Domingo, 31 de Maio de 2020
MOSTRA

Artistas amazonenses expõem obras em Belo Horizonte

Exposição "VaiVém" reúne trabalho de 141 artistas, desde ícones como Tarsila do Amaral à novíssima geração de artistas do Amazonas



CURADOR_RAPHAEL_FONSECA_E_DUHIGO__1A045A8B-0962-4AED-A5D9-6440071B26BF.jpg O curador Raphael Fonseca com a artista amazonense Duhigó Tukano (Foto: Divulgação)
13/03/2020 às 16:14

Aclamada pela crítica especializada brasileira e internacional, a Exposição VaiVém estreia hoje, dia 11, sua última fase, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Belo Horizonte, após percorrer os CCBBs de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro apresentando a rede de dormir brasileira por meio de 350 obras de arte de 141 artistas (entre eles, 32 indígenas, sendo 4 deles amazonenses. Os artistas visuais amazonenses são Duhigó (etnia Tukano), Dhiani Pa’saro (etnia Wanano), Füãreicü (etnia Ticuna) e Denilson Baniwa (etnia Baniwa).

Para quem for visitar a Vaivém em Belo Horizonte, que ficara em cartaz até 18 de maio no CCBB BH, poderá ver de perto uma exposição que foi considerada pelo jornal O Globo uma das exposições de arte mais marcantes do ano de 2019, além de aplaudida por curadores, galeristas e pesquisadores de arte em todo País.
 Recentemente a renomada revista internacional “ArtReview” que aborda os assuntos do primeiro escalão da arte contemporânea mundial, com sede em Londres, apresentou uma crítica positiva à exposição, tomando como eixo de partida do texto e ilustração sobre a exposição a obra Nepu Arquepu – rede macaco, da artista amazonense Duhigó.



Passeio

VaiVém ocupa o terceiro andar e o pátio do CCBB e poderá ser visitada diariamente (exceto às terças-feiras), de 10h às 22 horas. A entrada é franca e os ingressos podem ser retirados pelo site eventim.com.br ou na bilheteria do centro cultural. A mostra reúne pinturas, esculturas, instalações, performances, fotografias, vídeos, revistas em quadrinhos e documentos sob curadoria do historiador e crítico da arte Raphael Fonseca, que também é curador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC - Niterói). 

Exibindo obras clássicas do século 16 aos dias de hoje, ele ressalta que Vaivém transita entre tempos, linguagens e artistas. Para ampliar esse debate, o curador conduz palestra gratuita no dia 11 de março, às 20 horas, no Teatro II, do CCBB.  No bate-papo o curador vai apresentar um panorama sobre as obras expostas e abordará a iconografia das redes de dormir e sua associação às ideias de Brasil, brasileiro e brasilidade, discutindo como diferentes artistas se utilizaram do objeto e suas representações para celebrar ou questionar noções diversas de identidade nacional. 

“Longe de reforçar os estereótipos da tropicalidade, esta exposição investiga as origens das redes e suas representações iconográficas: ao revisitar o passado conseguimos compreender como um fazer ancestral criado pelos povos ameríndios foi apropriado pelos europeus e, mais de cinco séculos após a invasão das Américas, ocupa um lugar de destaque no panteão que constitui a noção de uma identidade brasileira”, sublinha o curador.

Fonseca, que pesquisou o tema por mais de quatro anos para sua tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ), propôs a criação de seis núcleos temáticos que transitam pela história e propõem uma ressignificação de estereótipos. São eles: Resistências e permanências – que trata como a rede de dormir é pensada por artistas indígenas, na maioria, que a associam a uma marca da luta pela sobrevivência das culturas originárias brasileiras; 

A rede como escultura, a escultura como rede – neste espaço toda rede de dormir, pensada para o uso do corpo humano, é também uma escultura no espaço. Este núcleo coloca em diálogo redes criadas por associações de artesãs indígenas e não indígenas e trabalhos de artistas reconhecidos pelo sistema da arte contemporânea;

Olhar para o outro, olhar para si – um espaço que apresenta como as redes chamaram a atenção dos europeus desde o início da invasão das Américas; 

Disseminações: entre o público e o privado – A praticidade das redes como mobiliário para viajar e no âmbito doméstico foi apropriada pelos portugueses, franceses e holandeses que invadiram o Brasil; 

Modernidades: espaços para a preguiça – As redes começaram a ser vistas como algo que ia contra o processo civilizatório e o desejado progresso industrial da jovem nação, depois da proclamação da república em 1889;

Invenções do Nordeste – Neste núcleo estão trabalhos que convertem em imagens mitos da relação entre as redes e a região geográfica, como a associação delas à seca e à migração para o sudeste.

 
 

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