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TRABALHO DOS SONHOS

Artista de 22 anos dirige nova montagem de 'Dessana, Dessana' no Festival de Ópera

O jovem Matheus Sabbá acaba de se formar em teatro na UEA e quer seguir carreira como diretor de musicais 28/04/2018 às 10:34 - Atualizado em 28/04/2018 às 21:21
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Ópera tem 60 pessoas em cena e equipe 100% local (fotos: Antonio Lima)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

O amazonense Matheus Sabbá tinha apenas 14 anos quando assistiu, em São Paulo, à versão de Miguel Falabella para o musical “Hairspray”, uma das produções mais premiadas da Broadway. O espetáculo pegou o jovem ator pelo coração e só reforçou nele o interesse por esse gênero teatral. “Aqui em Manaus eu sempre assisti aos musicais da Cia. Metamorfose e fiz muitos musicados infantis com ela também, mas quando eu vi onde essa linguagem podia chegar passei a sonhar em cuidar de algo dessa complexidade algum dia”, lembra.

E essa paixão foi atingindo outros patamares com o passar do tempo. No ano passado, Sabbá assinou a direção dos musicais “Kids – O Show” e “Dream”, em parceria com a ex-The Voice Kids Marcella Bártholo. Depois veio a ambiciosa montagem de “Urinal”, outro clássico da Broadway, que serviu como o TCC dele no curso de Teatro da UEA. Agora, aos 22 anos, o artista encara novo desafio: a direção cênica da ópera “Dessana, Dessana”, que estreia neste domingo (29) dentro da programação do 21º Festival Amazonas de Ópera. Com esse trabalho, Matheus se torna o diretor mais jovem da história do evento.

“Ter feito o ‘Urinal’ com o sucesso que ele teve e agora estar no Festival de Ópera ao lado de profissionais maravilhosos é muito gratificante porque sempre foi o que eu quis. Sempre trabalhei para que eu pudesse chegar perto de oportunidades como essa”, comenta ele, que conta com Eduardo Klinsmann na assistência de direção.

Releitura

Com partitura de Adelson Santos e libreto de Aldísio Filgueiras e Márcio Souza, “Dessana, Dessana” é um marco do teatro musical amazonense. O espetáculo estreou em 1975 em montagem do Teatro Experimental do Sesc (Tesc) e foi reencenado no 9º Festival de Ópera, em 2005. O enredo apresenta a criação do mundo e da humanidade sob a ótica da etnia do Alto Rio Negro.

Quando a organização do festival decidiu produzir uma releitura de “Dessana, Dessana” na edição deste ano, a ideia era reunir uma turma de profissionais jovens, que dessem uma cara nova ao trabalho. Além de Matheus, que já havia feito algumas participações como ator em edições anteriores, destacam-se Adroaldo Pereira como figurinista e o grafiteiro Raiz Campos como assistente de cenografia.

Segundo Sabbá, o processo de produção incluiu pesquisas em diversas fontes e conversas com indígenas. “Esse mito da criação tem várias interpretações, mas partimos basicamente da adaptação feita pelo Márcio e pelo Aldísio. Com o que coletamos em livros e documentários foi possível chegar a um denominador comum sobre esse lugar mítico em que deuses e indígenas se reúnem para criar o mundo”, explica o diretor.

“‘Dessana, Dessana’ é uma ópera muito cênica, que exige um entendimento teatral grande. Não é como ‘Carmen’ ou ‘La Boheme’, que têm dramaturgias mais certinhas. Tem todo um universo criado em torno de ‘Dessana’, e isso exigiu um cuidado na organização cênica para que isso chegasse ao público de forma mais fácil – não mastigada, mas bem colocada”.

O diretor conta ainda que tomou a liberdade de realçar alguns pontos da dramaturgia. O ambiente da cidade, por exemplo, ganhou mais espaço na nova montagem. “Há também uma crítica à invisibilidade do índio na nossa sociedade. Ao mesmo tempo, isso traz a questão do reconhecimento, pois somos todos iguais apesar das diferenças, nossa raiz é essa, por mais que ela esteja distante de nós”, finaliza.

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