Terça-feira, 25 de Junho de 2019
VOTAÇÃO ONLINE

Artista plástico da etnia Macuxi concorre a prêmio nacional de arte contemporânea

Jaider Esbell, nascido em Roraima, está em segundo lugar na votação popular do Prêmio Pipa



1470433017720169.JPG O vencedor receberá a quantia de R$ 10 mil, enquanto o segundo colocado ficará com R$ 5 mil
06/08/2016 às 01:22

O artista da etnia macuxi Jaider Esbell, de Roraima, é um dos finalistas da versão online do Prêmio Pipa, uma parceria entre o Pipa Global Investments e o Museu de Arte Moderna do Rio, que tem a proposta de estimular e dar visibilidade à produção brasileira em arte contemporânea. A votação popular está acontecendo no site www.premiopipa.com e encerra neste domingo, dia 7, às 23h59. 

Até o fechamento desta edição, Esbell ocupava o segundo lugar no placar, com mais de 2.360 votos, atrás do também indígena Arissana Pataxó, da Bahia. Para o roraimense, esse é um momento ímpar na arte brasileira. “Essa participação dá oportunidade de as pessoas conhecerem tanto o prêmio quanto os artistas indicados”, diz ele.

“No caso dos indígenas, só depois que ganhamos destaque em exposições fora do eixo Rio-São Paulo que começamos a ser reconhecidos por esse circuito. No meu caso, tive que morar e fazer exposições nos EUA para de certa forma ser visto no Brasil”.

Essa experiência aconteceu entre 2013 e 2014, quando Esbell recebeu a proposta para um intercâmbio como professor convidado no Pitzer College, na Califórnia. “Fui chamado para dar aulas de arte e fazer uma exposição. Foi muito enriquecedor poder trocar experiências com professores universitários de arte e poder falar da Amazônia de uma perspectiva diferente, como um lugar de exploração desenfreada e não só como paraíso”, comenta.

O artista afirma que essa é uma das missões do seu fazer artístico, que se traduz em trabalhos como exposição itinerante “Era uma vez a Amazônia!”, que agora está em Fortaleza e deve chegar a Manaus no segundo semestre de 2018. As 16 obras em papel canson revelam em preto e branco o impacto que deve causar em nós usos e abusos da natureza.

“Com minha arte, quero levar as pessoas a se sentirem parte desse ambiente que retrato, para que elas possam conhecer essa realidade e mudar gestos cotidianos, consumindo com mais consciência e evitando o descarte desenfreado de lixo na natureza”, afirma Esbell.

Ser uma ponte

Para ele, o maior desafio para o artista indígena nos dias de hoje é alcançar a notoriedade em um meio disputado e geograficamente desigual. Um primeiro passo, porém, é mostrar que há indígenas produzindo arte contemporânea em muitos cantos do País. Nesse contexto, Jaider acredita que esses artistas assumem um papel fundamental. “Nossa função principal não é apenas pintar, mas ser uma ponte entre o conhecimento da floresta, a grande comunidade indígena e o restante do mundo”.

E ele tem contribuído para isso de muitas formas, seja desenvolvendo suas habilidades artísticas nos mais variados suportes e linguagens (telas, troncos de árvore, escrita, etc.), ou trabalhando como arte-educador em escolas nas áreas urbana e indígena.

Blog: Jaider Esbell

“O ‘novo’ índio  não está mais no imaginário, está em todos os lugares, na cidade especialmente, firme no seu tempo e conectado nas redes plurais da contemporaneidade, projetando-se em bloco.  O novo índio aceita e contribui com as modernas tecnologias, com a ciência, seja escrevendo, falando ou meramente existindo. Ele preserva e polui, consome e quer dignidade. Merece continuar assim, feliz, vivendo numa floresta viva, também”.

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