Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020
Artes visuais

Artista Raiz Campos representa o Amazonas no projeto 'Fábrica de Graffiti'

Radicado no Amazonas, o grafiteiro baiano é um dos dez finalistas do concurso que garantirá a participação na pintura do maior painel de grafite do Brasil, a ser construído em Barra Mansa (RJ)



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21/07/2020 às 20:47

Baiano de nascença e amazonense de criação, Rai Campos, mais conhecido como Raiz, é um dos dez finalistas do concurso do projeto "Fábrica de Graffiti", que pretende premiar duas pessoas, garantindo a participação na pintura do maior painel de grafite do Brasil, um mural de 10 mil m² localizado em Barra Mansa (RJ). Com um estilo ligado a cultura regional, o artista criado na Vila do Pitinga (AM) desde os três meses de idade foi selecionado dentre 300 participantes inscritos.

Caso eleito pelo público, Raiz pretende levar uma arte com propósito e dar ainda mais voz aos povos originários. Os dois grafiteiros premiados serão definidos em votação popular, que segue até o dia 31 deste mês pelo link que consta no Instagram do projeto (@fabricadegraffiti). “Pretendo desenhar algo que represente os povos primários, que são tratados como secundários, mas são os verdadeiros donos dessas terras”, comenta.



O esboço do artista para o mural – previamente definido durante a inscrição no concurso – conta com elementos referentes a dança, música, teatro e espiritualidade de algumas etnias localizadas pela região, como Baniwa, Baré e Ticuna. Raiz comenta que se inspirou em imagens de amigos fotógrafos sobre a população indígena. “Vou apresentar essa beleza da cultura, essa espiritualidade, essa força e o quanto eles lutam para sobreviver", destaca ele.

O grafiteiro acredita que, caso seja premiado, este será um dos seus trabalhos mais desafiadores, dado o tamanho do espaço definido para o mural e também a localidade. “Cada novo mural é sempre desafiador. Esse também, por ser extenso e estar fora da minha cidade, em outro estado, em outra realidade, outra vivência. Por conta disso, a gente não tem ideia do que pode acontecer. Mas assim é o grafite: a gente pega o material, vai pra rua e o universo nos apresenta muitas possibilidades”, pontua.

Com despesas da viagem pagas e um prêmio de R$ 10 mil, os dois grafiteiros selecionados no concurso se unirão a mais oito artistas escolhidos pela curadoria do projeto, que busca humanizar espaços industriais por meio do Street Art.

Experiência

Criado no interior do Amazonas, Raiz procura colocar a população indígena como protagonista em seus trabalhos. Ao longo de sua carreira, o artista já desenvolveu diversos murais, incluindo um dos maiores de sua experiência até o momento: o “Mãe D’Água”, pintado no reservatório da Águas de Manaus na Ponta Negra. Feito a 27 metros do chão em parceria com outros colegas grafiteiros, o painel representa sua amiga indígena Margô, de São Gabriel, em homenagem ao espírito que gera, acolhe, ama e garante o sustento a todos, para chamar atenção sobre os cuidados com o planeta.

Em conjunto com outros profissionais da área, Raiz também desenvolveu o painel “Existir para Resistir. Resistir para Existir”, inspirado na imagem da fotógrafa Delphine Fabbri Lawson, que traz a índia Guarani Mbya e seu filho, mostrando a força e a proteção que os indígenas compartilham com a natureza. “Já que eles não estão nos outdoors, nas novelas, nos filmes, eu os boto no papel principal do meu grafite, que é totalmente dedicado à cultura indígena”, completa.

Repórter

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