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Artista plástica que usa matéria-prima da floresta amazônica é premiada na Bienal de Florença

Brasileira reconhecida por utilizar a natureza como inspiração, Bia Doria foi premiada na categoria técnica mista do evento internacional 31/10/2015 às 17:49
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Bia Doria esteve com três exposições simultâneas em outubro
ARTUR CESAR Manaus (AM)

A agenda da artista plástica Bia Doria esteve bastante concorrida neste mês de outubro. Ela levou seus trabalhos para três exposições simultâneas, entre elas, a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Florença, na Itália. Foi lá que Bia teve a grata surpresa de ser premiada com suas esculturas de parede “Florações”, cuja matéria-prima veio da madeira extraída da floresta Amazônica. Uma grata surpresa para esta brasileira reconhecida por utilizar a natureza como inspiração.

“Não estava esperando o prêmio, pois é a primeira vez que participo de uma bienal no exterior. Quando chamaram o meu nome até dei um grito de susto (risos). Tinham 350 obras expostas, os jurados eram todos estrangeiros, não tinha nenhum brasileiro. Não tinha esperança alguma”, contou Bia, em entrevista ao VIDA & ESTILO. Ela foi premiada na categoria técnica mista do evento internacional.

A artística plástica conseguiu um tempinho para conversar com a reportagem após o desembarque de Florença. “É sempre um prazer falar com vocês, querida A CRÍTICA de Manaus, que eu amo tanto”, festejou a artista. A afirmação não é da boca pra fora. Bia visita anualmente a capital amazonense, local pelo qual nutre extremo carinho e admiração.

Este ano, infelizmente, a vinda dela teve que ser adiada. “Mas no próximo ano irei, com certeza”, avisa. “Eu dei uma aula para os alunos de uma escola primária de Florença só com registros da floresta Amazônica. Toda a minha fonte de inspiração vem do tema floresta, rio, natureza, meio ambiente. Tudo sempre voltado para o Amazonas, então tenho que voltar aí”.


Parte da obra assinada por Bia Doria. Divulgação

Ela explica que a crise economica que atinge o País interferiu diretamente em um projeto grande que tinha na região, que teve que ser postergado. “Em 2016 nós vamos retomar este projeto, que é com a dançarina Ana Botafogo, que faria perfomances sobre o rio Negro e esta dança se transformaria em esculturas posteriormente”, explica Bia.

Queimadas

A conexão com a cidade é tão grande que ela diz sentir muito quando é informada de que Manaus está encoberta há dias por fumaça devido as queimadas da floresta. “Eu tenho acompanhado essa situação de vocês. Isso é uma pena, porque Manaus sofre muito com isso, já pelo calor em si e também pelo fogo da floresta que se queima. Fica tudo mais sufocante”, lamenta a artista plástica.

“Este é um tema terrível. É um problema grave e a gente não consegue colocar isso na educação das pessoas. O que eu tenho tentado é nas escolas. Agora, por exemplo, estou com uma exposição grande em Goiânia, que vai até 15 de dezembro, e lá estou fazendo workshops com crianças, tentando educá-las desde cedo. É uma questão de cultura, de hábitos. Tenho conscientizado, mas não da maneira que eu gostaria”, confessa.

A fonte de inspiração de Bia queima nas mãos dos homens que deveriam preservá-la e ela promete manter o grito de alerta pela floresta em pé.

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