dia dividido entre o mundo jurídico e seu eu interior. “O meu cotidiano é pesado e exige de mim muita racionalidade e responsabilidade. Ao mesmo tempo em que não posso me desligar da sensibilidade, da emoção e da intuição”. Ela sempre quis mergulhar no mundo da arte e não para aprender técnicas, mas para aprender a conhecer a si mesma e a lidar com as suas emoções. E, com a ajuda da arte, ela conseguiu.

Segundo Claudia, a pintura a fez revisitar muitos momentos da vida. “Momentos fortes e únicos e tenho certeza do quanto consegui ver estes momentos de frente e enfrentá-los, porque mexem conosco e nos trazem fortalecimento. Na primeira aula já senti uma avalanche de sentimentos e sensações. A pintura me conectou com minhas emoções de forma intensa”, pondera ela. Ao ser questionada sobre o que pinta – se pinta árvores, flores e pessoas – ela de pronto responde: “Eu pinto emoções. Sentimentos”. 

Resgate

Outro que teve o emocional beneficiado pela arte foi o aprendiz de tatuador Luís Guilherme Bittencourt, 25. Segundo ele, a família é cheia de artistas “frustrados”. “Acabaram deixando a arte de lado e carregam grandes frustrações até hoje. Por isso decidi abraçar o meu lado artístico, mas tinha dificuldade de me expressar e pôr minhas emoções para fora”, explica Luís. O jovem começou a atividade de pintura desenhando triângulos, círculos, aspirais e olhos de forma puramente intuitiva. “Usei toda a variedade de cores que tinha à mão, como vermelho, azul, verde, amarelo e preto”, diz ele.

Com o passar do tempo, Guilherme percebeu que as formas pintadas por ele exprimiam toda a ansiedade que ele sentia. “E tristeza também. São acúmulos de pequenas coisas que acabam virando uma bola de neve dentro da gente”, conta. Depois que começou a pintar, ele começou também a compreender suas emoções e colocá-las para fora. “Se torna muito mais fácil lidar com elas e a bola de neve emocional não vai mais se acumulando”, afirma Bittencourt. Depois, o mal estar que ele sentia ao reprimir-se enfim passou.

Aprendizado

O artista plástico Nelson Falcão diz que a arte deve ser vista como uma ferramenta que permita as pessoas a olharem um pouco para elas mesmas. “Não é como uma arte-terapia, um curso de auto-ajuda, ou esotérico. A ideia é usar a arte como elemento de auto-percepção porque de fato esse é o papel da arte”, pontua ele. 

Falcão destaca que, como a arte trabalha muito com memórias, é necessário colocar o praticante em uma imersão, conduzida com exercícios semelhantes à meditação. Mas não são só as lembranças do passado que são acessadas, mas sensações que ainda estão latentes também. “Não é o tema que você trata, mas é sobre como você trata esse tema. É sobre como vai trabalhar a cor da tinta, se será com leveza ou volume, e etc.”, considera Nelson.

O artista assegura: o inconsciente pode nos fornecer símbolos na hora de pintar que, mais tarde, se encaixarão com uma luva no que está dentro de nós. “Uma moça advogada que foi minha aluna no curso de pintura desenhou um espiral, e falei que o espiral simbolizava o inconsciente. Ela me perguntou se a forma do espiral lembrava uma serpente, de certa forma. Quando pedi a ela que se concentrasse no fundo do espiral, ela disse ter tido a sensação de que o espiral nunca acabava e sempre se reiniciava”, conta ele. 

Ao questionar à aluna o que a continuidade do espiral representava para ela, a moça disse que aquilo representava as verdades que não são absolutas. “Depois eu disse a ela que a serpente que eu mais gosto é a Ouroboros. Na mitologia é a serpente que engole a própria cauda. Ela simboliza uma busca interminável pelas verdades. E a aluna pintou aquilo sem saber o simbolismo”, completa Nelson.

Serviço

Para os interessados em aprender tópicos sobre pintura, o curso "A arte dos anjos"vao acontecer durante quatro sábados (22 e 29 de abril/06 e 13 de maio), das 10h às 13h. Nos mesmos dias, mas ao período da tarde acontecerá o curso "Vivências em Pintura", das 15h às 18h. O curso de "História e Estética da Arte" acontecerá de 25 a 28 de abril, das 19h às 22h.

Porém, para quem quiser começar os estudos em arte e no processo de auto-conhecimento, o curso "O Poder da Arte" acontecerá nos dias 4 e 5 de maio, das 19h às 22h. Todos os cursos listados vão acontecer no Espaço de Arte “Onde Nascem os Mitos”, que fica na nova sede do Colégio Martha Falcão, na Rua Salvador, 455, Adrianópolis. Os cursos serão ministrados pelo artista Nelson Falcão. Informações e matrícula: (092) 98802-4432.
 

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