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Artista plástico esconde mensagens nas obras que só será revelado após sua morte

Com pinturas enigmáticas, Glauco Moraes guarda um dialeto secreto que só será revelado após a própria morte 01/08/2016 às 11:00 - Atualizado em 01/08/2016 às 11:25
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Conhecido pelas obras coloridas, Glauco Moraes criou um dialeto próprio(Foto Mari Guimarães/Divulgação)
Natália Caplan Manaus (AM)

Imagine um idioma com 14 mil palavras. Porém, apenas uma pessoa em todo o planeta sabe o significado delas, que serão revelados ao mundo somente após a sua morte. Este é o mistério que envolve o trabalho do artista plástico, crítico e curador Glauco Moraes, 45. Conhecido no Brasil e exterior pelas obras coloridas e alegres, ele criou um dialeto próprio, que gera curiosidade em quem contempla os quadros.

“Quando fiz esse dialeto, era apenas para escrever nos meus diários, coisa de criança. E virou uma mania. Comecei aos 12 anos e, aos 19, já tinha muitas palavras. Virou o Norte do meu trabalho e causa uma curiosidade muito grande nas pessoas. Minha obra inteira se chama ‘Diário Secreto’. E cada quadro tem frase escritas que só serão reveladas quando eu morrer. É um segredo que está no cofre de um banco e só será aberto após a minha morte”, diz.

Nascido em uma vila norte-americana, na Guiana Francesa, ele foi registrado em Macapá (AP) e mora em Belo Horizonte (MG) desde a infância. Na capital mineira, construiu uma carreira que já tem 18 anos, mas algumas obras já ultrapassaram as fronteiras, chegando aos Estados Unidos, Chile e Coreia do Sul. Especialistas e doutores em linguagem humana, inclusive, já tentaram decifrar o enigmático dialeto.

“Já vieram várias pessoas formadas em linguística e não conseguiram a tradução. Uma doutora norte-americana estudou, mas para ver se tinha estrutura para a formação de frases. Ela ficou surpresa, porque tem” revela, ao ressaltar o diferencial de sua obra. “O artista sempre pinta a própria vida, de diferentes formas. O artista se revela dentro da sua obra. Eu fiz o oposto: é legível, mas ninguém consegue ler”, completa.

Otimismo

Moraes se declara um grande otimista e, por isso, desenha e pinta somente quando tem capacidade de traduzir emoções positivas em seus quadros. O tamanho das obras do artista plástico, inclusive, costuma ter, no mínimo, 1m80 de dimensão.  Como também estuda metafísica e física quântica, ele afirma acreditar que cada quadro deve passar muito mais que uma mensagem ao observador.

Sou bem focado na questão da vida em si. Nunca trabalho triste. Acredito muito na questão da energia. Quando minha obra estiver na casa de alguém, quero que traga coisas boas. Esse sucesso veio, porque tento passar tudo de bom que sinto e do que acredito da vida. Sou muito otimista. Garanto que quando as frases foram traduzidas, as pessoas terão várias surpresas boas, gosto desse mistério. Quero deixar isso para o mundo”, ressalta.

Profissionalismo e carreira

Os primeiros desenhos de Glauco Moraes nasceram aos nove anos de idade, sempre seguindo um estilo de pintar expressionista, contemporâneo e com tema figurativo. Na adolescência, dava aulas em casa, porém, sempre encarou a arte com seriedade. Então, investiu na formação profissional, com graduação em artes plásticas, pós em arte contemporânea e dois MBAs — em marketing e gestão empresarial. Há 16 anos, abriu a “Maison Escola e Galeria de Arte”.

“Não gosto de coisa caseira, tem que ter profissionalismo. Sou muito radical nesse ponto. Geralmente a pessoa leva essa coisa de artista como algo amador. Sou mais prático”, enfatiza, ao informar que deixou de lecionar há seis anos para se dedicar a um novo projeto. “Agora, estou focando em lançar meu primeiro livro. É uma edição comemorativa da minha carreira. Uma espécie de retrospectiva, mas focando no atual”, adianta.

Sem narcisismo

Conhecido como um dos artistas mais retratados do Brasil, Glauco Moraes sempre pintou trabalhos inspirados na própria fisionomia. Entretanto, em 18 anos de carreira, apenas uma das aproximadamente 1,5 mil obras dele é um autorretrato. Por outro lado, coleciona mais de com 40 retratos assinados por artistas renomados, como Jarbas Juarez, Sandra Bianch, Etel Ferrão, Luís Jannel, Fatima Mirandda, Luiz Pêgo, Rodrigo Santto e Vera Sidney.

“Todo o meu trabalho plástico sempre esteve ligado a minha fisionomia, gosto muito de brincar com meu rosto. Para mim é uma honra ter representações minhas assinadas por grandes artistas do País, que me presenteiam com suas obras, na forma como sou visto por eles. Isso me tornou uma figura meio narcisista, mas eu não me considero Narciso. Apenas gosto de ver como as pessoas me veem”, declara.

DESTAQUE

Na próxima exposição de Glauco Moares, este mês, ele apresentará 18 obras inéditas, uma para cada ano de carreira, na “Maison Escola e Galeria de Arte” — avenida Bento Simão, 255, São Bento, Belo Horizonte (MG). “Pinto entre 50 e 60 obras por ano. Minhas obras são grandes. Tamanho não é documento na arte, mas eu sempre gostei de coisas majestosas”, afirma.

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